Varizes na Vulva: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento
As varizes na vulva são muito mais comuns do que a maioria das mulheres imagina — e muito menos faladas do que deveriam ser. Estima-se que até 22% das grávidas desenvolvam varizes na vulva durante a gestação, e uma parcela significativa das mulheres em idade fértil — independente da gravidez — tem varizes na vulva associadas a varizes pélvicas não diagnosticadas.
No consultório, é comum receber pacientes com desconforto pélvico há meses, que nunca associaram os sintomas a varizes na vulva, ou que sabiam da condição mas nunca encontraram um especialista que soubesse tratar. As varizes na vulva têm tratamento eficaz — e o diagnóstico correto muda completamente a qualidade de vida dessas pacientes.
O que são Varizes na Vulva
Varizes na vulva — também chamadas de varizes vulvares, varizes genitais ou varizes perineais — são veias dilatadas localizadas nos grandes lábios, nos pequenos lábios, no períneo ou nas nádegas. Resultam de hipertensão venosa na pelve: quando a pressão dentro das veias pélvicas aumenta, ela se propaga para as veias genitais, que dilatam progressivamente.
As varizes na vulva fazem parte de um espectro mais amplo de doença venosa pélvica — frequentemente são a manifestação externa visível de varizes pélvicas internas (veias ovarianas e uterinas incompetentes). Tratar apenas as varizes na vulva sem tratar a causa pélvica resulta em recidiva precoce.
Por que as Varizes na Vulva Aparecem
As varizes na vulva têm origem na hipertensão venosa pélvica. Os principais mecanismos:
Gravidez — Principal Causa
A gravidez é a causa mais frequente de varizes na vulva. Três fatores se somam: o útero crescente comprime as veias ilíacas e ovarianas, reduzindo o retorno venoso pélvico; a progesterona relaxa as paredes venosas; e o volume sanguíneo aumenta 40 a 50%. A combinação gera hipertensão venosa pélvica que se manifesta externamente como varizes na vulva.
Insuficiência das Veias Ovarianas
Fora da gravidez, a causa mais comum de varizes na vulva é a insuficiência das veias ovarianas — especialmente a esquerda, que tem anatomia desfavorável (drena para a veia renal em ângulo reto, ao contrário da direita que drena direto na veia cava). Válvulas ovarianas incompetentes permitem refluxo do sangue de volta para a pelve, aumentando a pressão nas veias genitais e causando varizes na vulva.
Síndrome de May-Thurner e Nutcracker
A síndrome de May-Thurner (compressão da veia ilíaca esquerda) e a síndrome de Nutcracker (compressão da veia renal esquerda) causam hipertensão venosa pélvica que frequentemente se manifesta como varizes na vulva. Nesses casos, o tratamento das varizes na vulva deve sempre incluir a correção da causa compressiva.
Outros Fatores de Risco
- Multiparidade — o risco de varizes na vulva aumenta a cada gestação
- Predisposição genética para fragilidade venosa
- Prolongada posição em pé — trabalhos que exigem longas horas estáticas aumentam a pressão venosa pélvica
- Excesso de peso — sobrecarrega o sistema venoso pélvico
Sintomas das Varizes na Vulva
Os sintomas das varizes na vulva variam de leves a incapacitantes. O padrão postural é característico: os sintomas pioram ao longo do dia com a posição em pé e melhoram claramente ao deitar — especialmente com elevação dos quadris.
- Sensação de peso, pressão ou “inchaço” na região genital — pior ao final do dia, após longas horas em pé ou sentada
- Dor ou desconforto pélvico e perineal — pode ser constante em casos avançados de varizes na vulva
- Dispareunia — dor durante ou após relações sexuais, especialmente na penetração profunda. É um dos sintomas mais impactantes das varizes na vulva
- Dor pós-coital — que pode durar horas após a relação, causada pela congestão venosa pélvica agravada pelo ato sexual
- Veias visíveis e palpáveis nos grandes lábios, períneo ou nádegas — o aspecto visual das varizes na vulva pode causar constrangimento significativo
- Alívio ao deitar ou elevar os quadris — sinal diagnóstico importante das varizes na vulva
- Piora pré-menstrual — os hormônios do ciclo afetam o tônus venoso e agravam os sintomas de varizes na vulva
Diagnóstico das Varizes na Vulva
O diagnóstico das varizes na vulva exige uma abordagem específica — não basta o exame ginecológico convencional. O cirurgião vascular é o especialista que deve ser consultado para investigação completa.
