Lesão Ulcerada na Pele: O Que É, Causas e Diagnóstico Vascular
Você notou uma ferida aberta na pele que não cicatriza — ou recebeu no laudo o diagnóstico de “lesão ulcerada” sem entender bem o que isso significa. O termo “lesão ulcerada” é um descritor clínico e de imagem usado para qualquer ferida aberta com perda de substância da pele (e às vezes dos tecidos mais profundos). É diferente de uma simples arranhadura ou bolha: uma lesão ulcerada implica perda real de tecido, bordas definidas e, frequentemente, dificuldade de cicatrização.
Neste artigo vou explicar o que são as lesões ulceradas, por que as causas vasculares são fundamentais para entender por que elas não fecham, como o diagnóstico é feito e por que a investigação com Doppler vascular é frequentemente necessária.
O que é uma lesão ulcerada?

Em medicina, uma úlcera (ou lesão ulcerada) é uma solução de continuidade da pele ou mucosa com perda de substância que se estende além da camada mais superficial da epiderme. Ao contrário de uma erosão (que é superficial e cicatriza rapidamente), a úlcera envolve a derme e pode atingir o tecido subcutâneo, músculos e até ossos em casos avançados.
O termo “lesão ulcerada” é usado tanto clinicamente (pelo médico no exame físico) quanto nos laudos de imagem (tomografia, ressonância, ultrassom) para descrever esse tipo de ferida aberta com perda tecidual.
Por que as lesões ulceradas não cicatrizam?
A cicatrização normal depende de um suprimento adequado de sangue — que entrega oxigênio, nutrientes e células de reparo ao local da ferida. Quando esse suprimento está comprometido, a ferida não consegue cicatrizar independentemente de quantas trocas de curativo se façam.
Por isso, as principais causas de lesões ulceradas crônicas são vasculares:
- Excesso de pressão venosa (insuficiência venosa crônica) — o ambiente de alta pressão impede a nutrição adequada dos tecidos → úlcera venosa
- Falta de fluxo arterial (doença arterial periférica) — os tecidos não recebem oxigênio suficiente → úlcera arterial
- Neuropatia com microangiopatia (diabetes) — perda da sensibilidade + comprometimento microvascular → úlcera diabética
Entender a causa é o primeiro e mais importante passo — sem tratar a causa, nenhum curativo resolverá definitivamente a lesão ulcerada.
Lesão ulcerada x ferida simples: qual a diferença?

- Ferida simples (corte, arranhão): perda de continuidade da pele que cicatriza normalmente em dias a semanas, com progressão previsível pelas fases de cicatrização
- Lesão ulcerada crônica: ferida aberta que persiste por mais de 4 a 6 semanas sem sinais de progressão para fechamento, geralmente com causa subjacente que impede a cicatrização normal
Causas vasculares de lesão ulcerada
Úlcera venosa (varicosa)
É a causa mais frequente — responsável por 60-80% das lesões ulceradas crônicas nas pernas. Localiza-se preferencialmente na região do tornozelo interno (maléolo medial), tem bordas irregulares e planas, é frequentemente pouco dolorosa e está associada a sinais de insuficiência venosa crônica (varizes, dermatite ocre, edema). Melhora com elevação das pernas e compressão.
Úlcera arterial
Causada pela doença arterial periférica. Localiza-se nas extremidades distais — dedos, calcâneos, maléolos laterais. Tem bordas bem definidas, fundo pálido, é muito dolorosa (especialmente à noite) e piora com elevação das pernas. Pulsos diminuídos ou ausentes ao exame físico.
Úlcera diabética (neuropática)
Aparece em pontos de pressão da planta do pé — embaixo dos metatarsos, no calcâneo. Frequentemente indolor pela neuropatia, com fundo profundo e bordas calososas. Alto risco de infecção e progressão para osteomielite (infecção do osso). Qualquer lesão ulcerada no pé de diabético é uma emergência relativa que requer avaliação imediata.
Úlcera mista (venosa + arterial)
Coexistência dos dois mecanismos — mais comum em idosos. Exige avaliação combinada do sistema venoso e arterial antes de qualquer tratamento, pois a compressão elástica (essencial para úlcera venosa) pode ser prejudicial quando há componente arterial significativo.
Úlcera hipertensiva (de Martorell)
Causa infrequente mas importante de lesão ulcerada extremamente dolorosa na face lateral da perna, em pacientes com hipertensão arterial de longa data e mal controlada. A dor desproporcional ao tamanho da lesão é uma característica marcante.
Causas não vasculares de lesão ulcerada
Nem toda lesão ulcerada tem causa vascular — embora em muitos casos a investigação vascular ainda seja necessária para descartar componente circulatório:
- Vasculite: inflamação dos vasos por doença autoimune (lúpus, artrite reumatoide, vasculite ANCA-associada) — causa úlceras frequentemente múltiplas, com bordas violáceas
- Pioderma gangrenoso: doença inflamatória da pele — úlceras de rápida progressão com bordas violáceas irregulares (“minadas”), frequentemente associadas a doenças inflamatórias intestinais
- Úlcera de pressão (escara): em pacientes acamados, por isquemia localizada por pressão prolongada
- Neoplasia maligna: carcinoma basocelular ulcerado, carcinoma espinocelular, melanoma ulcerado, ou transformação maligna de úlcera crônica (úlcera de Marjolin) — sempre considerar em úlceras atípicas ou de longa evolução
- Infecções: leishmaniose cutânea, tuberculose cutânea, micoses profundas
Como o laudo de imagem usa o termo “lesão ulcerada”
Nos laudos de tomografia, ressonância e ecografia, o termo “lesão ulcerada” é usado de formas diferentes:
- Em laudos de pele e partes moles: descreve a ferida aberta com perda de substância visível
- Em laudos de artérias: “placa ulcerada” ou “ateromatose com ulceração” refere-se a uma placa aterosclerótica com ruptura da superfície — um sinal de instabilidade que aumenta o risco de embolização e AVC nas carótidas
- Em laudos digestivos/endoscópicos: “lesão ulcerada gástrica” refere-se à úlcera péptica — contexto completamente diferente
Por isso, quando você recebe um laudo com “lesão ulcerada”, é fundamental saber em qual contexto o termo está sendo usado — e o médico é quem integra essa informação com o quadro clínico completo.
Investigação vascular das lesões ulceradas
A avaliação completa de uma lesão ulcerada crônica inclui:
- Exame físico: localização, tamanho, bordas, fundo, pele ao redor, temperatura, palpação de pulsos arteriais
- Índice tornozelo-braquial (ITB): medida da pressão no tornozelo vs braço — obrigatório antes de qualquer compressão elástica para descartar isquemia arterial
- Doppler venoso: identifica insuficiência venosa e refluxo como causa
- Doppler arterial: avalia fluxo arterial e descarta obstrução significativa
- Glicemia e HbA1c: rastreamento de diabetes não diagnosticado
- Biópsia da borda: quando há suspeita de malignidade, vasculite ou causa infecciosa
- Cultura de secreção: quando há sinais de infecção para orientar antibiótico
Princípios do tratamento das lesões ulceradas vasculares
- Tratar a causa: sem corrigir a insuficiência venosa (escleroterapia, laser, cirurgia) ou a obstrução arterial (revascularização), a lesão não cicatriza de forma definitiva
- Desbridamento: remoção de tecido necrótico ou desvitalizado que impede a cicatrização
- Curativo adequado: ambiente úmido (favorece cicatrização), absorção do excesso de exsudato, proteção contra infecção
- Compressão: essencial para úlceras venosas — mas contraindicada em isquemia arterial grave
- Controle de fatores sistêmicos: glicemia, nutrição, anemia, pressão arterial
→ Tipos de Úlcera nas Pernas: Como Diferenciar
→ Úlcera Varicosa: Ferida na Perna que Não Cicatriza
→ Pé Diabético: Cuidados e Como Prevenir Amputação
Lesão na perna que não fecha? Avalie com Doppler em SP
O Dr. Luís Dotta (CRM 65772/SP – RQE 28296) avalia e trata lesões ulceradas vasculares em três unidades em São Paulo:
📍 Lapa – WhatsApp 📍 Vila Maria – WhatsApp 📍 Santo Amaro – WhatsApp

