Doppler Vascular: o que é, para que serve e quando o médico pede
No consultório de cirurgia vascular, o Doppler é o meu principal aliado diagnóstico. Ele me permite enxergar o que não aparece no exame físico, confirmar suspeitas clínicas em minutos e, muitas vezes, encontrar a causa de um problema que o paciente carrega há anos sem explicação. Ao longo de mais de trinta anos atendendo pacientes com doenças vasculares em São Paulo, posso dizer com segurança: o Doppler mudou — e continua mudando — a medicina vascular.
Se o seu médico pediu um “Doppler” e você não sabe exatamente o que é, como funciona ou por que foi solicitado — este artigo responde todas essas perguntas com clareza.

O que é o exame de Doppler?
O Doppler é um exame de imagem baseado em ultrassom que permite visualizar e avaliar o fluxo de sangue dentro dos vasos sanguíneos — veias e artérias — em tempo real, sem radiação e sem necessidade de cortes ou agulhas.
O nome vem do físico austríaco Christian Doppler, que no século XIX descreveu o fenômeno em que a frequência de uma onda muda dependendo do movimento relativo entre a fonte e o observador. O mesmo princípio que faz o som de uma ambulância parecer mais agudo quando se aproxima e mais grave quando se afasta é aplicado ao ultrassom: quando as ondas de som emitidas pelo aparelho encontram glóbulos vermelhos em movimento dentro de um vaso, a frequência do eco retornado muda. Esse desvio de frequência — o “efeito Doppler” — é traduzido em imagem colorida e em sons, permitindo ao médico visualizar e medir o fluxo sanguíneo.
Na prática, o exame usa um transdutor (o “aparelho” que o médico ou técnico passa sobre a pele com gel) que emite e capta ondas de ultrassom. A imagem resultante mostra os vasos em corte transversal ou longitudinal e exibe o fluxo sanguíneo em cores — geralmente vermelho para o fluxo em uma direção e azul para o fluxo na direção oposta.
Vale lembrar que o termo “Doppler” é usado tanto para o princípio físico quanto, popularmente, para o próprio exame de ultrassom vascular como um todo — por isso é comum ouvir “vou fazer um Doppler” mesmo quando o nome técnico do pedido médico é “eco-Doppler colorido” ou “ultrassonografia vascular com Doppler”.
Doppler, Duplex e Triplex — qual a diferença?
Esses termos geram confusão, mas representam gerações do mesmo exame:
| Nome | O que mostra | Uso atual |
|---|---|---|
| Doppler simples (contínuo) | Apenas o sinal sonoro do fluxo — sem imagem | Cada vez mais substituído pelo duplex |
| Eco-Doppler duplex | Imagem anatômica em escala de cinza (modo B) + Doppler pulsátil para medir o fluxo | Padrão atual para artérias |
| Eco-Doppler colorido (triplex) | Imagem anatômica + Doppler colorido + espectral — visualização do fluxo em cores em tempo real | Padrão atual para veias e artérias — o mais usado no consultório vascular |
Na linguagem do dia a dia, quando um médico pede “Doppler venoso” ou “Doppler arterial”, está geralmente se referindo ao eco-Doppler colorido — o exame completo que combina imagem, cor e espectro. A nomenclatura popular simplificou tudo para “Doppler”, e é assim que aparece na maioria das solicitações.
Para que serve o Doppler vascular?
O Doppler vascular serve para avaliar a saúde do sistema circulatório — veias e artérias — em diferentes regiões do corpo. No contexto do consultório de cirurgia vascular e angiologia, as indicações mais frequentes são:
Na prática clínica, o grande valor do Doppler está em transformar uma queixa subjetiva — peso nas pernas, inchaço, dor ao caminhar — em um dado objetivo e mensurável. É um exame de primeira linha: não invasivo, sem preparo complexo na maioria dos casos, e que frequentemente evita a necessidade de exames mais caros ou invasivos para chegar ao diagnóstico. Por isso, na maior parte das consultas de cirurgia vascular, o Doppler complementa — e muitas vezes confirma — o que já foi observado no exame físico, permitindo iniciar o tratamento correto sem demora.
