Úlcera Venosa na Perna: por que a ferida não fecha e o que fazer para cicatrizar

Uma ferida que não fecha. Semanas, meses, às vezes anos — e aquela lesão no tornozelo simplesmente não cicatriza. O paciente troca curativo, usa pomada, toma antibiótico, e a ferida continua igual ou piora. Quando olhamos com atenção a perna toda, encontramos a explicação: veias dilatadas, pele escurecida ao redor do tornozelo, inchaço crônico que nunca resolve completamente. Essa é a úlcera venosa — e ela não vai cicatrizar enquanto o problema venoso subjacente não for tratado.

A úlcera venosa da perna — também chamada de úlcera varicosa ou úlcera de estase — é a manifestação mais grave da insuficiência venosa crônica. Representa o estágio C6 na classificação CEAP das doenças venosas crônicas: a ponta do iceberg de anos de hipertensão venosa não tratada ou insuficientemente controlada. No Brasil, estima-se que 1% da população adulta tenha úlcera venosa ativa, e até 3% já apresentaram algum episódio ao longo da vida — representando enorme carga de sofrimento, limitação funcional e custo de saúde pública.

Em trinta anos como cirurgião vascular, já acompanhei centenas de pacientes com úlceras venosas. Algumas delas carregavam a ferida há anos, fazendo curativos em casas de saúde, sem que ninguém tivesse investigado e tratado a causa venosa. Quando tratamos a insuficiência venosa — com ablação das veias insuficientes — e combinamos com compressão adequada e cuidados corretos com a ferida, a grande maioria das úlceras cicatriza. O problema é chegar a esse diagnóstico e ao tratamento certo.

O que é úlcera venosa — definição e classificação

A úlcera venosa é uma lesão crônica de pele e tecidos subjacentes — solução de continuidade que não cicatriza espontaneamente — causada por hipertensão venosa crônica nos membros inferiores. Diferente de uma ferida comum, que cicatriza progressivamente em dias a semanas, a úlcera venosa persiste porque o ambiente tecidual local está cronicamente comprometido: pressão venosa elevada, edema intersticial persistente, hipóxia tecidual relativa e acúmulo de produtos inflamatórios impedem a progressão normal do processo de cicatrização.

Classificação CEAP — entendendo os estágios da doença venosa

A classificação CEAP (Clínica, Etiológica, Anatômica e Patofisiológica) é o sistema internacional padronizado para estadiar a doença venosa crônica. Compreender essa classificação ajuda a entender como se chega à úlcera venosa:

Estágio CEAPManifestação clínicaO que o paciente nota
C0Sem sinais visíveis de doença venosaNada ainda — mas pode haver sintomas como cansaço e peso nas pernas
C1Telangiectasias e veias reticulares (vasinhos)Pequenas veias vermelhas ou azuladas visíveis sob a pele
C2Varizes — veias dilatadas, tortuosas, visíveisVeias salientes e tortuosas nas pernas
C3Edema venosoInchaço nas pernas, especialmente ao final do dia
C4aPigmentação ocre e/ou eczema venosoPele escurecida ao redor do tornozelo, coceira, vermelhidão
C4bLipodermatoesclerose e/ou atrofia brancaPele dura, endurecida ao redor do tornozelo — sinal de dano tecidual avançado
C5Úlcera venosa cicatrizadaCicatriz de ferida anterior — pele fina, acastanhada, vulnerável a novos episódios
C6Úlcera venosa ativaFerida aberta que não cicatriza — o estágio mais grave

A progressão da doença venosa não é inevitável — pode ser interrompida em qualquer estágio com tratamento adequado. Mas quanto mais tarde o tratamento é iniciado, mais difícil é reverter as alterações teciduais já estabelecidas. Uma úlcera venosa ativa (C6) pode cicatrizar, mas a pele ao redor — já comprometida pela lipodermatoesclerose (C4b) — permanece vulnerável a novos episódios se a causa venosa não for definitivamente tratada.

