A trombofilia é um termo que costuma surgir após um episódio de trombose, especialmente em pessoas jovens ou sem outros fatores de risco evidentes — e também é uma investigação comum durante o acompanhamento pré-natal de gestantes com histórico familiar de complicações trombóticas. Trata-se de uma condição que aumenta a tendência do sangue a formar coágulos, e entender o que ela significa na prática ajuda a esclarecer muitas dúvidas sobre diagnóstico, tratamento e prognóstico.
Neste artigo vou explicar o que é a trombofilia, quais são seus tipos, como é diagnosticada, se tem cura, e o que muda no acompanhamento de quem recebe esse diagnóstico.
O que é trombofilia
A trombofilia é uma condição caracterizada por uma tendência aumentada do sangue a formar coágulos (trombos) de forma inadequada — ou seja, o sistema de coagulação, que normalmente atua de forma equilibrada, fica desregulado no sentido de favorecer a formação de trombos mesmo sem uma lesão vascular significativa que justifique essa resposta.
É importante diferenciar trombofilia de trombose: a trombofilia é a predisposição, a condição de base que aumenta o risco; a trombose é o evento em si — a formação real de um coágulo em uma veia ou artéria. Nem toda pessoa com trombofilia desenvolve trombose ao longo da vida, mas o risco é significativamente maior do que na população geral, especialmente diante de fatores desencadeantes adicionais como cirurgias, imobilização prolongada, gravidez ou uso de determinados medicamentos.
Vale destacar que a presença de trombofilia não significa que a pessoa terá necessariamente uma vida marcada por complicações — muitas trombofilias, especialmente as mais leves, permitem uma vida completamente normal, com risco elevado apenas em situações específicas que exigem atenção redobrada, como cirurgias ou gestação.
Tipos de trombofilia: hereditária e adquirida
As trombofilias se dividem em dois grandes grupos, conforme a origem:
Vale notar que diferentes trombofilias hereditarias têm níveis distintos de risco trombotico associado — algumas, como a deficiência de antitrombina, são consideradas de risco mais elevado do que outras, como algumas variações mais leves da mutacão MTHFR, cuja relação com risco trombotico ainda gera debate na literatura médica.
Trombofilias hereditárias (genéticas)
São causadas por mutações genéticas transmitidas de pais para filhos, presentes desde o nascimento. As mais estudadas e conhecidas incluem:
- Fator V de Leiden: mutação genética que torna o fator V da coagulação resistente à ação de uma proteína reguladora (proteína C ativada), favorecendo a formação de coágulos
- Mutação do gene da protrombina (fator II): aumenta os níveis de protrombina no sangue, elevando o risco trombótico
- Deficiência de proteína C: essa proteína tem papel anticoagulante natural; sua deficiência remove um mecanismo de proteção contra trombos
- Deficiência de proteína S: atua em conjunto com a proteína C no controle da coagulação; sua deficiência também aumenta o risco
- Deficiência de antitrombina: uma das trombofilias hereditárias associadas a maior risco trombótico, embora menos comum
- Mutação do gene MTHFR: associada a alterações no metabolismo da homocisteína, com relação (ainda debatida na literatura) ao risco trombótico
Trombofilias adquiridas
Não são genéticas, mas desenvolvidas ao longo da vida, geralmente associadas a outras condições médicas:
- Síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAF): condição autoimune em que o sistema imunológico produz anticorpos que aumentam o risco de trombose, tanto venosa quanto arterial, e está associada a complicações gestacionais recorrentes
- Câncer: diversos tipos de câncer aumentam o risco trombótico por mecanismos variados
- Síndrome nefrótica: perda de proteínas anticoagulantes pela urina em certas doenças renais
- Uso de estrogênio: anticoncepcionais hormonais e terapia de reposição hormonal aumentam o risco trombótico, especialmente em combinação com outros fatores
Sinais que levam à suspeita de trombofilia
A trombofilia, por si só, não causa sintomas diretos — é uma condição silenciosa que muitas vezes só é descoberta após um episódio de trombose ou durante investigação de outras condições, como perdas gestacionais recorrentes. Os sinais que levam à suspeita e investigação de trombofilia incluem:
- Episódio de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar em pessoa jovem (geralmente abaixo de 45-50 anos), sem outros fatores de risco evidentes
- Trombose recorrente — mais de um episódio ao longo da vida
- Trombose em local incomum (veias abdominais, cerebrais, entre outras, diferentes das localizações mais típicas nas pernas)
- Histórico familiar significativo de trombose em parentes de primeiro grau, especialmente em idade jovem
- Perdas gestacionais recorrentes (abortos de repetição), especialmente após o primeiro trimestre
- Complicações gestacionais como pré-eclâmpsia grave e precoce ou restrição de crescimento fetal significativa
Esses sinais não confirmam a presença de trombofilia isoladamente, mas são os principais motivadores para que o médico solicite a investigação laboratorial específica.