Doppler venoso dos membros inferiores
É o Doppler mais solicitado no meu consultório. Avalia o sistema venoso das pernas — tanto as veias superficiais quanto as profundas — identificando:
- Trombose venosa profunda (TVP): detecta coágulos dentro das veias profundas com alta precisão. É o exame de referência para confirmação ou exclusão de trombose nas pernas
- Insuficiência venosa crônica: identifica válvulas venosas incompetentes e quantifica o refluxo (o sangue “descendo” quando deveria subir). Fundamental para planejar o tratamento de varizes
- Mapeamento pré-operatório de varizes: mapeia todo o trajeto das veias incompetentes antes de procedimentos como escleroterapia, laser endovenoso ou flebectomia
- Avaliação de inchaço nas pernas: diferencia inchaço de causa venosa de outras causas (linfática, cardíaca, renal)
- Controle pós-tratamento: verifica o resultado após cirurgia ou tratamento endovenoso de varizes
O Doppler venoso também é rotina antes de situações que aumentam a pressão sobre o sistema venoso, como cirurgias bariátricas, procedimentos ortopédicos de longa duração ou mesmo durante a gravidez, quando as varizes costumam surgir ou piorar. Em gestantes com sintomas importantes, o exame ajuda a diferenciar uma dilatação venosa fisiológica da gestação de um quadro que já merece acompanhamento vascular mais próximo.
Doppler arterial dos membros inferiores
Avalia a circulação arterial das pernas, identificando estreitamentos ou obstruções nas artérias que levam sangue oxigenado aos membros. É indicado quando há:
- Dor ao caminhar que melhora com repouso (claudicação intermitente) — sinal clássico de obstrução arterial
- Pernas frias, palidez ou cianose nos pés
- Feridas nos pés ou pernas que não cicatrizam (úlceras arteriais ou mistas)
- Dor em repouso nas pernas ou pés — sinal de isquemia crítica
- Suspeita de doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) em pacientes com diabetes, tabagismo ou hipertensão arterial
Esse exame ganha importância redobrada em pacientes diabéticos, já que a neuropatia associada ao diabetes pode mascarar a dor da isquemia — o paciente sente menos, mas o risco de uma ferida evoluir mal continua alto. É por isso que, na avaliação do pé diabético, o Doppler arterial costuma ser solicitado mesmo sem dor evidente. Em muitos serviços, o Doppler arterial é complementado pelo índice tornozelo-braço (ITB), uma medida simples e rápida que compara a pressão arterial no tornozelo e no braço para estimar o grau de obstrução.
Doppler de carótidas e vertebrais
Avalia as artérias do pescoço que irrigam o cérebro. Detecta placas de aterosclerose e estreitamentos que podem causar AVC isquêmico ou ataques isquêmicos transitórios (AIT). É indicado em pacientes com fatores de risco cardiovascular elevado (hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto) e após episódios neurológicos.
A frequência ideal desse exame depende do risco cardiovascular individual. Pacientes com placas já identificadas na carótida, pressão alta mal controlada, diabetes ou histórico de tabagismo costumam repetir o Doppler de carótidas anualmente ou conforme orientação do médico assistente. O controle rigoroso do colesterol e da pressão arterial, associado ao acompanhamento com Doppler, é uma das estratégias mais efetivas para reduzir o risco de um AVC isquêmico.
Doppler abdominal e renal
Avalia as artérias e veias do abdômen — aorta abdominal, artérias renais, artérias mesentéricas e veias portais. Usado na investigação de aneurismas, hipertensão renovascular, isquemia mesentérica e doenças hepáticas com comprometimento do fluxo portal.
Um exemplo prático: homens acima de 65 anos que já fumaram têm indicação de rastreamento de aneurisma da aorta abdominal mesmo sem sintomas, já que essa dilatação costuma ser silenciosa até se tornar uma emergência. Já a suspeita de hipertensão renovascular — pressão alta de difícil controle mesmo com várias medicações — é outra indicação clássica do Doppler de artérias renais, buscando um estreitamento tratável na origem do problema.