Por que a úlcera venosa se forma — a fisiopatologia em detalhes

Para entender a úlcera venosa, é preciso compreender o que acontece nas pernas de quem tem insuficiência venosa crônica avançada. A cadeia causal é longa, mas cada elo tem importância clínica:

  1. Insuficiência valvar venosa: as válvulas das veias safenas (sistema superficial) ou das veias profundas tornam-se incompetentes — não fecham adequadamente e permitem que o sangue flua de volta para baixo (refluxo). Nas veias profundas, isso frequentemente ocorre como sequela de uma trombose venosa profunda — a chamada síndrome pós-trombótica
  2. Hipertensão venosa ambulatorial: normalmente, a pressão nas veias do tornozelo cai significativamente durante a caminhada — a contração muscular da panturrilha empurra o sangue para cima. Com válvulas incompetentes, essa queda de pressão não ocorre — a pressão venosa permanece alta mesmo em movimento
  3. Hipertensão capilar e extravasamento: a pressão venosa elevada transmite-se retrogradamente para os capilares — que se tornam hipertensos, perdem sua seletividade e extravasam líquido, proteínas e hemácias para o tecido intersticial
  4. Depósito de hemossiderina e manguitos de fibrina: as hemácias extravasadas liberam hemossiderina (pigmento de ferro) — que se deposita na derme causando a hiperpigmentação ocre característica da insuficiência venosa. A fibrina extravasada forma um manguito ao redor dos capilares, dificultando a difusão de oxigênio para as células dérmicas
  5. Hipóxia tecidual relativa e inflamação crônica: a combinação de manguitos de fibrina, edema intersticial e ativação leucocitária cria um ambiente de hipóxia relativa e inflamação crônica na derme — tecido mal nutrido, com resposta imune local alterada e capacidade de cicatrização prejudicada
  6. Ruptura da pele e úlcera: sobre esse tecido já comprometido, qualquer trauma mínimo — um arranhão, uma picada de inseto, uma pressão leve — é suficiente para romper a pele e iniciar uma ferida que, sem suporte tecidual adequado, torna-se crônica

Características da úlcera venosa — como reconhecer

A úlcera venosa tem características clínicas bastante típicas que permitem distingui-la de outros tipos de ferida crônica nas pernas. Conhecer essas características é fundamental — porque o tratamento é completamente diferente dependendo da causa da ferida:

CaracterísticaÚlcera venosaÚlcera arterialÚlcera diabética (neuropática)
Localização típicaRegião do tornozelo e terço inferior da perna — especialmente face medial (região do maléolo interno)Extremidades distais — ponta dos dedos, calcanhares, proeminências ósseasPlanta do pé, áreas de pressão, polpa dos dedos
BordasIrregulares, eversas (viradas para fora), com halo eritematoso ao redorBem definidas, “em sacabocado”, bordas retas e nítidasBordas calejadas, hiperqueratósicas ao redor
Leito da feridaGranulação vermelha ou fibrina amarelada — raramente necróticoNecrótico, escuro, com pouca granulação — isquêmicoGranulação variável — frequentemente com tecido desvitalizado
ExsudatoAbundante — ferida muito úmida, exige curativos absorventesEscasso — ferida secaVariável
DorModerada a intensa — melhora com elevação da perna e compressãoIntensa — piora muito com elevação da perna (isquemia pior)Leve ou ausente — neuropatia reduz a sensibilidade
Pele ao redorHiperpigmentação ocre, lipodermatoesclerose, eczema, varicosidades visíveisPálida, fria, sem pelos, brilhante — sinais de isquemiaSeca, com calosidades — neuropatia periférica
Pulsos periféricosNormais ou levemente reduzidosAusentes ou muito diminuídosVariáveis — doença arterial pode coexistir
ulcera venosa dr luis dotta

Diagnóstico da úlcera venosa — além do exame visual

Avaliação clínica completa

O diagnóstico começa com uma história clínica detalhada e exame físico completo da perna afetada e da perna contralateral. Investigo: tempo de existência da úlcera e episódios anteriores, história de varizes, TVP ou cirurgia venosa prévia, comorbidades (diabetes, arteriopatia, artrite reumatoide, vasculites), medicamentos em uso (anticoagulantes, corticosteroides, hidroxiureia), fatores de risco vasculares e história familiar. No exame, avalio as características da ferida, a pele ao redor, os pulsos pedioso e tibial posterior, a temperatura dos pés, a presença de edema e varizes, e sinais de insuficiência arterial.

Índice tornozelo-braço (ITB) — obrigatório antes da compressão

O índice tornozelo-braço (ITB) é um exame simples, não invasivo, realizado com doppler portátil e esfigmomanômetro. Mede a relação entre a pressão sistólica no tornozelo e a pressão sistólica no braço. É absolutamente obrigatório antes de iniciar qualquer terapia compressiva intensa — pois a compressão em perna com doença arterial periférica grave pode agravar a isquemia e resultar em necrose.

