Tipos de Varizes: Classificação Completa e Como Identificar Cada Um
Você sabe que tem varizes, mas não sabe exatamente que tipo? Ou recebeu no laudo um grau da classificação CEAP e quer entender o que significa? Conhecer os tipos de varizes é o primeiro passo para entender por que algumas precisam apenas de acompanhamento, outras de tratamento estético e outras de intervenção médica urgente. Os tipos de varizes variam desde os minúsculos vasinhos superficiais até as grandes varizes tronculares que comprometem a circulação profunda — e cada tipo tem características, riscos e tratamentos distintos.
Neste guia completo vou explicar todos os tipos de varizes, como a classificação de varizes funciona, como identificar visualmente cada um e o que o tratamento envolve.
Por que existem diferentes tipos de varizes?

As varizes surgem quando as válvulas das veias falham — permitindo que o sangue reflua de volta e se acumule, dilatando progressivamente os vasos. Mas nem todas as veias que falham são iguais: dependendo de qual veia é afetada, de qual camada ela está (superficial ou profunda) e de qual calibre tem, o resultado clínico é um tipo de variz diferente — com apresentação, gravidade e tratamento específicos.
A classificação de varizes leva em conta o calibre, a localização e o mecanismo fisiopatológico da dilatação. Entender isso é fundamental para o planejamento do tratamento adequado.
Tipos de varizes pelo calibre: do menor ao maior
1. Telangiectasias (vasinhos)

São o menor dos tipos de varizes — vasos com diâmetro inferior a 1 mm, visíveis como fios muito finos avermelhados, arroxeados ou azulados na superfície da pele. Ficam na camada mais superficial da derme e não têm nenhuma conexão com as veias profundas.
Características das telangiectasias:
- Diâmetro: abaixo de 1 mm
- Cor: vermelho-vivo, roxo ou azulado
- Localização mais comum: coxas, atrás dos joelhos, panturrilhas
- Sintomas: podem causar queimação, coceira e sensação de calor local
- Risco vascular: baixo — não causam trombose profunda
- Tratamento: escleroterapia com agulha fina ou laser de superfície
Este é o tipo de variz mais comum na consulta estética — e o mais tratado por motivação exclusivamente estética. Mas atenção: vasinhos que surgem rapidamente ou em grande quantidade podem indicar insuficiência venosa subjacente que precisa ser investigada com Doppler venoso.
2. Varizes reticulares
As varizes reticulares são um dos tipos de varizes intermediários — veias dilatadas com diâmetro entre 1 e 3 mm, de coloração azulada ou esverdeada, localizadas na camada mais profunda da derme. Não fazem relevo significativo na pele (não são palpáveis), mas são claramente visíveis como uma rede vascular azulada.
Características:
- Diâmetro: 1 a 3 mm
- Cor: azul-esverdeado
- Localização: face lateral da coxa e região poplítea (atrás do joelho)
- Geralmente assintomáticas, mas podem alimentar os vasinhos (telangiectasias)
- Tratamento: escleroterapia — a substância esclerosante é injetada na variz reticular, que ao se fechar também elimina os vasinhos que ela alimentava
Este é o tipo de variz que muitos pacientes não percebem — mas que o especialista identifica no exame e trata antes ou junto com os vasinhos para obter resultado mais duradouro.
3. Varizes tronculares (varizes propriamente ditas)
As varizes tronculares são os tipos de varizes que a maioria das pessoas imagina quando pensa em “varizes” — veias dilatadas, tortuosas, que fazem relevo na pele, palpáveis ao toque, com diâmetro acima de 3 mm. Geralmente se desenvolvem a partir do refluxo nas veias safenas (magna ou parva).
Características:
- Diâmetro: acima de 3 mm (podendo chegar a 1-2 cm nas formas avançadas)
- Aparência: tortuosas, azuladas, fazem relevo visível na pele
- Palpáveis: sim — duras ou amolecidas conforme o grau de dilatação
- Sintomas: pernas pesadas, cansadas, dor, câimbras noturnas, inchaço
- Risco: maior — podem evoluir para tromboflebite, sangramento e úlcera varicosa
- Tratamento: escleroterapia com espuma ecoguiada, laser endovenoso, radiofrequência ou cirurgia
Os tipos de varizes tronculares são os que exigem avaliação e tratamento médico completo — não apenas estético.
Tipos de varizes pela origem: safena magna x safena parva
Outra classificação de varizes importante é pela veia de origem:
Varizes do território da safena magna
A veia safena magna percorre toda a face interna da perna — do tornozelo até a virilha. Quando sua válvula na junção safenofemoral (na virilha) falha, o refluxo desce pela safena e as varizes aparecem na face interna da coxa, da panturrilha e ao redor do tornozelo.
Varizes do território da safena parva
A veia safena parva percorre a face posterior da panturrilha. Quando sua válvula na junção safenopoplítea (atrás do joelho) falha, as varizes aparecem na panturrilha e na parte posterior da perna.
