TVP: O Que É, CID, Sintomas e Diagnóstico da Trombose Venosa Profunda
A sigla TVP aparece em exames, laudos e receitas médicas — mas o que significa exatamente? TVP é a abreviação de Trombose Venosa Profunda, uma condição em que um coágulo de sangue (trombo) se forma dentro de uma veia profunda, geralmente nos membros inferiores. É uma das condições vasculares mais importantes por seu potencial de complicações graves, especialmente a embolia pulmonar, e por isso merece ser compreendida com clareza.
Neste artigo vou explicar o que é a TVP, qual é o seu CID (Classificação Internacional de Doenças), como ela se manifesta, como é diagnosticada, quem tem mais risco e como o tratamento é conduzido.
O que é TVP (Trombose Venosa Profunda)?

A TVP é a formação de um coágulo sanguíneo dentro de uma veia do sistema venoso profundo — as veias que ficam no interior dos músculos, em oposição às veias superficiais (que ficam logo abaixo da pele e formam as varizes quando dilatadas). Nos membros inferiores, as principais veias profundas afetadas são as veias da panturrilha (tibiais, fibular), a veia poplítea (atrás do joelho), as veias femorais (na coxa) e a veia ilíaca (na pelve).
O coágulo formado pode crescer, bloquear parcial ou totalmente o fluxo de sangue nessa veia, e — o risco mais temido — se desprender e viajar pela corrente sanguínea até os pulmões, causando a embolia pulmonar, uma emergência médica potencialmente fatal.
TVP: qual o CID-10?
O CID-10 (Código Internacional de Doenças, décima revisão) é o sistema usado mundialmente para classificar diagnósticos. Para a TVP, os códigos mais utilizados são:
- I80.2 — Flebite e tromboflebite de outras veias profundas dos membros inferiores (o código mais frequentemente usado para TVP de membro inferior)
- I80.0 — Flebite e tromboflebite dos vasos superficiais dos membros inferiores
- I80.1 — Flebite e tromboflebite da veia femoral
- I80.3 — Flebite e tromboflebite dos membros inferiores, não especificada
- I82.4 — Trombose venosa aguda de veias profundas (usado em alguns contextos específicos)
Na prática, o médico responsável pelo diagnóstico define qual código CID-10 é mais adequado para o caso específico, com base na localização e extensão da trombose identificada no Doppler. O CID é importante para a comunicação com convênios, afastamentos do trabalho e registros médicos.
Por que a TVP acontece? A tríade de Virchow

Em medicina vascular, aprendemos desde cedo sobre a tríade de Virchow: três fatores que, isolados ou combinados, explicam a grande maioria dos casos de trombose venosa. São eles:
- Estase venosa (sangue “parado”): quando o sangue flui mais lentamente do que deveria pelas veias, seja por imobilidade, compressão ou insuficiência cardíaca
- Hipercoagulabilidade (sangue com maior tendência a coagular): pode ser por causa de medicamentos (como anticoncepcionais com estrogênio), condições genéticas de trombofilia, câncer, gravidez, entre outros
- Lesão da parede venosa: traumas, cirurgias, infecções ou inflamações que danificam o endotélio (revestimento interno) da veia
Compreender qual fator ou combinação de fatores está presente em cada paciente é fundamental para o tratamento correto e para a prevenção de recorrências.
Fatores de risco para TVP
Diversos fatores aumentam o risco de desenvolvimento de TVP:
- Imobilidade prolongada: viagens longas de avião ou ônibus, internações hospitalares, uso de gesso
- Cirurgias recentes: especialmente ortopédicas (quadril, joelho) e abdominais de grande porte
- Câncer e tratamentos oncológicos: alguns tumores e quimioterápicos aumentam a coagulabilidade
- Anticoncepcionais hormonais combinados (com estrogênio)
- Gravidez e puerpério (período pós-parto)
- Histórico pessoal ou familiar de TVP ou embolia pulmonar
- Trombofilias hereditárias (Fator V de Leiden, deficiência de proteína C ou S, etc.)
