Veia Gonadal: O Que É, Insuficiência e Relação com Varizes Pélvicas
A veia gonadal é um vaso que a maioria das pessoas nunca ouviu falar — até receber um laudo de ultrassom ou ressonância com o achado de “veia ovariana dilatada” ou “insuficiência de veia gonadal”. Esse achado pode ser a chave para explicar uma dor pélvica crônica que há muito tempo não encontra diagnóstico, ou para entender a origem de varizes pélvicas e vulvares. Neste artigo vou explicar o que são as veias gonadais, o que acontece quando ficam dilatadas e como esse problema se trata.
O que são as veias gonadais?

As veias gonadais são vasos responsáveis pelo retorno venoso dos órgãos reprodutores (gônadas) ao sistema venoso central. Existem duas, uma de cada lado:
- Veia ovariana direita: drena o ovário direito e vai diretamente para a veia cava inferior
- Veia ovariana esquerda: drena o ovário esquerdo e vai para a veia renal esquerda (não diretamente para a cava)
Essa diferença anatômica tem consequências clínicas importantes: a veia ovariana esquerda tem um trajeto mais longo e um ângulo de inserção mais desfavorável para o retorno venoso, o que explica por que a insuficiência da veia gonadal é mais frequente do lado esquerdo.
Em homens, as veias equivalentes são as veias testiculares (espermáticas). Quando dilatadas, causam a varicocele — condição conhecida especialmente por sua relação com a fertilidade masculina.
Insuficiência de veia gonadal: o que significa?
Quando as válvulas da veia gonadal falham, o sangue não sobe eficientemente em direção ao coração — e parte reflui de volta para a pelve. Esse refluxo aumenta progressivamente a pressão nas veias pélvicas e ovarianas, que se dilatam formando as chamadas varizes pélvicas ou varizes ovarianas.
Esse processo é análogo ao que acontece nas pernas com a insuficiência venosa crônica e as varizes dos membros inferiores — mas localizado na pelve, o que faz com que os sintomas sejam completamente diferentes e frequentemente confundidos com causas ginecológicas.
Síndrome de congestão pélvica

A consequência mais importante da insuficiência da veia gonadal é a síndrome de congestão pélvica — uma das principais causas de dor pélvica crônica em mulheres em idade fértil, ainda muito subdiagnosticada.
A dor pélvica da síndrome de congestão pélvica tem características próprias que a diferenciam de outras causas ginecológicas:
- Piora ao ficar em pé ou sentada por muito tempo — a posição ortostática aumenta a pressão venosa pélvica
- Melhora quando deitada, especialmente com as pernas elevadas
- Piora antes e durante a menstruação — as variações hormonais do ciclo afetam o tônus venoso
- Piora após relações sexuais (dispareunia pós-coital)
- Sensação de peso ou pressão no baixo ventre, mais que dor aguda
- Pode irradiar para a coxa, especialmente na face interna
- Frequentemente associada a varizes visíveis na vulva, virilha ou face interna das coxas
Quem tem mais risco de insuficiência de veia gonadal?
- Mulheres que tiveram múltiplas gestações: a gravidez aumenta o volume sanguíneo e a pressão pélvica, sobrecarregando as veias gonadais a cada gestação
- Histórico familiar de varizes: a predisposição genética à fragilidade das válvulas venosas afeta também as veias gonadais
- Síndrome de May-Thurner ou Nutcracker: compressões venosas na pelve ou no nível renal podem elevar a pressão na veia ovariana esquerda, favorecendo a insuficiência
- Síndrome do ovário policístico (SOP): pode estar associada em alguns casos
Relação com varizes nas pernas e na vulva
A insuficiência da veia gonadal frequentemente “escapa” para fora da pelve através de conexões venosas com as veias das pernas — especialmente pela veia safena magna, pelo ramo obturatório e por veias perivulvares. Isso explica alguns cenários clínicos interessantes:
- Varizes na vulva que aparecem ou pioram durante a gravidez e que persistem após o parto
- Varizes na face interna da coxa sem refluxo safeno identificado no Doppler — pois a “fonte” é a veia gonadal, não a safena
- Recorrência de varizes nas pernas após cirurgia, quando a causa pélvica não foi identificada e tratada
- Vasinhos na virilha de difícil resolução
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da insuficiência de veia gonadal e das varizes pélvicas pode ser desafiador, pois as veias pélvicas não são facilmente visualizadas pelo Doppler convencional:
Ultrassom pélvico com Doppler transvaginal
Permite visualizar veias ovarianas dilatadas (acima de 5-6 mm de diâmetro são consideradas patológicas) e avaliar o refluxo com manobras específicas (Valsalva). É o exame de primeira linha, especialmente disponível e pouco invasivo.