Quando o médico pede o Doppler? Principais indicações
No consultório de cirurgia vascular, praticamente todo paciente novo com queixas nos membros inferiores recebe indicação de Doppler. Mas existem situações que tornam o exame particularmente urgente ou essencial:
| Sintoma ou situação clínica | Tipo de Doppler indicado | O que o exame procura |
|---|---|---|
| Inchaço súbito em uma perna, com dor e vermelhidão | Doppler venoso — urgente | Trombose venosa profunda |
| Varizes visíveis nas pernas | Doppler venoso | Mapeamento do refluxo venoso, planejamento de tratamento |
| Inchaço crônico nas pernas | Doppler venoso | Insuficiência venosa crônica, refluxo |
| Dor nas pernas ao caminhar que melhora com repouso | Doppler arterial | Obstrução arterial, doença arterial periférica |
| Pés frios, palidez ou feridas que não cicatrizam | Doppler arterial | Isquemia periférica |
| Dermatite ocre, lipodermatoesclerose | Doppler venoso | Insuficiência venosa crônica avançada |
| Antes de cirurgia de varizes ou escleroterapia | Doppler venoso | Mapeamento pré-operatório |
| Paciente com risco cardiovascular alto (HAS, DM, tabagismo) | Doppler de carótidas / abdominal | Placas, aneurisma de aorta |
| Após tratamento de varizes ou trombose | Doppler venoso | Controle de resultado, recanalização |
De forma geral, qualquer sinal de assimetria entre as duas pernas — uma mais inchada, mais quente ou mais dolorida que a outra — é um sinal de alerta que costuma acelerar o pedido do Doppler, já que pode indicar tanto trombose quanto insuficiência venosa em fase de agravamento.
Como é feito o exame de Doppler?
O exame de Doppler vascular é simples, indolor e não utiliza radiação. Veja como acontece na prática:
Diferente de exames de sangue ou biópsias, não há coleta de material nem contato invasivo — todo o exame acontece com o transdutor por cima da pele. Isso o torna repetível quantas vezes forem necessárias, sem restrição de intervalo mínimo entre um exame e outro, o que é especialmente útil no acompanhamento de tratamentos em andamento.
Antes do exame
Para o Doppler venoso e arterial dos membros inferiores, geralmente não há preparo especial. O paciente pode comer e beber normalmente. Para o Doppler abdominal (aorta, artérias renais, sistema portal), pode ser necessário jejum de 4 a 6 horas para reduzir gases intestinais que prejudicam a visualização dos vasos mais profundos. Confirme as orientações específicas com o serviço onde realizará o exame.
Se estiver usando meias de compressão, o ideal é retirá-las cerca de 30 minutos antes do Doppler venoso, para que as veias voltem ao calibre habitual e o exame reflita a condição real de refluxo. Gestantes e idosos não precisam de nenhum preparo especial adicional além do já orientado para o tipo de Doppler solicitado.
Durante o exame
O paciente deita em uma maca, geralmente em posição supina (de costas) ou em posição ortostática (em pé) para o Doppler venoso — a posição em pé é importante porque provoca dilatação das veias e facilita a identificação do refluxo. O examinador aplica gel aquoso sobre a pele e desliza o transdutor ao longo dos vasos a serem avaliados.
Durante o exame venoso, o médico frequentemente pede para o paciente respirar fundo, tossir ou fazer manobras de compressão nas pernas — são manobras que aumentam ou diminuem o fluxo nas veias e ajudam a identificar refluxo ou obstrução. O exame dura em média 20 a 40 minutos, dependendo da extensão avaliada.
É comum o paciente ouvir, durante o Doppler venoso e arterial, um som pulsátil semelhante a um “whoosh” — é o próprio fluxo sanguíneo captado pelo aparelho e convertido em som. Pernas com muitas varizes ou histórico de trombose podem exigir um exame mais demorado, já que exigem mapeamento mais detalhado de cada segmento venoso.
