Dermatite Ocre: por que aparecem manchas escuras nas pernas e o que fazer
Ao longo de mais de trinta anos atendendo pacientes com doenças vasculares em São Paulo, uma das situações que mais me preocupa é quando alguém chega ao consultório com manchas escuras nas pernas e me diz que está esperando há meses para entender o que é. A dermatite ocre é um desses sinais que o corpo manda com antecedência — é um aviso de que a circulação venosa das pernas está comprometida há tempo suficiente para deixar marcas na pele. E quando a pele começa a mudar, o próximo passo pode ser uma ferida que não cicatriza.
Se você tem manchas acastanhadas, avermelhadas ou roxas nas pernas — especialmente próximas ao tornozelo — este artigo vai explicar o que está acontecendo, por que acontece e o que precisa ser feito.
O que é dermatite ocre?
A dermatite ocre é uma alteração da pele causada pelo acúmulo de hemossiderina — uma proteína derivada da degradação da hemoglobina — nos tecidos da derme. Em linguagem mais direta: é quando o sangue vaza dos capilares para dentro da pele e, ao se degradar, deixa um pigmento escuro permanente.
A palavra “ocre” se refere à cor característica dessas manchas: um tom amarronzado, ferrugem, que varia do marrom-amarelado ao roxo-escuro dependendo do estágio e da quantidade de hemossiderina depositada. As manchas aparecem principalmente na região do terço inferior da perna — entre o joelho e o tornozelo — e ao redor do tornozelo, exatamente onde a pressão venosa é maior.
A dermatite ocre não é uma doença isolada — ela é uma consequência da insuficiência venosa crônica não tratada ou subtratada. É um sinal de que as veias das pernas estão falhando há tempo considerável e que o tecido está pagando o preço.

Por que as manchas escuras aparecem nas pernas?
Para entender a dermatite ocre, preciso explicar o que acontece dentro das veias de quem tem insuficiência venosa crônica.
As veias das pernas possuem válvulas internas que funcionam como comportas: abrem para o sangue subir em direção ao coração e fecham para que ele não desça de volta. Quando essas válvulas enfraquecem — seja por genética, gravidez, obesidade, longos períodos em pé ou sedentarismo — o sangue começa a “refluxar” e se acumular nas veias das pernas. Essa pressão aumentada dentro dos vasos é chamada de hipertensão venosa.
Com a pressão crônica elevada, as paredes dos capilares se tornam mais permeáveis. Glóbulos vermelhos começam a vazar para fora dos vasos e entrar no tecido cutâneo. O sistema imunológico tenta limpar esse extravasamento, decompondo a hemoglobina dos glóbulos vermelhos. O resultado dessa decomposição é a hemossiderina — um pigmento acastanhado de ferro que fica depositado permanentemente na pele.
É exatamente como a ferrugem em metal: o ferro do sangue oxida e deixa a marca. Por isso a mancha tem aquela cor característica de ferrugem ou terra.
Por que as manchas aparecem mais perto do tornozelo?
Pela física da gravidade. A pressão venosa é maior nas partes mais baixas do corpo — e os tornozelos são o ponto de maior pressão hidrostática nas pernas. É onde o sangue refluxado se acumula mais, onde a hipertensão venosa é mais intensa e onde, portanto, o extravasamento de glóbulos vermelhos acontece primeiro e com mais intensidade.
Quais os sintomas da dermatite ocre?
A dermatite ocre se desenvolve de forma gradual — raramente aparece de um dia para o outro. No consultório, costumo ver o seguinte padrão de progressão:
| Estágio | O que aparece na pele | O que o paciente sente |
|---|---|---|
| Inicial | Manchas avermelhadas ou roxo-acastanhadas discretas, especialmente ao redor do tornozelo. Pele levemente ressecada na região | Coceira local, sensação de queimação, pele “diferente” ao toque. Muitos não percebem ainda |
| Intermediário | Manchas mais extensas, cor marrom-ferrugem evidente, pele começa a engroçar discretamente. Possível descamação | Coceira mais frequente, ardência, sensação de peso. Inchaço associado quase sempre presente |
| Avançado (lipodermatoesclerose) | Pele muito endurecida, fibrótica, com manchas escuras extensas. A perna adquire formato de “garrafa invertida” — fina no tornozelo, mais larga acima | Dor constante, dificuldade de mobilidade do tornozelo, pele extremamente frágil. Alto risco de úlcera |
Outros sinais e sintomas frequentemente associados à dermatite ocre:
- Varizes visíveis nas pernas (presentes em grande parte dos casos, mas não obrigatoriamente)
- Inchaço nas pernas, especialmente ao final do dia
- Dor nas pernas — peso, cansaço, queimação
- Coceira intensa na área manchada (prurido)
- Pele ressecada, descamativa ou com pequenas crostas na região afetada
- Histórico de flebite ou trombose prévia
Dermatite ocre e lipodermatoesclerose: qual a diferença?
