Pernas com varizes — tratamento cirúrgico e escleroterapia pelo Dr. Luís Dotta em São Paulo

Classificação CEAP das Varizes: do C0 ao C6 — CID-10 e o que cada grau significa

Quando o médico diz “você está com CEAP C3” ou “suas varizes são grau C4b”, pode parecer código. Mas a classificação CEAP das varizes é uma das ferramentas mais úteis que existem para o paciente entender a gravidade da sua condição — e para o médico planejar o tratamento correto. Desenvolvida pelo American Venous Forum em 1994 e revisada em 2004 e 2020, a classificação CEAP das varizes é o padrão internacional adotado por todos os cirurgiões vasculares e angiologistas do mundo.

Neste artigo explico em detalhes o que é a classificação CEAP das varizes, o que cada letra e número significa, como ela orienta o tratamento, quando os convênios exigem essa documentação para autorizar cirurgia ou escleroterapia — e também apresento os códigos CID-10 das varizes, que aparecem nos laudos médicos e pedidos de autorização.


O que é a Classificação CEAP das Varizes

A classificação CEAP das varizes é um sistema de estadiamento da doença venosa crônica dos membros inferiores. O nome CEAP é um acrônimo das quatro dimensões que a classificação CEAP das varizes avalia:

  • C — Clinical (Clínico): o que o médico vê e examina nas pernas — do nível mais leve ao mais grave
  • E — Etiological (Etiológico): a causa das varizes — congênita, primária ou secundária
  • A — Anatomical (Anatômico): quais veias estão afetadas — superficiais, profundas ou perfurantes
  • P — Pathophysiological (Fisiopatológico): o mecanismo — refluxo, obstrução ou ambos

A parte mais utilizada na prática clínica da classificação CEAP das varizes é o componente C — a classificação clínica que vai de C0 a C6. É ela que aparece nos laudos médicos, pedidos de autorização de convênio e relatórios de Doppler.


Classificação CEAP das Varizes — Componente C: do C0 ao C6

Grau CEAPAchado clínicoO que o paciente percebeRisco de progressão
C0Sem sinais visíveis ou palpáveis de doença venosaPode ter sintomas (dor, peso) sem alteração visível — CEAP C0s com sintomas é doença venosa realBaixo se tratado
C1Telangiectasias (vasinhos) ou veias reticularesVasinhos finos vermelhos, roxos ou azuis em teia de aranhaBaixo, pode progredir
C2Varizes — veias dilatadas acima de 3mmVeias salientes, tortuosas, visíveis e palpáveisModerado — tratamento indicado
C3Edema venoso (sem alterações de pele)Inchaço nos tornozelos e pés que piora ao longo do dia e melhora ao deitarModerado-alto
C4aPigmentação ou eczema venosoManchas acastanhadas (dermatite ocre) ou pele inflamada ao redor das varizesAlto — risco de úlcera
C4bLipodermatoesclerose ou atrofia brancaPele endurecida e retraída; manchas brancas com bordas escuras (atrophie blanche)Muito alto — tratar urgente
C4cCorona phlebectaticaVasinhos em leque azulados na face interna do tornozelo — sinal específico de hipertensão venosaAlto — sinal de alerta
C5Úlcera venosa cicatrizadaFerida que fechou — risco de reabertura, especialmente sem tratamento das varizesMuito alto — manutenção obrigatória
C6Úlcera venosa ativaFerida aberta na perna — manifestação mais grave da insuficiência venosa crônica. Exige tratamento imediatoMáximo

Os Sufixos da Classificação CEAP das Varizes: “s” e “a”

Cada grau da classificação CEAP das varizes recebe um sufixo que indica a presença ou ausência de sintomas:

  • “s” (symptomatic): o paciente tem sintomas — dor, peso, ardência, câimbras, prurido. Ex: C2s = varizes com sintomas
  • “a” (asymptomatic): sem sintomas. Ex: C2a = varizes visíveis mas sem dor ou desconforto

Na prática da classificação CEAP das varizes, o sufixo “s” frequentemente inclina a indicação de tratamento — varizes sintomáticas têm indicação mais clara de tratamento ativo do que as assintomáticas.


Componente E da Classificação CEAP das Varizes — Etiológico

O componente E da classificação CEAP das varizes classifica a causa da doença venosa:

  • Ec (congênita): presente ao nascimento — malformações venosas congênitas
  • Ep (primária): sem causa identificável — a causa mais comum da classificação CEAP das varizes. Varizes de origem genética/constitucional sem episódio trombótico prévio
  • Es (secundária): causada por evento identificável — trombose venosa profunda prévia (síndrome pós-trombótica), trauma, cirurgia. A classificação CEAP das varizes como Es indica doença frequentemente mais complexa
  • En: etiologia não identificada

Componente A da Classificação CEAP das Varizes — Anatômico

O componente A da classificação CEAP das varizes identifica quais veias estão afetadas — informação obtida principalmente pelo Doppler venoso:

  • As (superficial): varizes nas veias superficiais — safena magna, safena parva, tributárias. É o padrão mais comum na classificação CEAP das varizes
  • Ap (perfurante): veias perfurantes incompetentes — comunicam o sistema superficial com o profundo
  • Ad (profundo): doença no sistema venoso profundo — geralmente pós-trombótico
  • An: anatomia não identificada

Componente P da Classificação CEAP das Varizes — Fisiopatológico

O componente P da classificação CEAP das varizes descreve o mecanismo da doença:

  • Pr (refluxo): válvulas venosas incompetentes que permitem o refluxo de sangue — causa mais frequente na classificação CEAP das varizes
  • Po (obstrução): bloqueio do fluxo venoso — trombose ou compressão extrínseca
  • Pr,o (refluxo + obstrução): combinação dos dois mecanismos
  • Pn: fisiopatologia não identificada

Um laudo completo de classificação CEAP das varizes pode ser, por exemplo: C3, Ep, As, Pr — edema venoso (C3), de causa primária (Ep), em veias superficiais (As), por refluxo (Pr). Essa classificação completa guia o planejamento cirúrgico e a autorização do convênio.