Angiotomografia ou angiorressonância pélvica
Exames de imagem que fornecem visão tridimensional das veias pélvicas e ovarianas — essenciais para o planejamento do tratamento endovascular. A angiorressonância tem a vantagem de não usar contraste iodado.
Venografia pélvica diagnóstica
Injeção de contraste diretamente nas veias pélvicas por cateter — o padrão histórico de diagnóstico, hoje frequentemente realizado de forma combinada com o tratamento endovascular no mesmo procedimento.
Tratamento da insuficiência de veia gonadal
Embolização pélvica
É o tratamento de escolha para a síndrome de congestão pélvica por insuficiência de veia gonadal. É um procedimento endovascular minimamente invasivo:
- Um cateter é introduzido pela veia femoral (na virilha) ou pela veia jugular (no pescoço)
- O cateter é avançado até as veias gonadais sob controle de imagem
- Molas metálicas (coils) ou substâncias esclerosantes são injetadas para ocluir as veias dilatadas e com refluxo
- O procedimento é feito sob anestesia local com sedação, sem necessidade de cirurgia aberta
- Alta geralmente no mesmo dia ou no dia seguinte
As taxas de melhora da dor pélvica com embolização são boas — estudos mostram redução significativa ou eliminação da dor em grande parte das pacientes tratadas, embora os resultados variem individualmente.
Tratamento cirúrgico
A ligadura cirúrgica das veias gonadais era o tratamento histórico e ainda é realizada em alguns casos — especialmente quando há necessidade de cirurgia pélvica por outra razão, ou quando o acesso endovascular não é tecnicamente possível.
Tratamento das varizes vulvares e de membros inferiores
Após o tratamento da causa pélvica (embolização), as varizes vulvares e as varizes nas coxas de origem pélvica podem ser abordadas com escleroterapia — geralmente após um intervalo de algumas semanas para permitir a cicatrização das veias embolizadas.
Avaliação de insuficiência de veia gonadal e varizes pélvicas em SP
O Dr. Luís Dotta (CRM 65772/SP – RQE 28296) avalia e realiza embolização pélvica em três unidades em São Paulo:
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Perguntas Frequentes
O que é veia gonadal?
São as veias que drenam os ovários (nas mulheres) ou os testículos (nos homens) de volta ao sistema venoso central. A veia ovariana direita drena para a veia cava; a esquerda drena para a veia renal esquerda.
Veia gonadal dilatada é grave?
Depende dos sintomas associados. Veia gonadal dilatada pode ser assintomática ou causar síndrome de congestão pélvica com dor crônica intensa. A avaliação vascular define a conduta.
Insuficiência de veia gonadal causa dor?
Sim — pode causar síndrome de congestão pélvica, com dor no baixo ventre que piora ao ficar em pé, antes da menstruação e após relações sexuais, melhorando ao deitar.
Veia gonadal tem relação com varizes nas pernas?
Sim. A insuficiência gonadal pode “escapar” para as veias das pernas por conexões venosas, causando varizes na virilha, coxa interna e vulva, por vezes sem refluxo safeno identificado no Doppler.
Como é tratada a insuficiência de veia gonadal?
A embolização pélvica por cateter é o tratamento de escolha — minimamente invasivo, com altas taxas de melhora dos sintomas de congestão pélvica.
Veia gonadal dilatada aparece no ultrassom?
Sim — o ultrassom pélvico com Doppler transvaginal pode identificar veias ovarianas dilatadas. A angiotomografia e a angiorressonância fornecem avaliação mais completa para planejamento do tratamento.
Gravidez piora a insuficiência de veia gonadal?
Sim — cada gestação pode agravar o problema, pela sobrecarga de volume e pressão sobre as veias pélvicas.
Qual médico trata insuficiência de veia gonadal?
O cirurgião vascular intervencionista é o especialista para embolização pélvica. O diagnóstico frequentemente envolve também o ginecologista, que descarta outras causas de dor pélvica crônica.
Embolização pélvica dói?
O procedimento é feito sob anestesia local com sedação, sendo bem tolerado. Pode haver desconforto pélvico nos dias seguintes, que melhora com analgésicos simples.
Veia gonadal masculina é a varicocele?
Sim — a varicocele é a dilatação da veia espermática (equivalente masculino da veia gonadal) e pode causar desconforto escrotal e impacto na fertilidade masculina.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui a consulta médica presencial. Cada paciente é única. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada.
Dr. Luís Antonio Dotta — CRM-SP 65772 / RQE 28296. Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular.







