Varicocele: o que é, sintomas, causas e quando tratar
Varicocele é a dilatação anormal das veias do plexo pampiniforme — a rede de veias que envolve o cordão espermático, dentro da bolsa escrotal. Na prática, costumo explicar para os pacientes da seguinte forma: são “varizes” nos testículos, e o mecanismo de fundo é o mesmo que vemos nas varizes das pernas — válvulas dentro das veias que deveriam impedir o sangue de voltar não funcionam corretamente, o sangue se acumula e as veias se dilatam.
É uma condição extremamente comum — estudos populacionais mostram que ela está presente em uma parcela significativa dos homens adultos — mas que ainda carrega um peso de desconforto para ser conversada abertamente. No consultório, é frequente o paciente demorar meses ou até anos para procurar avaliação, seja por vergonha, seja por não saber que aquele “incômodo” tinha nome e explicação.
Anatomia básica: por que entender o “encanamento” ajuda a entender a varicocele
Para entender por que a varicocele se forma — e por que ela é tão mais comum de um lado do que do outro — vale entender, de forma simples, como o sangue circula nos testículos.
Cada testículo recebe sangue arterial por uma artéria própria e devolve esse sangue ao corpo por meio de uma rede de pequenas veias, o plexo pampiniforme, que se unem formando a veia espermática (ou veia testicular). Essa veia sobe dentro do cordão espermático, passa pelo canal inguinal e entra no abdômen, onde se conecta a veias maiores.
Aqui está o ponto-chave: a veia espermática direita desemboca diretamente na veia cava inferior, em um ângulo relativamente favorável. Já a veia espermática esquerda desemboca na veia renal esquerda, em um ângulo de aproximadamente 90 graus — um trajeto “mais difícil”, com maior coluna de pressão e maior chance de as válvulas internas dessa veia falharem ao longo do tempo.
É por essa razão anatômica que a varicocele do lado esquerdo é, disparadamente, a mais comum — em torno de 80 a 90% dos casos. Varicocele isolada do lado direito é rara e, quando presente, costuma levantar a suspeita de alguma causa secundária que mereça investigação adicional (vamos voltar a esse ponto mais adiante).
Causas: varicocele primária x secundária
A grande maioria das varicoceles é chamada de primária (ou idiopática): resulta dessa combinação de fragilidade valvular com a desvantagem anatômica do trajeto venoso esquerdo, muitas vezes com componente de predisposição familiar — assim como nas varizes de membros inferiores, é comum encontrar pai, tio ou irmão com história semelhante.
Existe também a varicocele secundária, que é mais rara e ocorre quando algo está comprimindo ou obstruindo a veia espermática ou as veias para as quais ela drena, aumentando artificialmente a pressão “rio abaixo”. Algumas causas possíveis incluem massas abdominais ou retroperitoneais que comprimem a veia renal, ou condições como a síndrome de compressão da veia renal esquerda (conhecida também como “síndrome do quebra-nozes” ou Nutcracker), que já abordamos em detalhes em outro artigo sobre síndrome de May-Thurner e Nutcracker.
Por isso, alguns sinais levam o médico a investigar mais a fundo:
- Varicocele do lado direito isolada, sem varicocele esquerda associada
- Início súbito, em um paciente de meia-idade ou mais velho, sem varicocele prévia
- Varicocele que não diminui ao deitar (o normal é diminuir ou desaparecer na posição horizontal)
Esses sinais não significam, automaticamente, que existe algo grave — mas justificam uma investigação de imagem mais ampla, geralmente com ultrassom abdominal, para descartar causas compressivas.
Sintomas: da ausência total de queixas ao desconforto crônico
Um dos aspectos mais importantes de entender sobre a varicocele é que a maioria dos casos não causa sintoma nenhum. Muitos homens descobrem que têm varicocele durante um exame de rotina, durante investigação de infertilidade do casal, ou mesmo durante um autoexame.