- Obesidade
- Tabagismo
- Idade avançada
- Insuficiência cardíaca ou respiratória
- Doença inflamatória intestinal
Sintomas da TVP: como identificar
A TVP pode ser silenciosa — especialmente nas fases iniciais ou quando acomete veias de menor calibre — mas quando sintomática, os sinais mais frequentes são:
- Dor na panturrilha, frequentemente descrita como aperto, cãimbra ou sensação de peso que não melhora com o repouso
- Inchaço da perna afetada, geralmente assimétrico (uma perna nitidamente mais inchada que a outra)
- Vermelhidão e aumento de temperatura local na perna afetada
- Dor que piora ao flexionar o pé para cima (em direção à canela) — sinal de Homans, pouco específico mas frequentemente presente
- Sensação de peso ou “endurecimento” na musculatura da panturrilha
- Veias superficiais dilatadas e visíveis como forma de circulação colateral
Um ponto que faço questão de reforçar com meus pacientes: a TVP pode ter apresentação muito discreta, com apenas uma sensação de “desconforto” na panturrilha. Não espere uma dor intensa e incapacitante para buscar avaliação — especialmente se houver fatores de risco presentes.
Quando suspeitar de TVP: sinais de alerta
Alguns sinais aumentam significativamente a suspeita clínica de TVP e justificam avaliação médica com urgência:
- Inchaço súbito e assimétrico de uma perna, sem explicação clara
- Dor na panturrilha após período de imobilidade (viagem longa, cirurgia, internação)
- Dor e inchaço na perna em usuária de anticoncepcional hormonal
- Dor e inchaço na perna durante a gravidez ou no pós-parto
- Sinais de possível embolia pulmonar associados: falta de ar, dor no peito, tosse — nesse caso, atendimento de emergência imediato
Como é feito o diagnóstico da TVP
O diagnóstico da TVP combina avaliação clínica (história e exame físico), ferramentas de estratificação de risco e exames complementares:
Escore de Wells
O escore de Wells é uma ferramenta clínica validada que pontua a probabilidade pré-teste de TVP com base em achados clínicos (sinais e fatores de risco presentes). Ele ajuda o médico a decidir se o paciente precisa de investigação imediata com Doppler ou se pode ter a TVP descartada com exame de D-dímero.
D-dímero
O D-dímero é um exame de sangue que mede fragmentos de coágulos em dissolução. É muito sensível para TVP — um resultado negativo, em pacientes de baixa probabilidade clínica, praticamente descarta o diagnóstico. Porém, é pouco específico: pode estar elevado em muitas outras condições (infecções, gravidez, cirurgias recentes, câncer), por isso não pode ser usado isoladamente para confirmar TVP.
Doppler venoso (ultrassonografia com Doppler)
É o exame padrão para o diagnóstico de TVP. Não invasivo, rápido e amplamente disponível, o Doppler venoso visualiza as veias profundas, identifica a presença, localização e extensão do coágulo, e avalia o fluxo sanguíneo. É o exame que confirma ou descarta o diagnóstico na grande maioria dos casos.
Outros exames de imagem
Em situações específicas — como TVP em veias de difícil visualização pelo Doppler (veias ilíacas, cava), ou quando há suspeita de embolia pulmonar — outros exames podem ser indicados, como a angiotomografia ou a angiorressonância.
Tratamento da TVP
O tratamento da TVP tem três objetivos principais: evitar que o coágulo cresça, prevenir a embolia pulmonar, e reduzir o risco de síndrome pós-trombótica (sequela crônica da TVP).
Anticoagulação
É o pilar do tratamento. Os anticoagulantes (popularmente chamados de “remédios para afinar o sangue”) não dissolvem o coágulo diretamente, mas impedem seu crescimento e permitem que o próprio organismo o dissolva ao longo do tempo. As opções incluem:
- Anticoagulantes orais diretos (DOACs): como rivaroxabana e apixabana — opção preferida na maioria dos casos atualmente, por praticidade e segurança
- Varfarina: anticoagulante oral mais antigo, que requer monitoramento periódico (INR)
- Heparinas de baixo peso molecular: administradas por injeção subcutânea, frequentemente usadas na fase inicial ou em situações específicas (gravidez, câncer)
O tempo de anticoagulação varia de 3 meses a indefinido, dependendo da causa identificada, da localização da trombose e do risco de recorrência — decisão individualizada pelo médico responsável.
Meia de compressão
O uso de meia de compressão elástica após TVP é indicado por muitos especialistas para reduzir o risco de síndrome pós-trombótica — condição crônica caracterizada por dor, inchaço persistente e alterações de pele na perna afetada que pode se desenvolver meses a anos após o episódio de TVP.
Trombólise e procedimentos
Em casos selecionados de TVP extensa, especialmente de grandes veias (ilíaco-femorais), pode-se considerar procedimentos mais agressivos para dissolução do coágulo (trombólise farmacológica ou mecânica), sempre avaliando o risco-benefício individual. São decisões tomadas em centros especializados.