Valor do ITBInterpretaçãoConduta em relação à compressão
≥ 0,8Normal — sem doença arterial significativaCompressão total permitida (até 40 mmHg)
0,6 a 0,79Doença arterial leve a moderadaCompressão reduzida com supervisão médica (máx. 20–25 mmHg)
0,5 a 0,59Doença arterial moderadaCompressão contraindicada sem revascularização prévia
< 0,5Doença arterial grave — isquemia críticaCompressão absolutamente contraindicada — tratamento vascular prioritário

Doppler venoso colorido — mapeamento da insuficiência

O ultrassom com doppler venoso colorido é o exame fundamental para mapear a extensão e a localização da insuficiência venosa — informação essencial para planejar o tratamento definitivo. O doppler identifica: presença e extensão do refluxo nas veias safenas (magna e parva), incompetência das veias perfurantes (que comunicam sistema superficial e profundo), estado das veias profundas (permeabilidade, refluxo, sequelas de TVP prévia), e presença de pontos de fuga que alimentam a insuficiência venosa local. Sem esse mapeamento, o tratamento fica incompleto.

Outros exames conforme suspeita clínica

Tratamento da úlcera venosa — os quatro pilares

O tratamento da úlcera venosa repousa sobre quatro pilares indissociáveis. Tratar apenas um deles sem os outros é a razão mais comum pela qual as feridas não cicatrizam adequadamente — e o ciclo de sofrimento se repete por anos.

Pilar 1 — Compressão terapêutica

A terapia compressiva é o alicerce de todo o tratamento da úlcera venosa. Sem compressão adequada, nenhum curativo — por mais sofisticado que seja — conseguirá criar um ambiente favorável à cicatrização, porque a causa — a hipertensão venosa — continua presente. A compressão reduz o edema, diminui a pressão venosa nos capilares dérmicos, melhora o fluxo de oxigênio para os tecidos e acelera dramaticamente a cicatrização.

Tipo de compressãoIndicação principalCaracterística
Bota de Unna (pasta de óxido de zinco)Úlcera ativa com edema moderado — paciente deambulanteBota inelástica que exerce pressão apenas durante a caminhada (compressão ativa). Trocada a cada 1–2 semanas conforme exsudato
Bandagem multicamadas (4 camadas)Padrão-ouro para úlcera venosa ativa — maior evidência científica de cicatrizaçãoCombina camadas de algodão, crepom, bandagem elástica e coesiva. Pressão sustentada de 35–40 mmHg no tornozelo
Meia de compressão médica (20–40 mmHg)Manutenção após cicatrização — prevenção de recidivaUso diário permanente. Essencial para controle da hipertensão venosa a longo prazo
Dispositivo de compressão pneumática intermitenteÚlcera refratária com linfedema associadoBomba que insufla câmaras ao redor da perna, promovendo drenagem progressiva do edema

Pilar 2 — Cuidados com a ferida e curativos

O objetivo do curativo é manter o leito da ferida em ambiente úmido controlado — que favorece a migração celular e a cicatrização — ao mesmo tempo em que controla o exsudato, remove tecido inviável e previne infecção. A escolha do curativo depende das características da ferida em cada momento:

Tipo de curativoIndicaçãoComo age
Alginato de cálcioFerida muito exsudativa, com sangramento leveAbsorve grandes volumes de exsudato; forma gel que mantém umidade; hemostático natural
Espuma de poliuretano (foam)Exsudato moderado a intenso — ferida com granulaçãoAlta capacidade de absorção; mantém ambiente úmido sem maceração das bordas
Hidrogel (gel amorfo ou placa)Ferida seca, com tecido necrótico, necessita desbridamento autolíticoDoa umidade à ferida; amolece e dissolve tecido desvitalizado sem trauma mecânico
Prata iônica (alginato ou foam com prata)Ferida com infecção local ou alto risco de infecçãoAção antimicrobiana ampla; reduz carga bacteriana do leito da ferida
Colagenase (desbridante enzimático)Tecido desvitalizado e fibrina — desbridamento seletivoDissolve especificamente colágeno desnaturado sem lesionar tecido saudável
Membrana de silicone não aderenteFase de epitelização — ferida com granulação avançadaNão adere ao tecido neoformado; troca indolor; protege novo epitélio

O desbridamento — remoção do tecido necrótico e da fibrina do leito da ferida — é frequentemente necessário para “preparar” a ferida para cicatrizar. Pode ser feito de forma autolítica (curativos de hidrogel), enzimática (colagenase) ou mecânico-cirúrgica (remoção com bisturi ou curetas em consultório). O desbridamento cirúrgico é necessário quando há tecido necrótico extenso que não responde aos métodos mais conservadores.