Como a Classificação CEAP das Varizes Orienta o Tratamento

Grau CEAPConduta indicada
C0–C1Compressão elástica + escleroterapia de vasinhos se indicado
C2sDoppler + escleroterapia de varizes ou cirurgia de varizes conforme extensão
C3Tratamento ativo das varizes + compressão permanente
C4a–C4cTratamento vascular obrigatório para evitar progressão para úlcera
C5Tratamento das varizes + compressão permanente para prevenir reabertura
C6Tratamento vascular urgente + protocolo especializado de cuidados da úlcera

CID-10 das Varizes — Códigos para Laudos e Convênios

Além da classificação CEAP das varizes, o sistema CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) é usado em laudos médicos, receitas e pedidos de autorização de convênio. Os principais CID-10 relacionados às varizes:

CID-10DescriçãoUsado com
I83Varizes dos membros inferioresCódigo geral — sempre acompanha os subtipos
I83.0Varizes dos MMII com úlceraCEAP C5-C6
I83.1Varizes dos MMII com inflamaçãoFlebite superficial associada
I83.2Varizes dos MMII com úlcera e inflamaçãoCEAP C6 com flebite
I83.9Varizes dos MMII sem úlcera ou inflamaçãoCEAP C1 a C4 sem complicações
I87.2Insuficiência venosa crônica periféricaComplementar ao I83 — importante para autorização de cirurgia
I86.1Varizes escrotais (varicocele)Varicocele masculina
O22.0Varizes dos MMII na gravidezVarizes na gravidez
O22.1Varizes genitais na gravidezVarizes vulvares na gravidez

Classificação CEAP das Varizes e os Convênios

A classificação CEAP das varizes é fundamental para a autorização de procedimentos pelos convênios de saúde. Muitos planos exigem a documentação do grau CEAP no laudo do Doppler e no relatório médico para autorizar:

  • Cirurgia de varizes (safenectomia): geralmente exige classificação CEAP das varizes C2s ou superior com refluxo documentado no Doppler
  • Escleroterapia com espuma (UGFS): com indicação clínica documentada — grau CEAP + refluxo no Doppler
  • Laser endovenoso (EVLT): cobertura variável por plano — classificação CEAP das varizes mais avançada facilita a autorização
  • Doppler vascular: coberto quando há indicação clínica documentada — a classificação CEAP das varizes é parte dessa documentação

Os convênios aceitos pelo Dr. Luís Dotta em São Paulo — Iamsp, Hapvida, Bradesco Saúde, Ameplan, Cruz Azul e Sagrada Família — seguem as diretrizes da ANS para cobertura dos procedimentos relacionados à classificação CEAP das varizes. Saiba mais em convênios aceitos pelo cirurgião vascular.


Perguntas Frequentes sobre Classificação CEAP das Varizes

O que significa CEAP C2 nas varizes?

Na classificação CEAP das varizes, C2 significa varizes visíveis — veias dilatadas acima de 3mm, salientes e palpáveis nas pernas ou coxas. C2s indica varizes com sintomas (dor, peso, ardência); C2a indica varizes sem sintomas. É um dos graus mais comuns da classificação CEAP das varizes na população.

O que é CEAP C4b?

Na classificação CEAP das varizes, C4b indica lipodermatoesclerose (pele endurecida e retraída por fibrose) ou atrophie blanche (manchas brancas com bordas escuras). É um grau avançado que indica hipertensão venosa crônica grave — tratamento das varizes é urgente para evitar progressão para úlcera venosa (C5-C6).

Qual o CID-10 das varizes nos membros inferiores?

O CID-10 principal das varizes nos membros inferiores é I83. Com especificadores: I83.0 (com úlcera), I83.1 (com inflamação), I83.2 (com úlcera e inflamação), I83.9 (sem complicações). A insuficiência venosa crônica é codificada como I87.2 — ambos costumam aparecer juntos nos pedidos de autorização de convênio relacionados à classificação CEAP das varizes.

O convênio precisa do CEAP para autorizar cirurgia de varizes?

Sim — muitos planos exigem o grau da classificação CEAP das varizes no laudo do Doppler e no relatório médico para autorizar a cirurgia de varizes. Geralmente a classificação CEAP das varizes C2s ou superior com refluxo documentado é suficiente para autorização da safenectomia.

Vasinhos são grau C1 ou C2 na classificação CEAP das varizes?

Na classificação CEAP das varizes, vasinhos (telangiectasias) com diâmetro abaixo de 1mm são C1. Veias reticulares (1 a 3mm), também classificadas como C1. Varizes com diâmetro acima de 3mm, palpáveis e salientes, são C2. A diferença é importante para indicação de tratamento e cobertura de convênio.

CEAP C4c — o que é a corona phlebectatica?

Na classificação CEAP das varizes, C4c corresponde à corona phlebectatica — feixe de vasinhos azulados em distribuição de leque na face interna do tornozelo. É sinal específico de hipertensão venosa crônica avançada que indica risco elevado de progressão para úlcera venosa sem tratamento adequado das varizes.


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⚖️ Aviso Legal: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui a consulta médica presencial. Resultados podem variar. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada da sua condição de saúde.

✍️ Dr. Luís Antonio Dotta | CRM 65772/SP | RQE 28296 | Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular | Mais de 30 anos de experiência em São Paulo