Artérias do Braço: Doenças, Dor e Quando Avaliar com Cirurgião Vascular
Quando falamos em doenças vasculares dos membros superiores, a maioria das pessoas não pensa nos braços — afinal, varizes, trombose e má circulação são mais frequentemente associados às pernas. Mas os braços têm um sistema arterial e venoso igualmente complexo, que pode ser afetado por doenças que causam dor, inchaço, formigamento, mudança de cor e, nos casos mais graves, isquemia do membro. Neste artigo vou explicar a anatomia das artérias do braço, as principais doenças que as afetam e quando uma avaliação com cirurgião vascular é necessária.
Anatomia das artérias do braço

O suprimento arterial dos membros superiores começa na artéria subclávia, que parte do arco aórtico (à esquerda) ou do tronco braquiocefálico (à direita) e passa abaixo da clavícula. Ao atingir a axila, passa a se chamar artéria axilar, e ao descer pelo braço, torna-se a artéria braquial — a principal artéria do braço, facilmente palpável na face interna do cotovelo (onde o médico mede a pressão arterial).
Na altura do cotovelo, a artéria braquial se divide em duas artérias principais:
- Artéria radial: percorre o antebraço pelo lado do polegar, sendo facilmente palpável no punho — é onde medimos o pulso radial
- Artéria ulnar: percorre o lado do dedo mínimo, sendo também palpável no punho
As artérias radial e ulnar formam arcos palmares na mão, que dão origem às artérias que irrigam os dedos. Qualquer obstrução em qualquer ponto desse trajeto pode comprometer a circulação do braço, antebraço ou mão — com consequências que variam de desconforto a isquemia grave.
Doenças que afetam as artérias do braço
Doença arterial periférica dos membros superiores

Embora muito menos comum que nos membros inferiores, a aterosclerose pode afetar as artérias dos braços — especialmente a artéria subclávia. A estenose (estreitamento) da artéria subclávia pode causar:
- Diferença de pressão arterial entre os dois braços (mais de 10-15 mmHg de diferença é clinicamente significativa)
- Cansaço e dor no braço ao elevar o membro ou durante esforços com o braço (claudicação do membro superior)
- Síndrome do roubo da subclávia: quando a artéria subclávia está muito estreitada, o fluxo sanguíneo pode ser “roubado” da artéria vertebral para irrigar o braço durante o esforço — causando tontura, visão turva ou outros sintomas neurológicos ao usar o braço intensamente
Síndrome do desfiladeiro torácico (SDT)
É uma condição em que as estruturas neurovasculares — artérias, veias e nervos do plexo braquial — são comprimidas na passagem estreita entre a clavícula, a primeira costela e os músculos escalenos. Pode causar:
- Dor no ombro, pescoço e braço
- Formigamento e dormência, especialmente nos dedos (4º e 5º dedos mais frequentemente)
- Fraqueza do braço
- Mudança de cor da mão (palidez, cianose)
- Em casos graves, trombose da artéria ou veia subclávia
Afeta mais frequentemente adultos jovens e pessoas que realizam atividades com os braços elevados repetidamente (atletas de natação, lançadores, músicos). O diagnóstico é clínico, com testes posicionais específicos, complementado por exames de imagem vasculares e neurológicos.
Fenômeno de Raynaud
É uma condição em que as artérias dos dedos têm espasmos (contrações) em resposta ao frio ou ao estresse emocional, causando episódios de mudança de cor característica nos dedos:
- Fase branca (palidez): vasoespasmo e redução do fluxo
- Fase azul (cianose): sangue desoxigenado estagnado
- Fase vermelha (hiperemia): retorno do fluxo após o espasmo
Pode ser primário (Doença de Raynaud, idiopático, benigno) ou secundário a doenças autoimunes como esclerodermia, lúpus e artrite reumatoide. O Raynaud secundário tende a ser mais grave e pode levar a úlceras nas pontas dos dedos.
Trombose arterial aguda do membro superior
Obstrução súbita de uma artéria do braço por coágulo — seja por embolia (coágulo vindo do coração, como na fibrilação atrial) ou por trombose local (em artéria com aterosclerose prévia ou por trauma). É uma emergência vascular: causa dor intensa e súbita, palidez, frialdade e perda de sensibilidade no braço afetado. Requer atendimento imediato.
Síndrome do aprisionamento da artéria braquial
Menos comum que nos membros inferiores, mas pode ocorrer em atletas jovens — compressão da artéria braquial por estruturas musculares anômalas durante movimentos específicos, causando claudicação do braço ao esforço.
Aneurisma de artéria subclávia ou braquial
Dilatação de uma artéria do membro superior — pode ser assintomática ou causar massa pulsátil palpável no pescoço ou axila, embolização para os dedos (causando cianose ou gangrena de dedos) ou trombose. Mais frequentemente associado a síndrome do desfiladeiro torácico ou a trauma.
Veias do braço: quando também há problema
Além das artérias, as veias dos membros superiores também podem ser afetadas:
Trombose venosa dos membros superiores (Trombose de Paget-Schroetter)
Trombose na veia subclávia ou axilar — pode ocorrer espontaneamente em atletas jovens após esforço intenso com o braço (trombose de esforço), associada à síndrome do desfiladeiro torácico, ou relacionada a cateteres venosos centrais (como PICC ou port-a-cath). Causa inchaço, vermelhidão e peso no braço afetado. Tratamento com anticoagulação e, em casos selecionados, trombólise.
Trombose por cateter
Uma das causas mais comuns de trombose venosa de membros superiores atualmente. Cateteres venosos centrais inseridos na veia subclávia ou jugular podem causar irritação e coagulação da veia ao redor do cateter.
Dor no braço: quando pode ser vascular?
A dor no braço é um sintoma frequente com muitas causas possíveis — ortopédicas, neurológicas, musculares e vasculares. Os padrões que sugerem causa vascular incluem:
- Dor que aparece durante o esforço com o braço e melhora com o repouso: sugestiva de claudicação do membro superior por obstrução arterial
- Mudança de cor nos dedos (palidez, cianose) desencadeada pelo frio: sugestiva de fenômeno de Raynaud
- Inchaço do braço inteiro, com tensão e peso: sugestiva de trombose venosa de membro superior
- Dor intensa e súbita com frialdade e palidez do braço: isquemia arterial aguda — emergência médica
- Diferença de pulso entre os dois punhos: sugere obstrução arterial assimétrica
- Dor no ombro e braço que piora com os braços elevados ou em determinadas posições: pode ser síndrome do desfiladeiro torácico
Quando a dor no braço é emergência cardíaca
É fundamental mencionar: dor no braço esquerdo irradiando do peito, acompanhada de aperto no peito, suor, náuseas ou falta de ar, pode ser sinal de infarto do miocárdio — e é uma emergência médica absoluta. Procure atendimento de emergência imediatamente nessa situação, sem esperar. Essa dor tem origem cardíaca (isquemia do músculo cardíaco), não vascular periférica.
Como é feito o diagnóstico das doenças vasculares do braço
A investigação de doenças vasculares dos membros superiores combina:
- Medida da pressão arterial nos dois braços: diferença significativa entre os lados sugere obstrução arterial
- Palpação dos pulsos: radial, ulnar, braquial, axilar — avalia a perviedade das artérias
- Teste de Allen: avalia a perviedade das artérias radial e ulnar e a comunicação entre elas nos arcos palmares
- Doppler arterial e venoso de membros superiores: avalia fluxo, velocidades, presença de trombose ou obstrução
- Angiotomografia ou angiorressonância: para planejamento de intervenções ou avaliação anatômica detalhada
- Capilaroscopia: exame que avalia os capilares da base das unhas — especialmente útil no diagnóstico de Raynaud secundário a doenças autoimunes
Tratamento das doenças vasculares do braço
- Estenose de subclávia: angioplastia com stent ou cirurgia de revascularização, com controle dos fatores de risco cardiovasculares
- Síndrome do desfiladeiro torácico: fisioterapia na maioria dos casos; cirurgia (ressecção da primeira costela ou estrutura compressora) em casos selecionados
- Fenômeno de Raynaud primário: medidas de proteção contra o frio, vasodilatadores quando necessário
- Raynaud secundário: tratamento da doença de base + vasodilatadores + proteção
- Trombose venosa de membro superior: anticoagulação, e avaliação de trombólise em casos selecionados
- Isquemia arterial aguda: cirurgia de urgência (embolectomia) ou trombólise — tempo é determinante
Avaliação de doenças vasculares do braço em SP
O Dr. Luís Dotta (CRM 65772/SP – RQE 28296) realiza avaliação e tratamento de doenças vasculares dos membros superiores em três unidades em São Paulo:
📍 Lapa – WhatsApp 📍 Vila Maria – WhatsApp 📍 Santo Amaro – WhatsApp