Essa é uma distinção importante que faço no consultório com frequência.
A dermatite ocre é a alteração de pigmentação — as manchas escuras causadas pelo depósito de hemossiderina. É o sinal mais precoce de dano cutâneo por insuficiência venosa.
A lipodermatoesclerose é um estágio mais avançado, onde além da pigmentação, ocorre fibrose e endurecimento progressivo do tecido gorduroso subcutâneo e da pele. A inflamação crônica causada pelo extravasamento de sangue e pela hipertensão venosa transforma o tecido em uma espécie de cicatriz endurecida. A perna perde flexibilidade, a pele fica presa ao tecido mais profundo e a circulação local fica ainda mais comprometida.
Na prática clínica, dermatite ocre e lipodermatoesclerose frequentemente coexistem — a lipodermatoesclerose é, em parte, a evolução natural da dermatite ocre não tratada. Ambas sinalizam o mesmo problema de fundo: insuficiência venosa crônica avançada.
Qual o risco de não tratar a dermatite ocre?
Esta é a pergunta mais importante — e a resposta precisa ser direta.
A dermatite ocre é um sinal de alarme de que a pele está em território de risco. A pele pigmentada, endurecida e com microcirculação comprometida tem capacidade muito reduzida de se recuperar de traumas. Qualquer lesão pequena — um arranhão de gato, uma picada de inseto, um impacto leve contra um móvel — pode evoluir para uma úlcera venosa: uma ferida aberta que, diferentemente de um corte comum, não cicatriza sozinha.
As úlceras venosas são crônicas, dolorosas, de difícil tratamento e com alto índice de recidiva. São responsáveis por um impacto enorme na qualidade de vida — dores constantes, curativos frequentes, limitação de atividades. Muitos pacientes convivem com elas por anos.
Outro risco é a erisipela de repetição. A pele comprometida pela dermatite ocre e pela lipodermatoesclerose é uma porta de entrada facilitada para bactérias. A erisipela — infecção bacteriana grave da pele e do tecido subcutâneo — é muito mais frequente em pernas com insuficiência venosa crônica avançada. E cada episódio de erisipela danifica mais o sistema linfático, podendo levar ao linfedema secundário.
Em resumo: dermatite ocre sem tratamento da causa venosa tende a progredir para lipodermatoesclerose, depois úlcera, depois infecções de repetição. O tratamento precoce interrompe esse ciclo.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da dermatite ocre é essencialmente clínico — feito pela combinação da aparência característica das manchas, da localização típica (terço inferior da perna e tornozelo) e da história de insuficiência venosa. Um médico experiente reconhece a dermatite ocre no exame físico.
O exame complementar fundamental é o ultrassom com Doppler venoso dos membros inferiores. Ele mapeia o sistema venoso superficial e profundo, identifica onde estão as válvulas incompetentes, quantifica o refluxo e orienta o planejamento do tratamento. Sem o Doppler, tratar a dermatite ocre sem tratar a causa venosa é como pintar sobre mofo — a mancha volta.
Em casos de dúvida diagnóstica — especialmente para diferenciar de outras causas de manchas nas pernas como eczema, vasculite, pigmentação pós-inflamatória ou melanodermia — pode ser necessária avaliação dermatológica complementar, eventualmente com biópsia de pele.
O que diferencia a dermatite ocre de outras manchas nas pernas?
| Tipo de mancha | Localização típica | Características | Causa |
|---|---|---|---|
| Dermatite ocre | Tornozelo e terço inferior da perna | Cor marrom-ferrugem, bilateral, associada a varizes e inchaço | Insuficiência venosa crônica |
| Hematoma / Equimose | Qualquer área, geralmente após trauma | Roxa/azulada, muda de cor progressivamente, desaparece em dias | Trauma, coagulopatia, medicamentos |
| Mancha por erisipela prévia | Qualquer parte da perna | Hiperpigmentação pós-inflamatória após infecção | Sequela de erisipela |
| Vasculite cutânea | Pernas, tornozelos | Manchas palpáveis, púrpura, pode ter úlceras pequenas | Inflamação vascular autoimune |
| Eczema de estase | Tornozelos, terço inferior | Vermelhidão, descamação, coceira intensa — pode coexistir com dermatite ocre | Insuficiência venosa + irritação cutânea |
Como tratar a dermatite ocre?