Pilar 3 — Tratamento da insuficiência venosa subjacente

Este é o pilar mais frequentemente negligenciado — e o que faz a diferença entre a úlcera que cicatriza e não volta e a úlcera que cicatriza, recidiva em meses e se torna problema crônico por anos. A úlcera é o sintoma; a insuficiência venosa é a doença. Tratar apenas o sintoma sem tratar a doença é como esvaziar um balde furado sem tampar o furo.

Estudos randomizados mostram que o tratamento da insuficiência venosa subjacente reduz em 50 a 60% a taxa de recidiva da úlcera em comparação com compressão isolada. O ensaio ESCHAR, publicado no Lancet, demonstrou taxas de recidiva em 4 anos de 12% nos pacientes operados versus 28% nos que receberam apenas compressão. Essa evidência é o embasamento clínico para tratar as veias — não apenas a ferida.

Pilar 4 — Controle das condições associadas

Diversas condições sistêmicas prejudicam a cicatrização da úlcera venosa e precisam ser otimizadas em paralelo:

Terapias avançadas para úlceras refratárias

Para úlceras que não respondem ao tratamento padrão após 12 semanas — definidas como refratárias —, existem opções terapêuticas com evidência científica crescente:

Prevenção da recidiva — o problema mais desafiador

A úlcera venosa tem uma das maiores taxas de recidiva entre as feridas crônicas: sem tratamento adequado da insuficiência venosa subjacente, 70 a 80% das úlceras recidivam em 5 anos. Com tratamento correto das veias e uso disciplinado de compressão, essa taxa pode ser reduzida para 15 a 20%. A prevenção é, portanto, parte tão fundamental quanto o tratamento ativo.

Medida preventivaPor que funcionaComo implementar
Tratamento definitivo das varizes (laser, radiofrequência, cirurgia)Elimina a causa — reduz a hipertensão venosa que destrói progressivamente o tecido ao redor do tornozeloPlanejado após mapeamento com doppler; realizado após cicatrização da úlcera ativa
Uso diário permanente de meia de compressão (20–40 mmHg)Mantém a pressão venosa baixa, reduz o edema e protege a pele comprometidaCalçada pela manhã antes de levantar; retirada ao deitar; substituição a cada 4–6 meses
Hidratação e cuidado diário da pele do tornozeloPele hidratada e íntegra oferece maior resistência a pequenos traumas que iniciam nova úlceraEmoliente aplicado diariamente após banho — evitar entre os dedos (risco de micose)
Atividade física regular — caminhada e exercícios de tornozeloAtiva a bomba muscular da panturrilha — o principal mecanismo de retorno venosoCaminhada diária de 30–45 minutos; exercícios de flexão plantar sentado quando não puder caminhar
Tratamento imediato de qualquer lesão na peleUma ferida pequena tratada rapidamente não evolui para úlcera. A úlcera começa sempre pequenaCurativo e antisséptico imediato; buscar avaliação médica se não cicatrizar em 7 dias
Controle de peso, diabetes e edema sistêmicoReduz a hipertensão venosa crônica e melhora o ambiente tecidual localAcompanhamento médico regular das comorbidades associadas

Perguntas frequentes sobre úlcera venosa

Por que minha ferida não cicatriza mesmo com curativo correto?

A razão mais comum para uma ferida não cicatrizar apesar de curativos adequados é a persistência da causa subjacente: a hipertensão venosa continua presente, continua destruindo o tecido na mesma velocidade em que o curativo tenta repará-lo. É como tentar enxugar o chão com a torneira aberta. Para a úlcera venosa cicatrizar e permanecer cicatrizada, é imprescindível combinar curativo com compressão eficaz e, idealmente, tratamento da insuficiência venosa subjacente. Outros fatores que impedem a cicatrização: infecção ativa do leito da ferida, desnutrição, diabetes descontrolado, anemia, doença arterial associada não diagnosticada, ou medicamentos que prejudicam a cicatrização (corticosteroides, imunossupressores, hidroxiureia).