Diante de qualquer dúvida sobre trombofilia, priorize sempre a orientação de um profissional qualificado em vez de informações genéricas encontradas na internet, já que cada caso tem particularidades que merecem avaliação individualizada e cuidadosa.
A busca por respostas confiáveis é o primeiro passo para um cuidado seguro.
Exame de trombofilia: como é feito o diagnóstico
O diagnóstico de trombofilia é feito através de exames de sangue específicos, geralmente solicitados em conjunto (painel de trombofilia), incluindo:
- Pesquisa da mutação do Fator V de Leiden (exame genético)
- Pesquisa da mutação do gene da protrombina (exame genético)
- Dosagem de proteína C e proteína S
- Dosagem de antitrombina
- Pesquisa de anticorpos antifosfolípides (anticoagulante lúpico, anticardiolipina, anti-beta2-glicoproteína) para investigação de SAF
- Homocisteína e, em alguns casos, pesquisa da mutação MTHFR
Um ponto importante: alguns desses exames não devem ser realizados durante um episódio agudo de trombose ou em uso de anticoagulantes, já que esses fatores podem alterar os resultados e gerar falsos positivos ou negativos. O momento ideal para a coleta é definido pelo médico, geralmente após um período de estabilização e, quando possível, sem uso de anticoagulantes ou com ajuste temporário da medicação sob orientação médica cuidadosa.
Trombofilia pelo SUS: como acessar os exames
O painel completo de exames para investigação de trombofilia está disponível na rede pública de saúde em muitos serviços, geralmente mediante encaminhamento de especialista (hematologista, cirurgião vascular ou obstetra, conforme o contexto clínico) que justifique a indicação da investigação. Como esses exames têm custo elevado e não são indicados de forma indiscriminada, o acesso pelo SUS costuma seguir critérios clínicos específicos, semelhantes aos já discutidos neste artigo — trombose em idade jovem, recorrente, em local incomum, ou histórico obstétrico sugestivo.
Vale ressaltar que o tempo de espera para resultados de exames genéticos pelo SUS pode ser mais longo do que na rede privada, o que é importante considerar no planejamento do acompanhamento, especialmente em situações como planejamento de gestação, onde o tempo de investigação pode influenciar decisões sobre quando tentar engravidar.
Diferença entre trombofilia e trombose: esclarecendo a confusão
Muitas pessoas usam os termos trombofilia e trombose como sinônimos, mas eles representam conceitos distintos e complementares. A trombofilia é a condição predisponente — o terreno fértil, por assim dizer, que aumenta a probabilidade de formação de coágulos. A trombose é o evento em si: a formação real de um coágulo obstruindo um vaso sanguíneo, seja uma veia (trombose venosa) ou uma artéria (trombose arterial).
Uma pessoa pode ter trombofilia sem nunca desenvolver trombose ao longo da vida — e, inversamente, uma pessoa pode ter trombose sem qualquer trombofilia identificável, apenas por fatores de risco circunstanciais como cirurgia recente, imobilização prolongada ou lesão vascular direta. Entender essa distinção ajuda a compreender por que nem todo paciente com trombose precisa investigar trombofilia, e por que nem toda trombofilia identificada significa necessariamente que a pessoa terá um evento trombótico no futuro.
Essa distinção é também útil para reduzir a ansiedade de pacientes que, ao ouvir falar em “trombofilia”, imaginam automaticamente um cenário grave e inevitável de trombose — quando, na realidade, muitos casos representam apenas um fator de risco a mais a ser gerenciado, entre tantos outros que fazem parte da avaliação de saúde vascular de qualquer pessoa.