Quando há sintomas, os mais comuns que vejo relatados são:
- Sensação de peso ou “puxão” na bolsa escrotal, geralmente no final do dia, depois de ficar muito tempo em pé ou após atividade física
- Dor incômoda, surda, em queimação — diferente de uma dor aguda e súbita — que tende a melhorar quando a pessoa se deita, porque a posição horizontal reduz a pressão na veia dilatada
- Percepção de um “emaranhado” de veias ao toque, popularmente descrito como um “saco de vermes” — mais evidente em pé e durante a manobra de Valsalva (fazer força como ao evacuar), e que diminui ou desaparece ao deitar
- Assimetria entre os testículos, com o lado afetado parecendo “mais baixo” ou, em alguns casos, ligeiramente menor
Quando a dor NÃO é “típica” de varicocele
É importante que você saiba diferenciar o desconforto crônico e leve, típico da varicocele, de uma dor escrotal aguda e intensa. Dor súbita, de início abrupto, que não melhora ao deitar, associada a inchaço importante, vermelhidão, febre ou náusea, não é o padrão esperado de varicocele e pode indicar outras condições urológicas — algumas delas consideradas emergências — que precisam de avaliação médica imediata, geralmente em pronto-socorro. Esse tipo de quadro não deve ser interpretado como “só a varicocele incomodando” e merece avaliação presencial sem demora.
Varicocele e fertilidade: o que a ciência mostra
A relação entre varicocele e fertilidade masculina é, sem dúvida, o motivo mais frequente pelo qual esse tema chega ao consultório — muitas vezes porque o casal está em investigação de dificuldade para engravidar, e o urologista ou especialista em reprodução encaminha para avaliação vascular.
A varicocele é reconhecida como uma das causas tratáveis mais comuns de infertilidade masculina. O mecanismo proposto envolve, principalmente, o aumento da temperatura escrotal — o acúmulo de sangue nas veias dilatadas eleva discretamente a temperatura local, e os testículos são extremamente sensíveis a variações de temperatura para a produção adequada de espermatozoides. Outros mecanismos discutidos na literatura incluem alterações no fluxo sanguíneo local, acúmulo de substâncias que podem gerar estresse oxidativo nos tecidos e refluxo de metabólitos vindos de outras regiões do abdômen através da veia renal.
Dito isso, é fundamental calibrar expectativas: nem todo homem com varicocele terá alteração de fertilidade, e muitos homens com varicocele têm filhos sem qualquer dificuldade. A avaliação da fertilidade não se baseia apenas na presença ou ausência de varicocele, mas em um conjunto de exames — principalmente o espermograma, que avalia concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides — interpretados dentro do contexto clínico do casal como um todo.
Varicocele também afeta a produção de testosterona?
Essa é outra dúvida comum. Existem estudos que associam varicoceles maiores, principalmente em homens mais velhos, a níveis discretamente mais baixos de testosterona em comparação a homens sem varicocele — e alguns estudos sugerem que o tratamento da varicocele pode estar associado a uma melhora desses níveis em parte dos pacientes. Ainda assim, essa não costuma ser, isoladamente, a indicação principal para tratar uma varicocele — a decisão de tratamento continua sendo guiada principalmente pelos sintomas, pelo impacto na fertilidade e pelas características do exame de imagem, sempre dentro de uma avaliação individualizada.
Como é feito o diagnóstico
Exame físico
O diagnóstico começa, na maioria das vezes, pelo exame físico, com o paciente em pé, em ambiente com boa iluminação e temperatura adequada (o frio causa contração da bolsa escrotal e pode dificultar a palpação). O médico examina o cordão espermático em repouso e durante a manobra de Valsalva, que aumenta temporariamente a pressão abdominal e evidencia a dilatação das veias quando ela está presente.
Com base nesse exame, a varicocele é classicamente dividida em graus:
- Subclínica: não palpável, identificada apenas em exames de imagem
- Grau I: palpável apenas durante a manobra de Valsalva
- Grau II: palpável em repouso, sem necessidade de Valsalva, mas não visível
- Grau III: visível a olho nu através da pele do escroto, mesmo sem palpação
Ultrassom com Doppler escrotal
Para confirmar o diagnóstico, avaliar o calibre das veias e medir a intensidade e a duração do refluxo venoso, o exame de imagem de escolha é a ultrassonografia com Doppler da bolsa escrotal. É um exame indolor, rápido, sem radiação, e que costuma ser feito também com a manobra de Valsalva durante a avaliação, para “flagrar” o refluxo no momento em que ele acontece.
