Escleroterapia — injeção de esclerosante em vasinhos nas pernas

A escleroterapia é um dos procedimentos que mais realizo no consultório — e um dos que mais satisfação gera nos pacientes. Com mais de trinta anos de cirurgia vascular em São Paulo, já perdi a conta de quantas sessões realizei. O que não perco é a atenção ao detalhe: vasinhos podem parecer simples, mas o tratamento correto exige avaliação prévia, técnica precisa e acompanhamento adequado — caso contrário, voltam.

Se você pesquisou “secagem de vasinhos” ou “escleroterapia” e chegou até aqui, este artigo vai explicar exatamente o que é o procedimento, como funciona, quais os tipos disponíveis, quantas sessões são necessárias, os cuidados pós-procedimento, os riscos e efeitos adversos possíveis, quando o Doppler é obrigatório antes de tratar — e por que vasinhos voltam após o tratamento em alguns casos.


O que é Escleroterapia

Escleroterapia é o tratamento de veias doentes — vasinhos (telangiectasias), veias reticulares e varizes — por meio da injeção de uma substância química chamada esclerosante diretamente dentro do vaso. Esse agente causa uma reação inflamatória controlada na parede interna da veia, que se fecha progressivamente, é absorvida pelo organismo e desaparece ao longo de semanas a meses.

O procedimento existe desde a década de 1930 e é hoje considerado o tratamento de primeira escolha para telangiectasias e varizes de pequeno e médio calibre, com extensa literatura médica comprovando sua eficácia e segurança quando realizado adequadamente.

Escleroterapia líquida vs. com espuma

TipoComo funcionaIndicação principalVantagem
Escleroterapia líquidaSolução injetada na forma líquidaTelangiectasias e veias reticulares pequenasPrecisão em vasos finos e superficiais
Escleroterapia com espumaEsclerosante misturado com ar formando espuma densa (técnica Tessari)Varizes de médio e grande calibre, veias safenas incompetentesMaior contato com a parede venosa, mais eficaz em vasos calibrosos

Quem Pode Fazer Escleroterapia

A maioria dos adultos com telangiectasias, veias reticulares ou varizes de pequeno e médio calibre é candidata à escleroterapia. A avaliação médica prévia define a indicação correta. De forma geral, o procedimento é indicado para:

  • Vasinhos (telangiectasias) de qualquer grau — estéticos ou sintomáticos
  • Veias reticulares (veias alimentadoras dos vasinhos)
  • Varizes de pequeno e médio calibre
  • Varizes residuais ou recorrentes após cirurgia
  • Varizes sintomáticas — com dor, ardência, cansaço — quando de pequeno calibre

Contraindicações

Algumas condições impedem ou contraindicam temporariamente o procedimento:

  • Gravidez e amamentação — contraindicação absoluta
  • Trombose venosa profunda ativa — contraindicação absoluta
  • Alergia conhecida ao esclerosante
  • Imobilidade grave dos membros inferiores
  • Infecção ativa nas áreas a tratar
  • Coagulopatias graves não controladas

Quando é Necessário Fazer Doppler Antes da Escleroterapia

Esta é uma das questões que mais gera dúvida nos pacientes. A resposta depende do caso clínico. O Doppler venoso dos membros inferiores é obrigatório nas seguintes situações:

  • Vasinhos extensos ou distribuídos em padrão atípico (distribuição safena)
  • Varizes visíveis associadas aos vasinhos
  • Histórico de recidiva precoce após tratamentos anteriores
  • Sintomas venosos significativos — dor, peso, inchaço
  • Histórico de trombose ou flebite
  • Suspeita de insuficiência da veia safena magna ou parva

O Doppler identifica se existe insuficiência venosa de fundo que, se não tratada primeiro, continuará alimentando os vasinhos e causando recidiva precoce. Para vasinhos finos e isolados, sem varizes associadas e sem sintomas, o Doppler não é obrigatório — mas a avaliação clínica cuidadosa é sempre necessária.


Como é Feita a Escleroterapia — Passo a Passo

Antes do procedimento

Na consulta prévia, o médico avalia os vasos a tratar, define se há necessidade de Doppler, escolhe o esclerosante mais adequado e orienta o paciente sobre os cuidados. Recomendações habituais no pré-procedimento:

  • Evitar hidratante nas pernas no dia do procedimento
  • Usar roupas largas e confortáveis — será necessário usar meia de compressão ao sair
  • Não fazer depilação nas áreas a tratar nas 48h anteriores
  • Manter-se hidratado
  • Não é necessário jejum

Durante o procedimento

O paciente fica deitado ou sentado com as pernas relaxadas. O médico usa agulhas muito finas — calibre 30G ou 32G, semelhantes às usadas em insulina — para introduzir o esclerosante diretamente dentro de cada vaso. A sessão dura entre 20 e 45 minutos, dependendo da extensão dos vasos a tratar.