O tratamento da dermatite ocre tem dois objetivos distintos que precisam ser perseguidos simultaneamente: controlar os sintomas cutâneos (a coceira, a inflamação local, o ressecamento) e, fundamentalmente, tratar a causa venosa que originou tudo. Focar apenas na pele sem tratar a insuficiência venosa é ineficaz — as manchas tendem a piorar e o risco de úlcera permanece.
1. Tratamento da insuficiência venosa — a base de tudo
Sem controlar a hipertensão venosa, nenhum tratamento da pele é duradouro. As opções para o tratamento venoso dependem da gravidade identificada no Doppler e incluem:
- Terapia de compressão: meias ou bandagens de compressão gradiente — é a base do tratamento conservador e reduz diretamente a pressão nas veias superficiais
- Escleroterapia: injeção de substância esclerosante nas veias doentes, obliterando-as
- Ablação endovenosa a laser ou radiofrequência: fechamento das veias incompetentes por energia térmica, sem necessidade de cirurgia aberta
- Flebectomia: retirada cirúrgica das varizes, indicada em casos selecionados
A escolha entre essas modalidades é individual — depende da extensão da doença, dos achados no Doppler, das condições clínicas do paciente e da avaliação do cirurgião vascular. Cada caso é planejado de forma personalizada.
2. Cuidados com a pele afetada
Enquanto o tratamento venoso é conduzido, alguns cuidados com a pele ajudam a controlar os sintomas e reduzir o risco de complicações:
- Hidratação diária: cremes emolientes sem perfume, aplicados com cuidado na área afetada, reduzem o ressecamento e a descamação — que são portas de entrada para infecções
- Corticoides tópicos de baixa potência: podem ser prescritos pelo médico para controle da inflamação e da coceira nos períodos de exacerbação. Uso por tempo limitado e sempre com orientação médica
- Evitar trauma na região: a pele com dermatite ocre é frágil. Cuidado com roupas com elásticos apertados, calçados que roçam no tornozelo, e qualquer situação que possa causar lesão
- Não coçar: a coceira é intensa, mas o ato de coçar na pele comprometida pode romper a barreira cutânea e iniciar uma úlcera ou uma infecção
- Proteção solar: a radiação UV pode escurecer ainda mais a pigmentação na área afetada
3. As manchas somem com o tratamento?
Esta é uma das perguntas mais frequentes no consultório — e a resposta honesta é: parcialmente, e com tempo.
A hemossiderina depositada na pele é um pigmento bastante estável. Com o tratamento correto da insuficiência venosa e o controle da hipertensão venosa, a progressão das manchas para — e em alguns casos a pigmentação clareia gradualmente ao longo de meses ou anos. Mas manchas muito antigas e estabelecidas tendem a ser permanentes ou a clarear muito pouco.
O objetivo principal do tratamento não é estético — é prevenir a progressão para lipodermatoesclerose e úlcera venosa. Tratar cedo, mesmo que as manchas não desapareçam completamente, é o que evita complicações graves.
Manchas roxas nas pernas que não são dermatite ocre
Nem toda mancha roxa ou escura na perna é dermatite ocre. É importante não fazer autodiagnóstico — algumas dessas manchas podem ter causas que exigem abordagem muito diferente.
Hematoma e equimose
O hematoma é o acúmulo de sangue fora dos vasos dentro dos tecidos — o que chamamos popularmente de “machucado” ou “roxo”. A equimose é o extravasamento de sangue para a pele sem forma definida, resultando na mancha roxa na pele conhecida como “pisão”. Ambos têm causa diferente da dermatite ocre: geralmente trauma, fragilidade capilar por medicamentos (anticoagulantes, corticoides, AAS) ou distúrbios de coagulação.
A principal diferença prática: o hematoma e a equimose aparecem de forma aguda, mudam de cor ao longo de dias (roxa → verde → amarela) e desaparecem completamente. A dermatite ocre se instala progressivamente, tem cor marrom-ferrugem característica e não desaparece espontaneamente.
Manchas roxas no corpo que surgem espontaneamente
Equimoses que surgem sem trauma aparente — especialmente em pessoas mais velhas ou que usam anticoagulantes — merecem avaliação médica. Podem indicar fragilidade capilar senil (muito comum e benigna), efeito de medicamentos, deficiências vitamínicas (especialmente vitamina C e vitamina K) ou, mais raramente, distúrbios da coagulação que precisam de investigação.