O Doppler também é importante para o diagnóstico diferencial — ou seja, para distinguir a varicocele de outras alterações da bolsa escrotal que podem se apresentar de forma parecida ao toque, como veremos a seguir.
Diagnóstico diferencial: o que mais pode parecer varicocele
Algumas condições podem gerar dúvida inicial, especialmente para quem está se autoexaminando e percebeu algo “diferente”:
- Hidrocele: acúmulo de líquido em volta do testículo, formando um “balão” que aumenta o volume do escroto, geralmente indolor e sem o aspecto de “emaranhado de veias”
- Espermatocele: um pequeno cisto, geralmente acima do testículo, com líquido contendo espermatozoides, que se apresenta como um nódulo bem definido
- Cisto de epidídimo: semelhante à espermatocele, localizado no epidídimo
- Hérnia inguinoescrotal: quando uma alça intestinal ou tecido abdominal desce pelo canal inguinal até o escroto, podendo gerar volume e desconforto, geralmente associado a esforço
- Nódulos testiculares: qualquer nódulo firme, fixo, indolor, dentro do próprio testículo (e não no cordão) merece avaliação prioritária, já que esse é o padrão de apresentação mais comum de tumores testiculares — que, embora bem menos frequentes que a varicocele, precisam ser investigados sempre que identificados
Esse é, talvez, o ponto mais importante deste artigo do ponto de vista de segurança: qualquer alteração nova percebida nos testículos — seja um nódulo, um aumento de volume ou uma mudança de consistência — merece avaliação médica, justamente para que o profissional diferencie entre as possibilidades, a maioria delas benignas, mas que precisam ser corretamente identificadas.
Quando tratar — e quando apenas acompanhar
Nem toda varicocele precisa de tratamento. Essa é uma informação que costuma trazer alívio para muitos pacientes, que chegam ao consultório já preocupados com a ideia de precisar de uma cirurgia.
De forma geral, as situações em que o tratamento costuma ser considerado incluem:
- Dor ou desconforto significativo, persistente, que interfere na rotina e não melhora com medidas simples (como uso de sungas de sustentação e evitar longos períodos em pé)
- Alterações de fertilidade documentadas por espermograma, dentro de uma investigação mais ampla do casal, em que a varicocele seja considerada um fator relevante
- Redução progressiva e documentada do volume testicular do lado afetado, principalmente quando identificada em adolescentes e jovens, fase em que o desenvolvimento testicular ainda está em curso
Fora dessas situações, o acompanhamento clínico periódico — com exame físico e, eventualmente, Doppler de controle — costuma ser a conduta adequada, sem necessidade de intervenção.
Opções de tratamento
Embolização percutânea
A embolização é um procedimento minimamente invasivo, realizado por um cirurgião vascular ou radiologista intervencionista. Um cateter fino é introduzido através de uma pequena punção, geralmente na virilha ou no braço, e guiado por imagem até a veia espermática dilatada. Uma vez posicionado, o médico libera pequenas espirais metálicas (coils) e/ou substâncias esclerosantes que ocluem a veia “por dentro”, redirecionando o fluxo sanguíneo para outras vias.
Características gerais do procedimento:
- Não exige cortes — apenas uma punção
- Geralmente realizado em regime ambulatorial, com anestesia local e sedação leve
- Recuperação habitualmente rápida, com retorno às atividades leves em poucos dias
- Pequeno hematoma no local da punção pode ocorrer, sendo geralmente autolimitado
Cirurgia (varicocelectomia)
A varicocelectomia consiste na ligadura cirúrgica das veias dilatadas do plexo pampiniforme, preservando a artéria testicular, os vasos linfáticos e os nervos da região — daí a importância de a técnica ser realizada com magnificação (lupa ou microscópio) em muitos centros, o que é chamado de microcirurgia.