Síndrome pós-trombótica: a sequela que pode persistir
Uma das consequências mais relevantes da TVP que pouco se discute na mídia é a síndrome pós-trombótica: um conjunto de sintomas crônicos (dor, inchaço, sensação de peso, alterações de pele e, em casos graves, úlceras) que podem se desenvolver na perna afetada meses a anos após o episódio de TVP, mesmo com tratamento correto. Ocorre porque o coágulo danifica as válvulas venosas, levando a uma insuficiência venosa secundária.
Por isso, o acompanhamento após o episódio de TVP é tão importante quanto o tratamento agudo: garantir a resolução adequada do coágulo, monitorar a síndrome pós-trombótica e adotar medidas preventivas (como a meia de compressão) fazem parte do cuidado de longo prazo.
Como prevenir a TVP
A prevenção da TVP (chamada de tromboprofilaxia) é especialmente importante em situações de risco elevado:
- Em viagens longas: mover as pernas regularmente, fazer paradas para caminhar, usar meia de compressão quando indicado, manter boa hidratação
- Em cirurgias e internações: a equipe médica geralmente prescreve heparina profilática e incentiva a mobilização precoce
- Em gestantes com fatores de risco: acompanhamento obstétrico e vascular conjunto
- Em usuárias de anticoncepcionais com fatores de risco: avaliação individualizada do método mais seguro
Suspeita de TVP? Agende avaliação com Doppler
O Dr. Luís Dotta (CRM 65772/SP – RQE 28296) realiza avaliação clínica e Doppler venoso para diagnóstico e acompanhamento da TVP em três unidades em São Paulo:
📍 Lapa – WhatsApp 📍 Vila Maria – WhatsApp 📍 Santo Amaro – WhatsApp

Perguntas Frequentes
TVP é a mesma coisa que trombose?
TVP (Trombose Venosa Profunda) é um tipo específico de trombose — a formação de coágulo nas veias profundas, geralmente dos membros inferiores. “Trombose” é o termo geral para formação de coágulo em qualquer vaso.
Qual o CID da TVP?
O código CID-10 mais utilizado para TVP de membro inferior é o I80.2 (flebite e tromboflebite de outras veias profundas dos membros inferiores). O médico define o código mais adequado com base na localização e extensão identificadas no exame.
TVP mata?
A TVP em si raramente é fatal, mas sua principal complicação — a embolia pulmonar — pode ser. Um coágulo que se desprende da veia e vai para os pulmões pode causar uma emergência grave. Por isso o diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais.
Como saber se tenho TVP?
Os sinais mais comuns são inchaço assimétrico de uma perna, dor na panturrilha e vermelhidão/calor local. O diagnóstico é confirmado pelo Doppler venoso. Se você tem fatores de risco e esses sintomas, busque avaliação médica.
Quanto tempo leva o tratamento da TVP?
O tempo mínimo de anticoagulação costuma ser 3 meses, podendo ser estendido a 6 meses, 1 ano ou indefinidamente, dependendo da causa e do risco de recorrência — decisão individualizada pelo médico.
TVP deixa sequelas?
Sim, pode. A síndrome pós-trombótica — com dor crônica, inchaço persistente e alterações de pele — pode se desenvolver na perna afetada meses a anos após o episódio, mesmo com tratamento correto.
Qual médico trata TVP?
O cirurgião vascular e angiologista é o especialista principal para diagnóstico, tratamento e acompanhamento da TVP.
TVP pode ser diagnosticada por exame de sangue?
O D-dímero (exame de sangue) pode ajudar a descartar TVP em pacientes de baixo risco clínico, mas o diagnóstico de confirmação é feito pelo Doppler venoso.
Posso me movimentar com TVP?
Sim, em geral a mobilização é encorajada. A recomendação de repouso absoluto é cada vez menos adotada. Siga as orientações específicas do seu médico conforme a extensão e localização da trombose.
TVP em gravidez tem tratamento diferente?
Sim — os anticoagulantes orais diretos e a varfarina não são recomendados na gravidez. A heparina de baixo peso molecular é a opção de escolha nesse contexto, com monitoramento conjunto entre obstetra e cirurgião vascular.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui, em hipótese alguma, a consulta médica presencial, o diagnóstico ou o tratamento profissional. Cada paciente é único e os resultados podem variar significativamente. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada da sua condição de saúde.
Dr. Luís Antonio Dotta — CRM-SP 65772 / RQE 28296. Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular.









