Sinal de Pratt: O Que É e Relação com Trombose Venosa Profunda
No exame clínico de um paciente com suspeita de trombose venosa profunda (TVP), o médico realiza uma série de manobras específicas para avaliar sinais que possam indicar a presença de coágulo nas veias profundas da perna. Um desses sinais é o sinal de Pratt — menos conhecido pelo público leigo, mas parte do arsenal semiológico vascular. Neste artigo vou explicar o que é o sinal de Pratt, como é realizado, o que significa quando positivo e quais são suas limitações diagnósticas — contextualizando-o no diagnóstico moderno da TVP.
O que é o sinal de Pratt?

O sinal de Pratt é um achado do exame físico descrito por George Henry Pratt, cirurgião vascular americano que contribuiu significativamente para o entendimento clínico das doenças venosas no início do século XX. O sinal consiste na presença de veias superficiais dilatadas e proeminentes ao longo da panturrilha — especialmente na face posterior da perna — que aparecem como circulação colateral em resposta à obstrução das veias profundas por um coágulo (trombo).
Em outras descrições, o sinal de Pratt também é associado à dor ao pressionar firmemente a panturrilha em posição anteroposterior — manobra semelhante ao sinal de Moses, outra variação dos sinais clínicos de TVP.
A lógica fisiológica por trás do sinal é simples: quando as veias profundas da panturrilha estão obstruídas por um coágulo, o sangue precisa de uma rota alternativa para retornar ao coração — e as veias superficiais assumem parte desse papel, dilatando-se progressivamente. Essa dilatação das veias superficiais da panturrilha como resposta à obstrução profunda é o que constitui o “sinal de Pratt”.
Como o médico avalia o sinal de Pratt
O exame é realizado com o paciente deitado em decúbito dorsal. O médico inspeciona e palpa a panturrilha — especialmente a face posterior — em busca de:
- Veias superficiais anormalmente dilatadas e visíveis na panturrilha, sem correspondência com varizes pré-existentes
- Sensibilidade aumentada ao longo do trajeto das veias superficiais dilatadas
- Assimetria entre as duas panturrilhas — sinal de Pratt presente em apenas um lado sugere processo unilateral, compatível com TVP
Diferentemente do sinal da bandeira (sinal de Homans), que é provocado por dorsiflexão do pé, o sinal de Pratt é mais um achado de inspeção e palpação — buscando a dilatação venosa superficial como circulação colateral.
Diferença entre sinal de Pratt e outros sinais clínicos de TVP

Existem vários sinais clínicos descritos na suspeita de TVP — e frequentemente há confusão entre eles na literatura e na prática. Veja as principais diferenças:
- Sinal de Homans / Sinal da Bandeira: dor na panturrilha provocada pela dorsiflexão passiva do pé com joelho estendido. É o mais conhecido, mas tem baixa especificidade e sensibilidade
- Sinal de Pratt: dilatação das veias superficiais da panturrilha como circulação colateral — achado de inspeção
- Sinal de Moses: dor à compressão anteroposterior (não lateral) da panturrilha
- Sinal de Lisker: dor à percussão (batida) sobre a crista da tíbia
- Empastamento de panturrilha: tensão e endurecimento muscular à palpação — achado menos específico mas clinicamente relevante
Todos esses sinais compartilham uma característica importante: nenhum deles, isoladamente, tem sensibilidade e especificidade suficientes para confirmar ou descartar TVP com confiança. São achados que, somados ao contexto clínico e aos fatores de risco, aumentam ou diminuem a probabilidade pré-teste de TVP — mas o Doppler venoso permanece como o exame definitivo.
Limitações do sinal de Pratt no diagnóstico atual
Com o advento do Doppler venoso de alta resolução — disponível, rápido, não invasivo e altamente preciso —, os sinais clínicos isolados perderam muito de sua relevância diagnóstica independente. O que mudou:
- O Doppler identifica diretamente o coágulo nas veias profundas com sensibilidade acima de 95% para TVP proximal
- Os sinais clínicos são muito inespecíficos — podem estar presentes em lesão muscular, cãimbra, insuficiência venosa, flebite superficial e outras condições
- A abordagem moderna usa escores validados (Escore de Wells para TVP) que ponderam múltiplos fatores — não apenas sinais físicos isolados
Dito isso, o sinal de Pratt e os demais sinais clínicos ainda têm valor como parte do raciocínio clínico integrado — especialmente em contextos com acesso limitado ao Doppler ou na triagem inicial do paciente.