Úlcera venosa pode virar câncer?

Embora raro, existe um fenômeno chamado úlcera de Marjolin ou transformação maligna de úlcera crônica: depois de muitos anos de inflamação crônica, pode ocorrer transformação neoplásica das células epidérmicas ao redor da úlcera, gerando um carcinoma espinocelular. Esse risco está classicamente associado a úlceras muito antigas — décadas de evolução sem fechamento. Para úlceras venosas típicas, esse risco existe, mas é baixo. O sinal de alerta é uma úlcera que muda seu aspecto — bordas que se elevam, tornam-se irregulares, vegetantes ou queratósicas, com sangramento fácil ao toque. Qualquer suspeita indica biópsia imediata.

Posso fazer caminhada com úlcera na perna?

Sim — e a caminhada é, na verdade, recomendada. A contração rítmica dos músculos da panturrilha durante a caminhada ativa a bomba muscular venosa, reduz a pressão venosa nos capilares dérmicos e melhora o aporte de oxigênio para a ferida. Estudos mostram que pacientes com úlcera venosa que se mantêm ativos têm taxas de cicatrização melhores do que aqueles em repouso prolongado. A caminhada deve ser feita com o curativo e a compressão adequados, com calçado confortável. Exercícios de alta intensidade ou que causem trauma na área devem ser evitados durante a fase ativa.

Por quanto tempo preciso usar meia de compressão?

Para pacientes com insuficiência venosa crônica e histórico de úlcera venosa, o uso da meia de compressão é, na prática, permanente — enquanto a insuficiência venosa persistir. Mesmo após a cicatrização completa da úlcera e o tratamento das varizes, a pele ao redor do tornozelo — já comprometida pela lipodermatoesclerose — permanece vulnerável. A interrupção do uso da meia é um dos principais fatores de recidiva. Existem meias de conforto mais leves para dias quentes. O investimento em meias de qualidade e o hábito de usá-las diariamente são, junto com o tratamento das veias, a medida preventiva mais eficaz disponível.

Qual médico trata úlcera venosa?

O cirurgião vascular é o especialista mais indicado para o tratamento da úlcera venosa — pois é o médico capacitado para realizar o doppler venoso de mapeamento, planejar e executar o tratamento da insuficiência venosa subjacente (laser, radiofrequência, escleroterapia ou cirurgia) e coordenar o cuidado com a ferida. Enfermeiros especializados em curativos (estomaterapeutas) são parceiros essenciais para o manejo do leito da ferida. Em casos complexos, pode ser necessária equipe multidisciplinar incluindo endocrinologista (diabetes), dermatologista e fisioterapeuta (linfoterapia, exercícios de bomba muscular).

Úlcera venosa e flebite têm relação?

Sim — e é uma relação que observo com frequência no consultório. A flebite (tromboflebite superficial) é mais comum em pacientes com varizes e insuficiência venosa crônica avançada — exatamente o mesmo grupo de risco para a úlcera venosa. Episódios repetidos de flebite agravam progressivamente o dano à parede venosa e às válvulas, acelerando a progressão da insuficiência venosa para os estágios mais graves (C4–C6). Além disso, a trombose venosa profunda — quando deixa sequelas valvulares (síndrome pós-trombótica) — é uma das principais causas de úlcera venosa de origem profunda, de tratamento mais desafiador que as de origem superficial.


🩺 Com ferida que não fecha ou varizes avançadas? Agende avaliação com o Dr. Luís Dotta

Cirurgião vascular e angiologista com mais de 30 anos de experiência em São Paulo. Especialista no tratamento de úlceras venosas, insuficiência venosa crônica, varizes e doenças vasculares. Doppler vascular disponível nas três unidades para avaliação e mapeamento completo do sistema venoso.


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⚖️ Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui, em hipótese alguma, a consulta médica presencial, o diagnóstico ou o tratamento profissional. Cada paciente é único e os resultados de tratamentos podem variar significativamente de acordo com a condição clínica, resposta individual ao tratamento e adesão às orientações médicas. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada da sua condição de saúde.

Dr. Luís Antonio Dotta | CRM 65772/SP | Especialista em Angiologia, Cirurgia Vascular e Cirurgia Cardiovascular
Publicado em março de 2026 · Última revisão: março de 2026 · doutorvarizes.com.br

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