Depois do exame
Não há restrições após o Doppler. O paciente retoma suas atividades normalmente. O laudo é entregue ao médico solicitante, que interpreta os achados dentro do contexto clínico do paciente. É fundamental que o laudo seja analisado pelo médico que conhece a história do paciente — números e achados isolados sem correlação clínica têm interpretação limitada.
Quando o Doppler é realizado dentro da própria consulta vascular, como ocorre nas unidades do Dr. Luís Dotta, o resultado é discutido na hora, sem espera por laudo. Em serviços de imagem externos, o prazo médio de entrega do laudo varia de algumas horas a 2 dias úteis, dependendo da rotina do serviço.
Quem realiza e interpreta o Doppler vascular?
O Doppler vascular é um exame operador-dependente — ou seja, a qualidade do resultado depende muito da experiência e da habilidade de quem o realiza. Existem diferenças importantes entre serviços.
O exame pode ser realizado por médicos especialistas em diagnóstico por imagem com subespecialização em vascular, ou diretamente pelo cirurgião vascular e angiologista no próprio consultório — o que tem vantagens significativas: o médico que examina é o mesmo que trata, o exame é interpretado em tempo real junto com a consulta clínica, e decisões terapêuticas podem ser tomadas na mesma sessão.
Nas três unidades do Dr. Luís Dotta em São Paulo, o Doppler venoso dos membros inferiores é realizado como parte da investigação rotineira — permitindo diagnóstico e planejamento de tratamento na mesma consulta, sem necessidade de encaminhamento para outro serviço de imagem.
Essa diferença de experiência explica por que dois laudos de Doppler para o mesmo paciente, feitos em serviços diferentes, às vezes trazem conclusões distintas. Profissionais com título de área de atuação em ultrassonografia vascular — reconhecido pela SBACV e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia — passaram por treinamento específico voltado exatamente para esse tipo de exame, o que reduz a chance de um refluxo discreto ou uma placa inicial passarem despercebidos.
O que o Doppler pode diagnosticar?
O Doppler vascular é capaz de identificar ou confirmar uma lista extensa de condições. As mais relevantes no contexto da cirurgia vascular e angiologia:
- Trombose venosa profunda (TVP) — detecção de coágulo na veia com sensibilidade acima de 95% para as veias proximais da perna
- Insuficiência venosa crônica — identificação de válvulas incompetentes e quantificação do refluxo nas veias safenas e perfurantes
- Varizes — mapeamento do sistema de varizes e suas origens, essencial para planejar escleroterapia ou ablação endovenosa
- Doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) — estreitamentos e oclusões nas artérias ilíacas, femorais, poplíteas e tibiais
- Aneurismas — dilatações patológicas da aorta, artérias ilíacas ou poplíteas
- Estenose de carótida — placas e estreitamentos nas artérias do pescoço com risco de AVC
- Síndrome de May-Thurner — compressão da veia ilíaca esquerda pela artéria ilíaca direita
- Fístula arteriovenosa — comunicação anormal entre artéria e veia
- Hipertensão renovascular — estreitamento das artérias renais causando hipertensão de difícil controle
É importante também entender o que o Doppler não avalia bem: o sistema linfático, por exemplo, não é adequadamente estudado por esse exame — para investigar linfedema ou lipedema com suspeita de comprometimento linfático, outros exames como a linfocintilografia costumam ser mais indicados. Reconhecer os limites de cada exame é parte do papel do médico ao definir a investigação mais adequada para cada paciente.
O Doppler tem algum risco?
Não. O Doppler vascular utiliza ondas sonoras de alta frequência — não utiliza radiação ionizante (como o raio-X ou a tomografia). Não existe qualquer risco associado ao exame para o paciente, independentemente de quantas vezes seja realizado. É seguro para grávidas, crianças, idosos e pacientes com qualquer condição clínica.
O gel utilizado é hipoalergênico e facilmente removido com papel ou toalha após o exame. O transdutor não penetra na pele — apenas desliza sobre ela.
A única limitação prática, e não um risco, é técnica: em pacientes com obesidade importante ou edema muito intenso, a qualidade da imagem pode ficar reduzida, exigindo mais tempo ou manobras adicionais do examinador para conseguir um resultado confiável. Ainda assim, isso não impede a realização do exame — apenas pode torná-lo um pouco mais demorado.