Trombofilia tem cura?
Essa é uma das perguntas mais frequentes sobre o tema, e a resposta depende do tipo de trombofilia:
- Trombofilias hereditárias: não têm cura, pois são alterações genéticas presentes desde o nascimento e permanentes ao longo da vida. O que existe é controle e prevenção — não uma reversão da condição genética
- Trombofilias adquiridas: algumas podem ser controladas ou até resolvidas se a causa de base for tratada — por exemplo, a suspensão do uso de estrogênio, ou o tratamento de uma condição de base como o câncer. A síndrome do anticorpo antifosfolípide, no entanto, costuma ser uma condição crônica que exige acompanhamento contínuo
Independentemente de “cura” no sentido estrito, é importante entender que a trombofilia, quando adequadamente identificada e acompanhada, permite uma vida com qualidade e com risco trombótico controlado através de medidas preventivas e, quando indicado, anticoagulação em situações de maior risco.
Compreender essa condição com clareza — sem minimizá-la, mas também sem exagerar seu impacto — é o que permite ao paciente participar ativamente das decisões sobre o próprio cuidado, em parceria com a equipe médica responsável pelo acompanhamento ao longo dos anos.
Trombofilia e AVC: existe relação?
Embora a trombofilia seja classicamente mais associada à trombose venosa (nas pernas ou pulmões), algumas formas de trombofilia, especialmente a síndrome do anticorpo antifosfolípide, também aumentam o risco de eventos trombóticos arteriais, incluindo o AVC isquêmico. Isso é particularmente relevante em pacientes jovens que sofrem AVC sem os fatores de risco cardiovascular tradicionais (hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto) — nesses casos, a investigação de trombofilia, especialmente SAF, faz parte da propedêutica padrão.
A relação entre trombofilias hereditárias mais clássicas (Fator V de Leiden, mutação da protrombina) e o risco arterial é menos consistente na literatura do que sua associação com trombose venosa — reforçando a importância de uma avaliação médica individualizada para interpretar corretamente o significado clínico de cada tipo de trombofilia identificada.
Trombofilia e cirurgia: cuidados especiais
Pacientes com trombofilia conhecida que precisam se submeter a qualquer cirurgia devem sempre informar a equipe cirúrgica e anestésica sobre esse diagnóstico antes do procedimento. Isso é fundamental porque o protocolo padrão de profilaxia trombótica peri-operatória (medidas para prevenir trombose durante e após a cirurgia) pode precisar ser intensificado nesses pacientes — incluindo uso de meias de compressão, dispositivos de compressão pneumática durante a cirurgia, e anticoagulação profilática ajustada à condição específica do paciente.
A comunicação clara entre o paciente, o cirurgião responsável pelo procedimento, e o especialista que acompanha a trombofilia (hematologista ou cirurgião vascular) é essencial para garantir que as medidas preventivas adequadas sejam implementadas, reduzindo significativamente o risco de complicações trombóticas no período peri-operatório, que é reconhecidamente um momento de risco aumentado mesmo em pessoas sem trombofilia.
Trombofilia na gravidez: o que muda no acompanhamento
A gestação é um dos contextos em que a investigação de trombofilia é mais frequentemente solicitada, especialmente diante de histórico de perdas gestacionais recorrentes, pré-eclâmpsia grave precoce, ou histórico pessoal/familiar de trombose. Isso ocorre porque a gravidez, por si só, já é um estado de hipercoagulabilidade fisiológica — e quando se soma a uma trombofilia de base, o risco de complicações trombóticas e obstétricas aumenta significativamente.
Gestantes com trombofilia confirmada frequentemente recebem acompanhamento obstétrico mais próximo, podendo incluir uso de anticoagulantes profiláticos (geralmente heparina de baixo peso molecular, segura na gestação) durante a gravidez e no período pós-parto, quando o risco trombótico permanece elevado. A decisão sobre anticoagulação profilática é individualizada, considerando o tipo específico de trombofilia, o histórico obstétrico prévio e outros fatores de risco associados.
É importante ressaltar: nem toda mulher com trombofilia precisa de anticoagulação durante a gravidez — essa decisão depende do tipo e da gravidade da trombofilia identificada, sempre avaliada em conjunto pelo obstetra e, quando necessário, pelo hematologista ou cirurgião vascular.