Durante as injeções, o paciente pode sentir leve ardência transitória que dura segundos — completamente normal, parte da reação do esclerosante. Não é necessário anestesia local na grande maioria dos casos.

Após o procedimento — cuidados imediatos

Imediatamente após a sessão, a meia de compressão é colocada — ela é fundamental para o resultado. O paciente é orientado a caminhar por 20 a 30 minutos antes de sair do consultório. A caminhada ativa a bomba muscular da panturrilha e ajuda a distribuir o esclerosante de forma homogênea dentro dos vasos tratados.


Quantas Sessões São Necessárias

Esta é sempre uma das primeiras perguntas no consultório. A resposta honesta é: depende da extensão e do calibre dos vasos a tratar, da resposta individual de cada paciente e da presença ou ausência de insuficiência venosa subjacente.

Extensão do casoSessões estimadasIntervalo
Vasinhos leves e localizados1 a 3 sessõesMínimo 4 semanas entre sessões
Vasinhos moderados — membros inteiros4 a 6 sessõesMínimo 4 semanas entre sessões
Casos extensos com varizes associadas6 ou mais sessõesMínimo 4 semanas entre sessões

O intervalo mínimo de 4 semanas entre sessões é necessário para aguardar a resposta inflamatória dos vasos já tratados antes de iniciar nova sessão. O resultado final é avaliado 3 meses após a última sessão.


Cuidados Após a Escleroterapia

Nas primeiras 24-48 horas

  • Manter a meia de compressão conforme orientação médica (geralmente 24 a 72h contínuas)
  • Evitar banhos quentes, sauna, exposição ao sol nas áreas tratadas
  • Não pressionar ou esfregar as regiões injetadas
  • Caminhar regularmente — evitar ficar parado por longos períodos

Na primeira semana

  • Usar a meia de compressão durante o dia conforme indicado
  • Evitar atividades aquáticas (piscina, mar) por 7 dias
  • Evitar depilação nas áreas tratadas por 2 semanas
  • Aplicar protetor solar nas áreas tratadas ao se expor ao sol

Atividade física após escleroterapia

  • Caminhada leve: liberada no mesmo dia — é recomendada
  • Exercícios moderados (corrida leve, bike): aguardar 48 a 72 horas
  • Exercícios intensos (musculação, HIIT): aguardar 7 dias
  • Natação e hidroginástica: aguardar 7 dias

O que Esperar Durante a Cicatrização

Muitos pacientes ficam preocupados ao ver as pernas nas primeiras semanas após o tratamento. É importante saber o que é normal e o que deve ser avaliado:

Reações normais e esperadas

  • Escurecimento dos vasos tratados: normal nas primeiras 2 a 6 semanas. Os vasos ficam mais escuros antes de desaparecer
  • Pequenas crostas ou marcas nos pontos de injeção: desaparecem em dias
  • Sensação de ardência ou tensão local: normal nas primeiras 24-48h
  • Leve hematoma ao redor dos vasos tratados: normal, resolve em 1 a 2 semanas

Hiperpigmentação pós-escleroterapia

Pode ocorrer hiperpigmentação pós-escleroterapia — depósito de hemossiderina (pigmento derivado do sangue) na pele sobre o vaso tratado. Ocorre em cerca de 10 a 30% dos casos e é mais frequente com exposição solar nas semanas após o tratamento. Geralmente clareia espontaneamente em 6 a 12 meses. Por isso o protetor solar nas áreas tratadas é obrigatório durante todo o tratamento.

Quando retornar ao médico

  • Dor intensa ou inchaço súbito em uma perna inteira — pode indicar trombose (raro)
  • Vermelhão intenso, calor e endurecimento ao longo de uma veia — flebite superficial
  • Reação alérgica — prurido generalizado, urticária, dificuldade para respirar
  • Úlcera ou ferida nos locais de injeção

Escleroterapia com Espuma para Varizes

A escleroterapia com microespuma (técnica Tessari) é uma evolução do método líquido e amplia significativamente as indicações do procedimento. A espuma é preparada misturando o esclerosante com ar em proporção controlada, criando uma espuma densa que preenche o lúmen da veia de forma mais eficiente que a solução líquida.