Varizes internas: o que são
As varizes internas — também chamadas de varizes profundas ou não visíveis — são um dos tipos de varizes que não aparecem na pele mas que causam sintomas e alterações detectáveis apenas pelo Doppler venoso. Incluem:
- Insuficiência venosa profunda: refluxo nas veias femorais ou poplíteas — causa edema crônico e síndrome pós-trombótica
- Varizes pélvicas: dilatação das veias ovarianas ou uterinas, que causam dor pélvica crônica em mulheres
- Varize interna da safena: a veia safena pode estar dilatada e com refluxo mesmo sem varizes visíveis externamente — só detectável no Doppler
A varize interna é especialmente traiçoeira porque o paciente sente sintomas (pernas pesadas, inchaço, dor) sem ver varizes visíveis — o que pode atrasar o diagnóstico. É também a causa de recorrência de varizes após tratamento quando não é identificada e tratada.
Classificação CEAP: a classificação oficial de varizes
A classificação de varizes mais utilizada internacionalmente pelos especialistas é a CEAP (Clínica, Etiológica, Anatômica e Fisiopatológica). Do ponto de vista clínico (a letra C), os tipos de varizes são graduados de C0 a C6:
- C0: sem sinais visíveis ou palpáveis de doença venosa
- C1: telangiectasias ou varizes reticulares
- C2: varizes tronculares visíveis
- C2r: varizes recorrentes após tratamento anterior
- C3: edema de origem venosa
- C4a: dermatite ocre (manchas escuras) ou eczema varicoso
- C4b: lipodermatoesclerose (pele endurecida ao redor do tornozelo)
- C4c: corona phlebectatica (vasinhos ao redor do tornozelo)
- C5: úlcera varicosa cicatrizada
- C6: úlcera varicosa ativa
A classificação de varizes CEAP é obrigatória no relatório médico e orienta tanto o tratamento quanto a autorização pelos planos de saúde. Varizes a partir de C4 geralmente têm cobertura para tratamento pelo convênio.
Varizes bilaterais: quando as duas pernas são afetadas
As varizes bilaterais — que afetam ambas as pernas — são comuns e não indicam, por si só, uma condição mais grave do que varizes unilaterais. A maioria das pessoas com varizes bilaterais tem insuficiência das safenas dos dois lados, o que é relativamente frequente.
Entretanto, varizes bilaterais de surgimento súbito ou rapidamente progressivo em ambas as pernas merecem investigação para descartar causas compressivas centrais — como obstrução da veia cava inferior ou compressão ilíaca bilateral (síndrome de May-Thurner bilateral ou variante).
O tratamento das varizes bilaterais segue o mesmo princípio das unilaterais, mas pode ser feito em etapas — tratando uma perna por vez para melhor controle e recuperação.
Varizes e vasos: qual a diferença?
Na linguagem popular, “varizes e vasos” são muitas vezes usados como sinônimos — mas tecnicamente existe uma diferença entre os tipos de varizes e os vasinhos:
- Vasos (vasinhos/telangiectasias): diâmetro abaixo de 1 mm, capilares dilatados, superficiais, geralmente avermelhados ou arroxeados
- Varizes reticulares: 1 a 3 mm, mais profundas, azuladas
- Varizes propriamente ditas: acima de 3 mm, palpáveis, tortuosas
Na prática clínica, “varizes e vasos” coexistem frequentemente — e o tratamento dos vasinhos sem investigar a origem venosa mais profunda é uma das principais causas de recorrência precoce.
Tipos de varizes fotos: como reconhecer visualmente
Embora não seja possível mostrar fotos de antes e depois (vedado pelo CFM), a identificação visual dos tipos de varizes fotos pode ser descrita:
- Telangiectasias: fios muito finos, avermelhados ou arroxeados, formando padrões em “leque” ou “aranha”
- Varizes reticulares: rede azulada sob a pele, sem relevo, especialmente atrás do joelho
- Varizes tronculares: veias azuladas tortuosas que se destacam da pele, formando “cordões” visíveis
- Varizes em estágio avançado (C4-C6): manchas escuras ao redor do tornozelo, pele endurecida, feridas que não cicatrizam
Qual tipo de variz você tem?
A identificação correta dos tipos de varizes exige avaliação clínica presencial — o médico examina as pernas em pé, avalia a distribuição e o calibre das varizes, e realiza ou solicita Doppler venoso para mapear o refluxo. A automedicação e o tratamento sem diagnóstico adequado são as maiores causas de recorrência e insatisfação com o tratamento de varizes.
→ Varizes nas Pernas: Sintomas Iniciais e Como Identificar
→ Escleroterapia: Como Funciona o Tratamento
→ Doppler Vascular: O Que É e Para Que Serve
Identifique seu tipo de variz com especialista em SP
O Dr. Luís Dotta (CRM 65772/SP – RQE 28296) avalia e classifica todos os tipos de varizes com Doppler venoso em três unidades em São Paulo:
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