Exame Físico
O exame das varizes na vulva deve ser feito com a paciente em pé — as veias ficam mais visíveis pela pressão hidrostática. O cirurgião avalia a distribuição, o calibre e a extensão das varizes na vulva, além de pesquisar varizes nas nádegas e face interna das coxas que indiquem origem pélvica.
Doppler Pélvico com Valsalva
Exame de triagem indispensável para varizes na vulva — avalia o refluxo nas veias ovarianas durante a manobra de Valsalva (esforço abdominal). Deve ser especificamente solicitado com essa técnica — ultrassom pélvico convencional sem Doppler e sem Valsalva frequentemente não identifica a causa das varizes na vulva.
Angiotomografia ou AngioRM Pélvica
Mapeia com precisão a extensão das varizes pélvicas, identifica o calibre das veias ovarianas e descarta causas compressivas. Fundamental para planejamento do tratamento das varizes na vulva por embolização.
Venografia Pélvica Seletiva
Padrão-ouro para diagnóstico e tratamento simultâneo das varizes na vulva. Cateterismo das veias ovarianas com medição de pressão e injeção de contraste — confirma o diagnóstico e pode ser seguido imediatamente pela embolização.
Diferencial das Varizes na Vulva — O que Pode Ser Confundido
Os sintomas das varizes na vulva se sobrepõem a várias condições ginecológicas e são frequentemente confundidos. O diagnóstico de varizes na vulva pode demorar anos porque:
- Endometriose: também causa dor pélvica crônica e dispareunia, mas a dor é geralmente mais intensa na menstruação e não melhora com a posição deitada como nas varizes na vulva
- Síndrome do intestino irritável: dor abdominal com padrão de melhora e piora, mas não tem o componente postural característico das varizes na vulva
- Cistite intersticial: dor pélvica com sintomas urinários, mas sem as veias visíveis e o alívio postural das varizes na vulva
- Dor pélvica funcional: diagnóstico de exclusão — muitas pacientes classificadas como dor pélvica funcional têm varizes na vulva como causa não investigada
O dado diagnóstico mais valioso para distinguir varizes na vulva das outras condições é o padrão postural: melhora clara ao deitar e piora ao ficar em pé — reflexo direto da redução da pressão venosa pélvica com a horizontalização.
Tratamento das Varizes na Vulva
O tratamento das varizes na vulva depende da causa identificada. Tratar apenas as veias visíveis sem corrigir a hipertensão venosa pélvica resulta em recidiva precoce das varizes na vulva.
Durante a Gravidez
As varizes na vulva na gestação são tratadas conservadoramente:
- Meia-calça de compressão graduada de cintura alta — modelos específicos para gestantes com abertura abdominal. A compressão deve chegar à região pélvica para ser eficaz nas varizes na vulva
- Suspensório perineal: suporte mecânico específico para varizes na vulva e hemorroidas na gravidez
- Elevação dos quadris ao repouso — almofada sob os quadris ao deitar
- Evitar longos períodos em pé — pausas frequentes com elevação pélvica
- Procedimentos invasivos são contraindicados durante a gravidez — o tratamento definitivo das varizes na vulva fica para após o parto e amamentação
Embolização das Veias Pélvicas — Tratamento de Referência para Varizes na Vulva
Para varizes na vulva fora da gravidez com causa pélvica identificada, a embolização endovascular das veias ovarianas é o tratamento de referência. É o procedimento que ataca a raiz do problema — a insuficiência das veias ovarianas que alimenta as varizes na vulva.
- Realizado por cirurgião vascular intervencionista sob sedação leve
- Punção venosa na virilha ou pescoço — sem cortes
- Cateter navegado até as veias ovarianas incompetentes
- Injeção de espirais metálicas e espuma esclerosante que ocluem as veias
- Procedimento dura 60 a 90 minutos — alta no mesmo dia
- Taxa de melhora dos sintomas de varizes na vulva: 70 a 85% dos casos tratados
Escleroterapia das Varizes na Vulva
Após a embolização das veias pélvicas, as varizes na vulva residuais podem ser tratadas com escleroterapia direta — injeção de espuma esclerosante nas veias vulvares. É um complemento ao tratamento da causa pélvica, não um substituto. Fazer escleroterapia de varizes na vulva sem tratar a causa pélvica resulta em recidiva rápida.