Quem tem trombofilia pode engravidar?
Uma dúvida comum é se quem tem trombofilia pode engravidar. A resposta é sim — a trombofilia não impede a gestação, mas exige acompanhamento pré-natal mais atento e, em muitos casos, planejamento prévio da gravidez em conjunto com o médico, especialmente para definir se e quando iniciar anticoagulação profilática.
Idealmente, mulheres com diagnóstico conhecido de trombofilia devem buscar aconselhamento pré-concepcional — uma consulta antes de engravidar — para que o médico possa avaliar o tipo específico de trombofilia, o histórico obstétrico prévio (se houver), e definir a estratégia mais segura para a gestação, incluindo ajustes em medicações que a mulher já use e que possam ter impacto na gravidez.
Essa consulta pré-concepcional é particularmente valiosa para mulheres com histórico de perdas gestacionais anteriores, permitindo ajustes terapêuticos antes mesmo da concepção, ao invés de reativamente após complicações já terem ocorrido em uma gestação em curso.
Trombofilia e anticoncepcional: qual o mais seguro
Mulheres com trombofilia diagnosticada, especialmente as formas de maior risco trombótico, geralmente devem evitar anticoncepcionais hormonais combinados (que contêm estrogênio), já que essa combinação aumenta significativamente o risco de trombose. Métodos contraceptivos sem estrogênio — como o DIU de cobre, o DIU hormonal (que libera apenas progesterona localmente, com menor impacto sistêmico), a minipílula (progesterona isolada) ou métodos de barreira — costumam ser as opções mais seguras nesses casos.
A decisão sobre qual método contraceptivo é mais adequado deve sempre ser individualizada, considerando o tipo específico de trombofilia, a gravidade do risco trombótico associado e outros fatores de saúde da mulher, sempre em conjunto entre o ginecologista e, quando indicado, o hematologista ou cirurgião vascular que acompanha o caso.
Da mesma forma, mulheres que já usam anticoncepcional e recebem diagnóstico posterior de trombofilia devem conversar com o ginecologista sobre a necessidade de troca de método, sem suspender abruptamente por conta própria.
Tratamento da trombofilia: quando anticoagular
Nem toda pessoa com trombofilia precisa de anticoagulação contínua ao longo da vida — a decisão depende do tipo de trombofilia, da gravidade (algumas mutações conferem risco mais alto que outras), e principalmente da história pessoal: se já houve episódio de trombose, o risco de recorrência costuma justificar anticoagulação prolongada; se a trombofilia foi identificada sem nunca ter havido trombose (por exemplo, durante investigação de histórico familiar), a conduta costuma ser mais conservadora, com anticoagulação reservada para situações específicas de risco aumentado (cirurgias, viagens longas, gestação, imobilização prolongada).
Quando indicada, a anticoagulação pode envolver medicamentos como varfarina, anticoagulantes orais diretos (como rivaroxabana, apixabana ou dabigatrana) ou, em contextos específicos como a gestação, heparina de baixo peso molecular. A escolha do medicamento e a duração do tratamento são decisões médicas individualizadas, que consideram o tipo de trombofilia, o histórico de eventos trombóticos e os riscos e benefícios específicos de cada opção terapêutica.
O monitoramento periódico com exames de sangue, quando o paciente está em uso de anticoagulantes como a varfarina, faz parte do acompanhamento de rotina, garantindo nível adequado de anticoagulação.
Prevenção de trombose em quem tem trombofilia
Para além do tratamento medicamentoso quando indicado, pessoas com trombofilia se beneficiam de medidas de prevenção que reduzem o risco de trombose em situações específicas:
- Viagens longas: movimentar-se regularmente, usar meia de compressão quando orientado, manter boa hidratação
- Cirurgias: informar sempre a equipe cirúrgica sobre o diagnóstico de trombofilia, já que isso influencia diretamente o protocolo de profilaxia trombótica peri-operatória
- Imobilização prolongada: seja por doença, cirurgia ortopédica ou outra causa, situações de imobilidade aumentam significativamente o risco e frequentemente exigem profilaxia específica
- Manter atividade física regular: quando não há contraindicação específica, o exercício regular contribui para a saúde vascular geral
- Não fumar: o tabagismo aumenta ainda mais o risco trombótico em pessoas com trombofilia, sendo uma combinação particularmente perigosa
- Manter peso saudável: a obesidade é fator de risco adicional para trombose
Ter um cartão ou documento de identificação médica informando o diagnóstico de trombofilia pode ser útil em situações de emergência, garantindo que qualquer equipe médica que atenda a pessoa esteja ciente dessa condição relevante para decisões de tratamento.