Perguntas Frequentes
O que é lesão ulcerada?
É uma ferida aberta com perda de substância da pele que se estende além da camada superficial, frequentemente com dificuldade de cicatrização por causa subjacente — especialmente vascular.
Lesão ulcerada na perna tem cura?
Com tratamento adequado da causa, sim. A maioria das lesões ulceradas vasculares cicatriza quando a causa — insuficiência venosa ou obstrução arterial — é corrigida.
Lesão ulcerada é a mesma coisa que úlcera?
Sim — são termos equivalentes. “Lesão ulcerada” é a descrição clínica ou de imagem de uma úlcera.
Por que a lesão ulcerada na perna não fecha?
Porque a cicatrização depende de fluxo sanguíneo adequado. Quando há insuficiência venosa ou doença arterial comprometendo esse fluxo, a ferida não consegue cicatrizar — independentemente do curativo usado.
Como saber se a lesão ulcerada é vascular?
A localização (tornozelo interno → venosa; extremidades distais → arterial; planta do pé → diabética), características da dor e sinais associados orientam. O Doppler e o ITB confirmam a causa vascular.
Lesão ulcerada no laudo de imagem é grave?
Depende do contexto. Em laudo de artéria, “placa ulcerada” indica instabilidade com maior risco de AVC. Em laudo de pele, descreve a ferida aberta. O médico interpreta conforme o contexto.
Preciso de cirurgia para lesão ulcerada?
Não necessariamente. Muitas lesões ulceradas venosas cicatrizam com compressão e tratamento das varizes por escleroterapia ou laser. Lesões arteriais podem precisar de revascularização.
Qual médico tratar lesão ulcerada na perna?
O cirurgião vascular é o especialista principal quando há causa vascular. O dermatologista avalia causas dermatológicas. Em diabéticos, a equipe multidisciplinar (vascular, endocrinologista, podologista) é ideal.
Lesão ulcerada pode ser câncer?
Raramente — mas lesões de longa evolução, atípicas, com bordas irregulares ou que não respondem ao tratamento adequado merecem biópsia para descartar transformação maligna.
Diabetes causa lesão ulcerada na perna?
Sim — a neuropatia diabética elimina a dor de aviso e a microangiopatia compromete a cicatrização, tornando diabéticos muito mais suscetíveis a lesões ulceradas graves, especialmente nos pés.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui a consulta médica presencial. Cada paciente é único. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada.
Dr. Luís Antonio Dotta — CRM-SP 65772 / RQE 28296. Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular.