O que é angiologia e o que faz o cirurgião vascular?
Já que o Doppler é o principal exame do especialista vascular, vale explicar brevemente o que faz esse médico — uma dúvida frequente que recebo no consultório.
A angiologia é a especialidade médica que cuida das doenças dos vasos sanguíneos — artérias, veias e vasos linfáticos — e do sistema de coagulação do sangue. O angiologista trata clinicamente essas doenças: com medicamentos, compressão, fisioterapia vascular e orientação de estilo de vida.
A cirurgia vascular é a especialidade cirúrgica que trata as mesmas doenças vasculares por meio de procedimentos: cirurgias abertas, procedimentos endovasculares (dentro dos vasos, sem cortes grandes), ablação de varizes, escleroterapia, angioplastia e colocação de stents.
Na prática, muitos especialistas têm as duas formações — são cirurgiões vasculares e angiologistas — o que permite tratar o mesmo paciente tanto clinicamente quanto cirurgicamente, sem necessidade de encaminhamentos. É exatamente o caso do Dr. Luís Dotta, especialista em Angiologia, Cirurgia Vascular e Cirurgia Cardiovascular.
O que o cirurgião vascular trata?
As condições mais comuns tratadas pelo cirurgião vascular e angiologista incluem:
- Varizes e insuficiência venosa crônica
- Trombose venosa profunda e embolia pulmonar
- Flebite (tromboflebite superficial)
- Doença arterial obstrutiva periférica (isquemia dos membros)
- Aneurisma da aorta abdominal e de outras artérias
- Estenose de carótida (risco de AVC)
- Inchaço nas pernas de causa venosa ou linfática
- Úlceras vasculares (venosas, arteriais ou mistas)
- Lipedema — avaliação do componente vascular e linfático
- Dermatite ocre e lipodermatoesclerose
Vale reforçar que a maioria dessas condições é diagnosticada ou confirmada justamente pelo Doppler, o que reforça por que esse exame costuma ser pedido logo na primeira consulta: ele permite ao especialista já sair da avaliação inicial com um plano de investigação e tratamento concreto, em vez de trabalhar apenas com hipóteses baseadas no exame físico.
Perguntas Frequentes sobre o Doppler Vascular
O Doppler dói?
Não. O exame de Doppler vascular é completamente indolor. O transdutor desliza suavemente sobre a pele com o auxílio de um gel. Algumas manobras de compressão realizadas durante o Doppler venoso (como apertar a panturrilha para testar as válvulas) podem causar uma pressão leve, mas não causam dor em condições normais. Em casos de trombose recente, pode haver sensibilidade local, mas o exame é adaptado para minimizar o desconforto.
Precisa de pedido médico para fazer o Doppler?
Para realizá-lo por convênio médico ou plano de saúde, sim — é necessário pedido médico com o CID da condição suspeita. Para realizar de forma particular, dependendo do serviço, é possível agendar sem pedido prévio. No contexto do consultório do Dr. Dotta, o Doppler é solicitado e realizado na própria consulta, o que agiliza o diagnóstico e o início do tratamento.
Doppler e ultrassom são a mesma coisa?
O Doppler usa a mesma tecnologia de base do ultrassom convencional (ondas sonoras de alta frequência), mas acrescenta a análise do fluxo sanguíneo — que o ultrassom simples não faz. O ultrassom convencional mostra a anatomia dos órgãos em escala de cinza. O Doppler adiciona a dimensão do movimento: velocidade, direção e características do fluxo dentro dos vasos. São exames complementares — em muitas avaliações vasculares, os dois recursos são usados simultaneamente.
Por isso, quando alguém pergunta “fiz um ultrassom, isso substitui o Doppler?”, a resposta depende do tipo de ultrassom realizado. Um ultrassom simples de partes moles, por exemplo, não avalia fluxo sanguíneo e não substitui o Doppler venoso ou arterial solicitado pelo cirurgião vascular.
Com que frequência devo repetir o Doppler?