Com a espuma é possível tratar varizes de médio e até grande calibre — incluindo veias safenas incompetentes — de forma ambulatorial, sem anestesia geral e sem internação. Em muitos casos, a escleroterapia com espuma guiada por ultrassom (foam sclerotherapy eco-guiada) substitui cirurgias convencionais com excelente resultado.

A cobertura pelos convênios varia: quando há indicação clínica documentada (insuficiência venosa com sintomas), a maioria dos planos autoriza. A versão puramente estética (apenas vasinhos sem sintomas) geralmente não é coberta.


Laser Vascular — Quando é Complementar

O laser vascular de superfície emite luz em comprimento de onda específico absorvido pela hemoglobina, destruindo seletivamente o vasinho sem lesar os tecidos ao redor. É complementar à escleroterapia — indicado para:

  • Vasinhos muito finos (< 0,3mm) que não respondem bem às injeções
  • Vasinhos na face
  • Casos de alergia ao esclerosante
  • Vasinhos resistentes à escleroterapia

Na prática clínica, as duas técnicas são frequentemente combinadas na mesma sessão — escleroterapia para os vasos maiores e laser para os menores e mais finos.


Por que os Vasinhos Voltam Após o Tratamento

Esta é a pergunta mais frequente no retorno. É importante distinguir dois fenômenos completamente diferentes:

Os vasinhos tratados com sucesso não voltam — a veia obliterada é absorvida definitivamente. O que ocorre é o surgimento de novos vasinhos, por dois motivos principais:

  • A causa de fundo não foi tratada: se existe insuficiência venosa nas safenas com refluxo, a pressão continua alimentando novos vasinhos. O Doppler antes do tratamento identifica e permite corrigir esse problema antes de tratar os vasinhos superficiais
  • Progressão natural da doença venosa: em pacientes com predisposição genética, novas telangiectasias podem surgir ao longo dos anos em outras vênulas. Sessões periódicas de manutenção (geralmente anuais) fazem parte do cuidado a longo prazo

Perguntas Frequentes sobre Escleroterapia

Escleroterapia dói?

Dói pouco. As agulhas usadas são extremamente finas (30G ou 32G) e cada injeção causa uma ardência leve que dura segundos. A maioria dos pacientes tolera bem sem anestesia e retorna às atividades normais no mesmo dia.

Preciso de Doppler antes de fazer escleroterapia?

Depende do caso. Para vasinhos finos e isolados sem varizes associadas, o Doppler não é obrigatório. Para vasinhos extensos, com histórico de recidiva, distribuição atípica ou varizes visíveis associadas, o Doppler é essencial — para não tratar o sintoma sem resolver a causa.

Quantas sessões de escleroterapia são necessárias?

Casos leves: 1 a 3 sessões. Casos moderados: 4 a 6 sessões. Casos extensos: 6 ou mais sessões. Intervalo mínimo de 4 semanas entre sessões. Resultado final avaliado 3 meses após a última sessão.

Posso malhar depois da escleroterapia?

Caminhada leve pode ser feita já no mesmo dia — é até recomendada. Exercícios moderados aguardam 48 a 72 horas. Musculação intensa e atividades aquáticas aguardam 7 dias.

A escleroterapia deixa manchas?

Pode ocorrer hiperpigmentação pós-escleroterapia em 10 a 30% dos casos — depósito de hemossiderina na pele. Geralmente clareia em 6 a 12 meses. Protetor solar nas áreas tratadas é obrigatório para minimizar esse risco.

O convênio cobre escleroterapia?

Depende da indicação. A escleroterapia com indicação clínica (varizes sintomáticas, insuficiência venosa) costuma ser coberta pelos planos. A versão puramente estética (vasinhos sem sintomas) geralmente não é coberta. Após a consulta e avaliação do Doppler, o Dr. Luís Dotta orienta sobre cobertura pelo plano.

Qual a diferença entre escleroterapia e laser para vasinhos?

A escleroterapia usa injeção química e é mais eficaz para a maioria dos vasinhos e varizes de pequeno e médio calibre. O laser usa energia luminosa e é mais indicado para vasinhos muito finos, vasinhos faciais ou casos de alergia ao esclerosante. As duas técnicas são frequentemente combinadas na mesma sessão.


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⚖️ Aviso Legal: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui a consulta médica presencial. Resultados podem variar de paciente para paciente. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada da sua condição de saúde.

✍️ Dr. Luís Antonio Dotta | CRM 65772/SP | RQE 28296 | Especialista em Angiologia, Cirurgia Vascular e Cirurgia Cardiovascular | Mais de 30 anos de experiência em São Paulo