Perguntas Frequentes
Quais são as principais artérias do braço?
A artéria subclávia (abaixo da clavícula), axilar (na axila), braquial (no braço — onde se mede a pressão), radial e ulnar (no antebraço, palpáveis no punho).
O que é o fenômeno de Raynaud?
É um vasoespasmo das artérias dos dedos desencadeado pelo frio ou estresse, causando episódios de mudança de cor (branco, azul, vermelho). Pode ser benigno (primário) ou sinal de doença autoimune (secundário).
Dor no braço esquerdo sempre é problema no coração?
Não sempre, mas dor no braço esquerdo associada a aperto no peito, suor e falta de ar deve ser tratada como emergência cardíaca. Causas vasculares periféricas e ortopédicas também podem causar dor no braço.
O que é síndrome do desfiladeiro torácico?
É a compressão das estruturas neurovasculares (artérias, veias e nervos) na passagem entre a clavícula e a primeira costela, causando dor, formigamento e mudança de cor no braço — especialmente em posições elevadas.
Trombose pode acontecer no braço?
Sim — tanto trombose arterial (mais rara, geralmente embolia de origem cardíaca) quanto trombose venosa (especialmente em atletas ou associada a cateter venoso central) podem ocorrer nos membros superiores.
Como é medida a pressão nos dois braços?
Com esfigmomanômetro, da mesma forma que a pressão habitual. Diferença acima de 10-15 mmHg entre os dois braços pode indicar obstrução arterial na subclávia do lado com pressão mais baixa.
Qual médico avalia doenças vasculares do braço?
O cirurgião vascular é o especialista indicado para diagnóstico e tratamento das doenças arteriais e venosas dos membros superiores.
Dedos que ficam brancos ou azuis no frio é normal?
Não é normal. Pode ser fenômeno de Raynaud, que quando frequente e intenso merece avaliação — especialmente para descartar doença autoimune subjacente (Raynaud secundário).
Dor no braço ao levantar os braços tem causa vascular?
Pode ter — a síndrome do desfiladeiro torácico causa exatamente esse padrão. Mas causas neurológicas e ortopédicas (síndrome do impacto do ombro, compressão cervical) também devem ser investigadas.
Isquemia do braço é emergência?
Sim — dor intensa e súbita com braço frio, pálido e sem pulso é uma emergência vascular que requer atendimento imediato. O tempo para revascularização determina o prognóstico do membro.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui a consulta médica presencial. Cada paciente é único. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada.
Dr. Luís Antonio Dotta — CRM-SP 65772 / RQE 28296. Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular.