Manter essas medidas de forma consistente ao longo dos anos, ajustando-as conforme mudanças na vida (nova gestação, cirurgias planejadas, viagens frequentes), é o que realmente reduz o risco cumulativo de eventos trombóticos em quem convive com trombofilia diagnosticada.
Trombofilia é hereditária: investigar a família?
Como as trombofilias hereditárias são condições genéticas, elas podem ser transmitidas de pais para filhos. Quando um membro da família é diagnosticado, especialmente após um episódio de trombose em idade jovem ou histórico familiar significativo, o médico pode recomendar investigação em parentes de primeiro grau (pais, irmãos, filhos), principalmente se esses familiares estiverem planejando situações de risco aumentado, como gestação ou cirurgias.
É importante entender que ter um parente com trombofilia não significa automaticamente que você também terá — depende do padrão de herança genética específico da mutação em questão. Algumas trombofilias são autossômicas dominantes (basta herdar uma cópia do gene alterado de um dos pais para ter a condição), enquanto outras têm padrões de herança mais complexos. O aconselhamento genético, quando disponível, pode esclarecer melhor essas questões para famílias com histórico significativo.
Vale ressaltar que o teste genético em familiares assintomáticos deve ser precedido de uma conversa cuidadosa sobre os possíveis impactos psicológicos e práticos do resultado, incluindo questões relacionadas a seguros de vida e planejamento familiar, sempre respeitando a autonomia de cada membro da família na decisão de realizar ou não o exame.
Mitos sobre trombofilia
“Trombofilia é sempre grave e incapacitante” — não necessariamente. Muitas pessoas com trombofilia levam vida normal, com risco controlado através de medidas preventivas e, quando necessário, anticoagulação em situações específicas de risco.
“Se tenho trombofilia, vou ter trombose com certeza” — não. A trombofilia aumenta o risco, mas não é uma garantia de que a trombose ocorrerá. Muitas pessoas com trombofilia hereditária nunca desenvolvem um evento trombótico ao longo da vida.
“Trombofilia impede engravidar” — não impede, mas exige acompanhamento pré-natal mais próximo e, em alguns casos, uso de anticoagulantes profiláticos durante a gestação, sempre orientado pelo obstetra em conjunto com o especialista adequado.
“Só preciso investigar trombofilia depois de ter trombose” — em famílias com histórico significativo de trombose em idade jovem, a investigação preventiva antes de situações de risco (como gestação planejada) pode ser recomendada mesmo sem episódio prévio.
“Todo mundo com trombose deveria fazer exame de trombofilia” — não necessariamente. A investigação é mais indicada em casos específicos (trombose em jovens, sem fator de risco evidente, recorrente, ou com histórico familiar significativo) — trombose associada a fatores de risco claros (cirurgia recente, por exemplo) nem sempre exige essa investigação adicional.
Reconhecer esses mitos e substituí-los por informação baseada em evidência ajuda a reduzir a ansiedade desnecessária associada ao diagnóstico de trombofilia, permitindo um acompanhamento mais tranquilo e colaborativo entre paciente e equipe médica ao longo do tempo.
Qual médico procurar para investigar trombofilia
Vários especialistas podem estar envolvidos no diagnóstico e acompanhamento da trombofilia, dependendo do contexto. O cirurgião vascular e angiologista frequentemente é quem identifica a suspeita após um episódio de trombose e solicita a investigação inicial. O hematologista é o especialista de referência para o diagnóstico completo e manejo de longo prazo das trombofilias, especialmente casos mais complexos. Para gestantes, o obstetra coordena o acompanhamento pré-natal em conjunto com esses especialistas quando necessário.