Vasculite cutânea
A vasculite é a inflamação dos próprios vasos sanguíneos, geralmente por causa autoimune. Na pele, pode se manifestar como manchas roxo-avermelhadas palpáveis (púrpura palpável), úlceras, nódulos ou lesões reticuladas. Diferente da dermatite ocre, a vasculite costuma se associar a outros sintomas sistêmicos e requer investigação reumatológica.
Perguntas Frequentes sobre Dermatite Ocre
Dermatite ocre tem cura?
A pigmentação estabelecida pela dermatite ocre é, em grande parte, permanente — o depósito de hemossiderina na pele não se dissolve completamente. No entanto, com o tratamento correto da insuficiência venosa, a progressão para e as manchas podem clarear parcialmente ao longo do tempo. O mais importante é que o tratamento previne as complicações graves: lipodermatoesclerose, úlcera venosa e infecções de repetição.
Dermatite ocre é contagiosa?
Não. A dermatite ocre é uma alteração da pele causada por um processo interno — o extravasamento de sangue decorrente da hipertensão venosa. Não envolve vírus, bactérias ou fungos. Não é transmissível de forma alguma.
Posso usar creme clareador nas manchas da dermatite ocre?
Cremes clareadores convencionais (com hidroquinona, ácido kójico, vitamina C) têm eficácia muito limitada na dermatite ocre porque a pigmentação não é por melanina — é por hemossiderina, um pigmento completamente diferente. Aplicar clareadores sem tratar a causa venosa é ineficaz e pode irritar uma pele já fragilizada. Converse com seu médico antes de usar qualquer produto na área afetada.
A dermatite ocre piora se eu ficar muito tempo em pé?
Sim. Longos períodos em pé ou sentado aumentam a pressão hidrostática nas veias das pernas, piorando o refluxo venoso e o extravasamento de sangue para os tecidos. Ao longo do tempo, isso acelera a progressão das manchas e da lipodermatoesclerose. Quem tem trabalho que exige longos períodos em pé deve priorizar o uso de meias de compressão durante a jornada de trabalho e fazer pausas regulares para movimentar as pernas.
Qual médico tratar a dermatite ocre?
O cirurgião vascular e angiologista é o especialista mais indicado — pois a dermatite ocre é uma consequência da insuficiência venosa crônica, que é a área de atuação central desse especialista. O vascular solicita e interpreta o Doppler venoso, trata as varizes e a insuficiência venosa subjacente, e prescreve a compressão adequada. Em casos com inflamação ativa ou eczema intenso, pode ser necessária avaliação dermatológica complementar para o manejo da pele.
Dermatite ocre aparece sem ter varizes?
É incomum, mas pode acontecer. As varizes são a manifestação mais visível da insuficiência venosa, mas a doença venosa pode existir em veias profundas sem que varizes superficiais apareçam — especialmente após trombose venosa profunda prévia, que pode danificar as válvulas das veias profundas (síndrome pós-trombótica). Portanto, ausência de varizes visíveis não exclui insuficiência venosa. O Doppler é o exame que determina com precisão o que está acontecendo no sistema venoso.
A coceira da dermatite ocre tem tratamento?
Sim. O prurido (coceira) da dermatite ocre tem duas origens: a inflamação local do tecido e o ressecamento da pele afetada. O tratamento inclui hidratação diária com emolientes sem perfume, corticoides tópicos de baixa potência nos períodos de exacerbação (sob orientação médica), e — fundamentalmente — o controle da insuficiência venosa, que reduz a inflamação local ao diminuir a hipertensão venosa. Anti-histamínicos orais podem ajudar no alívio sintomático, mas não tratam a causa.
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Cirurgião vascular e angiologista com mais de 30 anos de experiência em São Paulo. Especialista no tratamento de úlceras venosas, insuficiência venosa crônica, varizes e doenças vasculares. Doppler vascular disponível nas três unidades para avaliação e mapeamento completo do sistema venoso.
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⚖️ Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui, em hipótese alguma, a consulta médica presencial, o diagnóstico ou o tratamento profissional. Cada paciente é único e os resultados de tratamentos podem variar significativamente de acordo com a condição clínica, resposta individual ao tratamento e adesão às orientações médicas. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada da sua condição de saúde.
Dr. Luís Antonio Dotta | CRM 65772/SP | RQE 28296 | Especialista em Angiologia, Cirurgia Vascular e Cirurgia Cardiovascular
Publicado em Abril de 2026 · Última revisão: Abril de 2026 · doutorvarizes.com.br