O Escore de Wells para TVP: a abordagem moderna
O diagnóstico contemporâneo da TVP baseia-se no Escore de Wells, que inclui:
- Câncer ativo (+1)
- Paralisia ou imobilização recente do membro (+1)
- Internação ou cirurgia recente (+1)
- Sensibilidade localizada ao longo das veias profundas (+1)
- Inchaço de toda a perna (+1)
- Diferença de circunferência da panturrilha acima de 3 cm (+1)
- Edema com cacifo (+1)
- Veias superficiais colaterais — não varicosas (+1): este item se relaciona diretamente com o conceito do sinal de Pratt
- TVP prévia (+1)
- Diagnóstico alternativo tão provável quanto TVP (-2)
Note que a presença de veias superficiais colaterais — o conceito central do sinal de Pratt — é um dos itens do escore de Wells, somando 1 ponto à probabilidade clínica de TVP.
Quando suspeitar de TVP e fazer Doppler
A suspeita de TVP deve surgir quando há:
- Inchaço assimétrico de uma perna — especialmente se súbito
- Dor na panturrilha sem causa aparente — especialmente com fatores de risco presentes
- Empastamento de panturrilha
- Veias superficiais da panturrilha dilatadas de forma nova e assimétrica (sinal de Pratt positivo)
- Calor e vermelhidão na perna afetada
- Fatores de risco: cirurgia recente, imobilidade, câncer, anticoncepcional, gravidez, viagem longa
A presença de qualquer combinação desses achados — especialmente em pacientes com fatores de risco — justifica a realização de Doppler venoso com urgência.
O que fazer se o sinal de Pratt for positivo
- Não massagear a perna — pode deslocar fragmentos do coágulo
- Buscar avaliação médica com urgência
- Realizar Doppler venoso de membros inferiores
- Calcular o Escore de Wells para estratificar a probabilidade clínica
- Considerar D-dímero conforme a probabilidade calculada
Se houver falta de ar ou dor no peito associadas à dor ou inchaço na perna, procure emergência imediatamente — pode ser embolia pulmonar.
→ Sinal da Bandeira Positivo: TVP e Limitações
→ Empastamento de Panturrilha e Trombose
→ TVP: O Que É, CID e Diagnóstico
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Perguntas Frequentes
O que é o sinal de Pratt?
É um achado do exame físico na suspeita de TVP — presença de veias superficiais dilatadas na panturrilha como circulação colateral em resposta à obstrução das veias profundas por coágulo.
Sinal de Pratt confirma TVP?
Não isoladamente. Como todos os sinais clínicos de TVP, tem baixa especificidade — pode estar presente em outras condições. O Doppler venoso é o exame que confirma o diagnóstico.
Qual a diferença entre sinal de Pratt e sinal de Homans?
O sinal de Homans é dor provocada pela dorsiflexão do pé. O sinal de Pratt é a dilatação das veias superficiais da panturrilha como circulação colateral — achado de inspeção, não de manobra provocada.
Sinal de Pratt está no escore de Wells?
O conceito central do sinal de Pratt — veias superficiais colaterais não varicosas — é um dos itens do Escore de Wells para TVP, valendo 1 ponto na probabilidade clínica.
Sinal de Pratt negativo descarta TVP?
Não. Muitas TVPs não apresentam veias superficiais colaterais visíveis, especialmente nos estágios iniciais. Um sinal negativo não descarta TVP quando há outros fatores de risco e sintomas.
Qual exame confirma TVP definitivamente?
O Doppler venoso de membros inferiores — identifica o coágulo, sua localização e extensão com alta precisão.
Sinal de Pratt e sinal de Moses são iguais?
Não são iguais — o sinal de Moses é dor à compressão anteroposterior da panturrilha, enquanto o sinal de Pratt refere-se primariamente à dilatação das veias superficiais como circulação colateral.
Por que os sinais clínicos de TVP têm baixa especificidade?
Porque as mesmas alterações (dor, endurecimento, dilatação venosa) podem ser causadas por lesão muscular, flebite superficial, insuficiência venosa e outras condições — sem TVP.
O que fazer se suspeitar de TVP?
Buscar avaliação médica com urgência, não massagear a perna suspeita, realizar Doppler venoso e, se houver falta de ar ou dor no peito associadas, ir à emergência imediatamente.
Qual médico avalia sinais clínicos de TVP?
O cirurgião vascular e angiologista é o especialista indicado para diagnóstico (com Doppler) e tratamento da TVP.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui a consulta médica presencial. Cada paciente é único. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada.
Dr. Luís Antonio Dotta — CRM-SP 65772 / RQE 28296. Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular.