Na prática, o cuidado de quem tem trombofilia costuma ser multidisciplinar, com boa comunicação entre os diferentes profissionais envolvidos — especialmente em momentos de maior risco, como cirurgias, gestação ou mudanças na anticoagulação, garantindo decisões terapêuticas seguras e bem fundamentadas.
Esse trabalho conjunto entre especialistas garante que cada aspecto do cuidado — desde a investigação inicial até o acompanhamento de longo prazo, passando por situações específicas como gestação e cirurgias — seja conduzido com segurança e base científica sólida.
Perguntas Frequentes
O que é trombofilia?
Trombofilia é uma condição que aumenta a tendência do sangue a formar coágulos de forma inadequada, seja por causas genéticas (hereditárias) ou adquiridas ao longo da vida, elevando o risco de trombose.
Trombofilia tem cura?
As trombofilias hereditárias não têm cura, pois são alterações genéticas permanentes. Algumas trombofilias adquiridas podem melhorar se a causa de base for tratada. O foco do manejo é prevenção e controle do risco, não cura no sentido estrito.
Que exame detecta trombofilia?
Exames de sangue específicos: pesquisa genética do Fator V de Leiden e mutacão da protrombina, dosagem de proteína C, proteína S, antitrombina, e pesquisa de anticorpos antifosfolipídes para SAF.
Quem tem trombofilia pode engravidar?
Sim — a trombofilia não impede a gestação, mas exige acompanhamento pré-natal mais atento, podendo incluir uso de anticoagulantes profiláticos durante a gravidez conforme o tipo e a gravidade da trombofilia.
Quem tem trombofilia precisa tomar anticoagulante para sempre?
Não — depende do tipo e gravidade da trombofilia, e principalmente do histórico pessoal de trombose. Após episódio de trombose, a anticoagulação prolongada costuma ser indicada; sem histórico prévio, a conduta é mais individualizada.
Qual anticoncepcional é seguro para quem tem trombofilia?
Geralmente devem evitar anticoncepcionais com estrogênio. Opções mais seguras incluem DIU de cobre, DIU hormonal (apenas progesterona local), minipílula ou métodos de barreira — sempre individualizado com o ginecologista.
Quais os tipos de trombofilia mais comuns?
As mais estudadas são Fator V de Leiden, mutação do gene da protrombina, deficiência de proteína C, proteína S e antitrombina, além da síndrome do anticorpo antifosfolípide (adquirida).
Trombofilia é hereditária?
Sim, as trombofilias hereditárias são genéticas e podem ser transmitidas aos filhos. Parentes de primeiro grau podem ser investigados, especialmente diante de histórico familiar significativo de trombose em idade jovem.
Trombofilia dá sintomas?
Não diretamente — é uma condição silenciosa, geralmente descoberta após episódio de trombose ou durante investigação de perdas gestacionais recorrentes, não por sintomas próprios.
Qual médico procurar para investigar trombofilia?
O cirurgião vascular geralmente identifica a suspeita e inicia a investigação. O hematologista é o especialista de referência para diagnóstico completo e manejo. Gestantes têm acompanhamento coordenado pelo obstetra.
Conclusão
A trombofilia é uma condição que, embora aumente o risco de trombose, não define automaticamente o destino de quem a recebe como diagnóstico. Com investigação adequada, acompanhamento médico regular e medidas preventivas apropriadas ao tipo específico de trombofilia identificada, é possível levar uma vida com boa qualidade, planejando gestações com segurança e reduzindo significativamente o risco de eventos trombóticos ao longo da vida.
Se você tem histórico pessoal ou familiar que sugere a necessidade de investigar trombofilia, o próximo passo é buscar avaliação médica especializada, que vai esclarecer se a investigação é realmente indicada no seu caso e, se confirmado o diagnóstico, construir junto com você um plano de acompanhamento individualizado e seguro.
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Avaliação vascular em São Paulo
O Dr. Luís Dotta (CRM 65772/SP – RQE 28296) avalia e acompanha pacientes com trombose e trombofilia, em três unidades em São Paulo:
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui a consulta médica presencial. Nunca inicie, altere ou interrompa um tratamento medicamentoso sem orientação do seu médico. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada.
Dr. Luís Antonio Dotta — CRM-SP 65772 / RQE 28296. Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular.