Tratamento Clínico
Para casos leves de varizes na vulva ou enquanto aguarda o tratamento definitivo:
- Medroxiprogesterona: hormônio que reduz o calibre das veias pélvicas — alivia sintomas em muitas pacientes com varizes na vulva
- Meia-calça de alta compressão
- Venoativos (diosmina, hesperidina): reduzem sintomas de congestão venosa
- Medidas posturais: evitar longos períodos em pé, elevar os quadris ao repouso
Varizes na Vulva e a Vida Sexual
A dispareunia — dor nas relações sexuais — causada pelas varizes na vulva tem impacto profundo na vida íntima e no bem-estar emocional da mulher. Casais onde a parceira tem varizes na vulva sintomáticas frequentemente relatam redução significativa da frequência e qualidade das relações antes do diagnóstico.
Após o tratamento bem-sucedido das varizes na vulva com embolização, a dispareunia melhora em 70 a 80% das pacientes. A recuperação da vida sexual é frequentemente citada como o resultado mais significativo pelas pacientes tratadas.
Varizes na Vulva e Gravidez Futura
Uma preocupação frequente: o tratamento das varizes na vulva por embolização afeta a fertilidade? A resposta é: não há evidências de que a embolização das veias ovarianas cause infertilidade — as veias ovarianas não são estruturas essenciais para a ovulação, que ocorre pelos ovários e trompas.
Gestações após embolização de varizes na vulva são relatadas na literatura sem complicações específicas relacionadas ao procedimento. No entanto, cada nova gravidez representa risco de recidiva das varizes na vulva e das varizes pélvicas, pela sobrecarga venosa gestacional — o acompanhamento vascular durante a gestação seguinte é recomendado.
Perguntas Frequentes sobre Varizes na Vulva
Varizes na vulva são perigosas?
As varizes na vulva raramente representam risco de vida. Em casos muito volumosos, pequenos traumas podem causar sangramento — geralmente controlável com pressão local. O maior impacto é na qualidade de vida: a dor pélvica crônica e a dispareunia causadas pelas varizes na vulva podem ser incapacitantes.
As varizes na vulva somem depois do parto?
As varizes na vulva da gravidez frequentemente regridem significativamente nas 4 a 8 semanas após o parto, com a redução do volume sanguíneo e dos hormônios gestacionais. As persistentes — especialmente as associadas a varizes pélvicas estruturais — tendem a permanecer e devem ser tratadas após o fim da amamentação.
Qual médico trata varizes na vulva?
O cirurgião vascular intervencionista é o especialista indicado para diagnóstico e tratamento das varizes na vulva. O ginecologista colabora no diagnóstico diferencial. Para casos com causa pélvica documentada, a embolização é realizada pelo cirurgião vascular endovascular.
Varizes na vulva podem ser confundidas com endometriose?
Sim — ambas causam dor pélvica crônica e dispareunia. A diferença principal é o padrão postural: as varizes na vulva melhoram claramente ao deitar e pioram em pé; a endometriose piora especialmente na menstruação. O Doppler pélvico e a venografia definem o diagnóstico de varizes na vulva.
O convênio cobre o tratamento de varizes na vulva?
A embolização pélvica para tratamento de varizes pélvicas com síndrome de congestão pélvica — que inclui as varizes na vulva — tem cobertura pelos planos regulamentados pela ANS quando há indicação clínica documentada. Entre em contato com o consultório para orientação sobre cobertura pelo seu plano específico.
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⚖️ Aviso Legal: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui a consulta médica presencial. Resultados podem variar de paciente para paciente. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada da sua condição de saúde.
✍️ Dr. Luís Antonio Dotta | CRM 65772/SP | RQE 28296 | Especialista em Angiologia, Cirurgia Vascular e Cirurgia Cardiovascular | Mais de 30 anos de experiência em São Paulo