Pode ser realizada por diferentes acessos:
- Subinguinal ou inguinal (microcirúrgica): pequena incisão na região da virilha, com identificação individual de cada veia a ser ligada sob magnificação
- Retroperitoneal: acesso mais alto, próximo à origem da veia espermática
- Laparoscópica: realizada por pequenas incisões no abdômen, com auxílio de câmera
A escolha entre embolização e cirurgia — e, dentro da cirurgia, qual técnica e acesso — depende de fatores anatômicos individuais, da experiência do serviço e de eventuais procedimentos anteriores. Não existe uma técnica universalmente “melhor”; existe a técnica mais adequada para cada caso, definida após avaliação individual.
Recuperação e cuidados após o tratamento
Independentemente da técnica escolhida, alguns cuidados gerais costumam ser orientados no período após o procedimento:
- Uso de sunga ou cueca de sustentação por um período determinado, para reduzir o balanço e o desconforto local
- Evitar esforço físico intenso, levantamento de peso e atividades que aumentem a pressão abdominal por algumas semanas, conforme orientação
- Aplicação de compressas frias nas primeiras 24 a 48 horas, se houver indicação, para reduzir inchaço e desconforto
- Atenção a sinais de alerta, como febre, vermelhidão importante, secreção ou dor que piora progressivamente — que devem ser comunicados ao médico
Quando o motivo do tratamento envolveu investigação de fertilidade, é comum que o controle com espermograma seja repetido após alguns meses, já que a produção de espermatozoides segue um ciclo de aproximadamente três meses — ou seja, não é um parâmetro que se altera de um dia para o outro.
Possíveis complicações — informação, não promessa
Como qualquer procedimento médico, tanto a embolização quanto a cirurgia têm possíveis complicações, mesmo que pouco frequentes, e que variam de paciente para paciente. Entre elas, podem ser citadas: recidiva (retorno da varicocele), formação de hidrocele no pós-operatório, infecção local, e, mais raramente, lesão de estruturas vizinhas. A conversa sobre riscos específicos do seu caso deve ser feita individualmente com o médico responsável, antes de qualquer decisão.
Mitos comuns sobre varicocele
“Varicocele sempre causa infertilidade”
Não. A maioria dos homens com varicocele tem fertilidade normal. A avaliação é individual.
“Se não dói, não precisa nem saber que tenho”
A presença ou ausência de dor não define, isoladamente, a necessidade de tratamento — mas saber que você tem varicocele é útil, especialmente se houver planos de ter filhos no futuro, para que o acompanhamento seja feito de forma proativa.
“Exercício físico causa varicocele”
O exercício físico não é causa da varicocele. Esforços que aumentam muito a pressão abdominal de forma crônica podem, eventualmente, tornar uma varicocele já existente mais perceptível, mas isso é diferente de “causar” a condição.
“Só precisa operar se for grau III”
O grau (I, II ou III) descreve o tamanho/visibilidade da varicocele, mas a decisão de tratar é baseada em sintomas, impacto na fertilidade e evolução — não apenas no grau isoladamente. Existem varicoceles grau III sem indicação de tratamento e varicoceles menores com indicação, dependendo do contexto.
Varicocele em adolescentes: um cenário particular
A varicocele costuma se manifestar pela primeira vez durante a puberdade, período em que o fluxo sanguíneo para os testículos aumenta significativamente junto com o crescimento testicular. Por isso, é relativamente comum que ela seja identificada em exames de rotina do pediatra ou em avaliações esportivas de adolescentes.
Nessa faixa etária, a principal preocupação não é a fertilidade imediata — que ainda não é uma questão prática — mas sim o desenvolvimento testicular. Por isso, quando uma varicocele é identificada em um adolescente, costuma-se acompanhar o volume dos dois testículos ao longo do tempo, geralmente por meio de medidas comparativas (clinicamente ou por ultrassom). Se houver uma diferença de volume progressiva entre os dois lados, associada à varicocele, esse é um dos cenários em que o tratamento pode ser considerado já nessa fase, justamente para preservar o potencial de desenvolvimento do testículo afetado.