Depende da condição. Em pacientes em tratamento de insuficiência venosa crônica, o Doppler de controle é feito após os procedimentos para verificar o resultado. Em pacientes com trombose, o Doppler é repetido em intervalos definidos pelo médico para monitorar a resolução do coágulo e avaliar sequelas. Em pacientes com doença arterial periférica, repete conforme a progressão dos sintomas. Para acompanhamento de varizes sem tratamento cirúrgico, um Doppler anual ou bianual é razoável — a frequência ideal é sempre definida individualmente pelo médico responsável.
Fora desses contextos de acompanhamento, não há necessidade de repetir o Doppler “por precaução” sem uma indicação clínica clara — o exame deve ser guiado por sintomas novos, mudança no quadro já conhecido ou pela rotina de controle definida pelo médico assistente.
O Doppler detecta varizes?
Sim — e vai muito além do que o olho vê. Varizes visíveis a olho nu são apenas a ponta do iceberg. O Doppler mapeia todo o sistema venoso superficial e profundo, identifica quais veias têm válvulas incompetentes, mede a extensão do refluxo e determina a origem do problema. Essa informação é essencial para planejar o tratamento correto — sem ela, tratar varizes é como apagar fumaça sem desligar o fogo.
Essa é também a razão pela qual duas pessoas com varizes de aparência semelhante podem receber indicações de tratamento bem diferentes: o que determina a conduta não é o tamanho da variz visível na pele, e sim o que o Doppler mostra sobre a origem e a extensão do refluxo por trás dela.
Doppler normal significa que não tenho problema vascular?
Um Doppler normal exclui as principais doenças vasculares estruturais, mas não descarta todas as causas de sintomas vasculares. Algumas condições — como espasmo vascular, síndrome de Raynaud em fase inicial ou microangiopatia diabética — podem ter Doppler relativamente normal. O laudo do exame precisa sempre ser interpretado junto com a história clínica e o exame físico pelo médico responsável. Resultados normais num paciente com sintomas persistentes merecem investigação continuada.
Quanto tempo leva para sair o resultado do Doppler?
Na maioria dos serviços, o laudo fica pronto no mesmo dia ou em até 24 a 48 horas. Quando o exame é realizado no próprio consultório vascular, como nas unidades do Dr. Luís Dotta, o resultado costuma ser discutido com o paciente já na mesma consulta.
Doppler venoso e Doppler arterial podem ser feitos no mesmo dia?
Sim. Quando há suspeita de comprometimento tanto venoso quanto arterial — como em pacientes diabéticos com feridas nos pés — os dois exames podem ser realizados na mesma sessão, aumentando a comodidade do paciente.
Grávida pode fazer Doppler vascular?
Sim, o Doppler é seguro na gravidez porque não usa radiação. É inclusive um dos exames mais indicados para investigar inchaço, varizes ou suspeita de trombose que surgem nesse período, sempre com avaliação do obstetra em conjunto.
O que significa “refluxo” no laudo do Doppler venoso?
Refluxo é o termo usado quando o sangue, que deveria subir em direção ao coração, volta para baixo por uma válvula venosa que não fecha corretamente. É o principal mecanismo por trás das varizes e da insuficiência venosa crônica, e sua extensão ajuda a definir o tratamento mais adequado.
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Cirurgião vascular e angiologista com mais de 30 anos de experiência em São Paulo. Especialista no tratamento de úlceras venosas, insuficiência venosa crônica, varizes e doenças vasculares. Doppler vascular disponível nas três unidades para avaliação e mapeamento completo do sistema venoso.
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⚖️ Aviso Legal: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui, em hipótese alguma, a consulta médica presencial, o diagnóstico ou o tratamento profissional. Cada paciente é único e os resultados de tratamentos podem variar significativamente de acordo com a condição clínica, resposta individual ao tratamento e adesão às orientações médicas. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada da sua condição de saúde.
✍️ Dr. Luís Antonio Dotta | CRM 65772/SP | RQE 28296 | Especialista em Angiologia, Cirurgia Vascular e Cirurgia Cardiovascular | Publicado em: Abril de 2026 | Revisado em: Abril de 2026