É importante que os pais entendam que a maioria dos adolescentes com varicocele não vai precisar de tratamento na adolescência — o acompanhamento é o que permite identificar, entre a maioria que não precisa de intervenção, os poucos casos em que ela é indicada.
Comparando as abordagens: embolização x cirurgia, lado a lado
Para ajudar a visualizar as diferenças entre as duas principais formas de tratamento, veja um comparativo geral — lembrando que a indicação específica para o seu caso depende de avaliação individual:
| Aspecto | Embolização percutânea | Cirurgia (varicocelectomia) |
|---|---|---|
| Tipo de acesso | Punção (sem corte) | Incisão cirúrgica |
| Anestesia | Local + sedação leve | Local, regional ou geral, conforme técnica |
| Regime | Ambulatorial | Ambulatorial ou internação curta |
| Preservação de estruturas | Não manipula diretamente artéria/linfáticos | Depende da técnica; microcirurgia busca preservar artéria e linfáticos |
| Indicação em casos de anatomia complexa | Pode ser limitada por variações anatômicas da veia | Geralmente viável independente da anatomia venosa |
Essa tabela tem finalidade apenas educativa e não substitui a avaliação médica, que vai considerar a anatomia individual, exames de imagem e a experiência do serviço para recomendar a abordagem mais adequada.
Cuidados gerais e prevenção: o que está (e o que não está) ao seu alcance
Diferente das varizes de membros inferiores, em que hábitos como atividade física, controle de peso e meias de compressão têm papel relevante na prevenção, a varicocele tem um componente anatômico e genético muito forte, que não pode ser modificado por hábitos de vida. Ainda assim, algumas orientações gerais fazem sentido para quem já tem o diagnóstico:
- Uso de sungas ou cuecas de sustentação no dia a dia e, principalmente, durante atividade física, pode reduzir o desconforto em quem sente “peso” ao final do dia
- Evitar ficar muito tempo em pé sem pausas, quando possível, pode reduzir sintomas em quem já é sintomático
- Manter consultas de rotina com urologista ou cirurgião vascular permite identificar precocemente qualquer mudança no quadro
- Autoexame testicular regular ajuda a identificar não apenas a varicocele, mas qualquer outra alteração de volume, consistência ou presença de nódulos, que deve ser sempre comunicada ao médico
Não existe evidência de que dieta, suplementos ou exercícios específicos previnam o aparecimento da varicocele — e qualquer produto ou prática anunciada com essa promessa deve ser vista com cautela.
Varicocele e saúde vascular geral: existe alguma relação?
Uma pergunta que ocasionalmente surge no consultório é se ter varicocele “indica” que a pessoa vai ter varizes nas pernas, ou vice-versa. A resposta é: existe uma sobreposição de fatores de risco — predisposição genética para fragilidade valvular venosa é um deles —, então não é incomum que a mesma pessoa apresente as duas condições ao longo da vida. Porém, uma não causa a outra diretamente, e ter uma não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a outra.
Da mesma forma, assim como discutimos no artigo sobre varizes nas pernas: o que são, causas, sintomas e tratamentos, o ponto em comum entre as duas condições é que ambas fazem parte do espectro de doenças relacionadas ao funcionamento das válvulas venosas — e, em ambos os casos, a avaliação por um cirurgião vascular, com o exame de Doppler adequado para cada região, é o caminho para esclarecer o diagnóstico e definir a conduta.
Mais dois pontos importantes para encerrar
“Eu tenho varicocele há anos e nunca tratei — ainda posso fazer alguma coisa?” Sim. Não existe um “prazo de validade” para a avaliação. Mesmo quem já convive com a varicocele há muito tempo pode (e, em geral, deve) passar por uma reavaliação, especialmente se houver mudança nos sintomas, planos de ter filhos, ou simplesmente para ter um diagnóstico atualizado com os exames disponíveis hoje.
“Tenho vergonha de falar sobre isso com o médico.” Esse sentimento é comum, mas vale lembrar: para o cirurgião vascular e o urologista, a varicocele é uma condição rotineira, discutida com a mesma naturalidade clínica que qualquer outra alteração vascular. Quanto antes a conversa acontecer, mais cedo as dúvidas — sejam elas sobre sintomas, fertilidade ou estética — podem ser esclarecidas.
Perguntas frequentes
Varicocele dói?
Na maioria das vezes, não causa nenhum sintoma. Quando causa, costuma ser uma sensação de peso ou desconforto na bolsa escrotal, principalmente no final do dia, que melhora ao se deitar. Dor súbita e intensa não é o padrão típico e merece avaliação imediata.
Varicocele sempre afeta a fertilidade?
Não. Muitos homens com varicocele têm fertilidade normal. A relação entre varicocele e fertilidade é avaliada caso a caso, geralmente com o espermograma, dentro da investigação do casal.
Toda varicocele precisa ser operada?
Não. O tratamento costuma ser considerado quando há dor significativa, alteração de fertilidade associada à varicocele ou redução progressiva do volume testicular. Fora desses cenários, o acompanhamento periódico costuma ser suficiente.
Como a varicocele é diagnosticada?
Por exame físico em pé, com manobra de Valsalva, e confirmação por ultrassom com Doppler da bolsa escrotal, que mostra o calibre das veias e o grau de refluxo, além de ajudar a descartar outras causas para o achado.
Varicocele pode voltar depois do tratamento?
Sim, a recidiva é uma possibilidade descrita tanto após embolização quanto após cirurgia, embora não seja o desfecho mais comum. A chance de recidiva e a conduta nesse caso devem ser discutidas individualmente com o médico.
Varicocele direita é mais grave que a esquerda?
Não necessariamente “mais grave”, mas merece atenção diferente: como é bem menos comum, a varicocele isolada do lado direito costuma motivar uma investigação de imagem mais ampla para descartar causas secundárias, como massas ou compressões no abdômen.
Existe alguma forma de prevenir a varicocele?
Não existe uma forma comprovada de prevenir o aparecimento da varicocele, já que ela está relacionada principalmente a fatores anatômicos e genéticos. O que está ao nosso alcance é o diagnóstico precoce por meio de exames de rotina e o acompanhamento adequado quando ela já está presente.
Quanto tempo leva para perceber melhora na fertilidade após o tratamento?
Como a produção de espermatozoides segue um ciclo de cerca de três meses, a reavaliação por espermograma costuma ser feita após esse intervalo. Resultados podem variar de paciente para paciente, e a melhora — quando ocorre — costuma ser avaliada em conjunto com o especialista em reprodução que acompanha o casal.
Resumo: o que levar deste artigo
A varicocele é uma condição vascular comum, com mecanismo semelhante ao das varizes de membros inferiores, e que na maioria das vezes não causa sintomas. Quando presentes, os sintomas costumam ser leves e relacionados à posição corporal. Sua relevância clínica está, principalmente, na possível relação com fertilidade masculina e, em casos selecionados, com desconforto crônico ou alteração no crescimento testicular.
O diagnóstico é simples — exame físico e Doppler escrotal — e a decisão de tratar (por embolização ou cirurgia) depende de uma avaliação individualizada, considerando sintomas, fertilidade e características anatômicas. Se você sente desconforto na bolsa escrotal, percebeu alguma alteração de volume ou está em investigação de fertilidade, vale conversar com um cirurgião vascular para entender o seu caso específico.
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Sobre o autor: Dr. Luís Antonio Dotta — Médico especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular (CRM-SP 65772), com mais de 30 anos de atuação em São Paulo. Atendimento nas unidades Lapa, Vila Maria e Santo Amaro.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui, em hipótese alguma, a consulta médica presencial, o diagnóstico ou o tratamento profissional. Cada paciente é único e os resultados de tratamentos podem variar significativamente de paciente para paciente. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada da sua condição de saúde.
Publicado em: junho de 2026 | Última revisão: junho de 2026






