Consultório de cirurgião vascular em São Paulo — Dr. Luís Dotta, especialista em varizes e doenças vasculares

Variz no Útero: o que é, sintomas e tratamento da variz uterina

A variz no útero é uma condição muito mais comum do que a maioria das mulheres imagina — e uma das mais subdiagnosticadas. No consultório de cirurgia vascular, recebo com frequência mulheres que carregam anos de dor pélvica crônica, múltiplos exames ginecológicos normais e até laparoscopias sem diagnóstico conclusivo. Quando finalmente o rastreamento vascular identifica a variz no útero e nas veias ovarianas, a explicação para todos aqueles anos de sofrimento finalmente aparece.

A variz no útero — tecnicamente parte da síndrome de congestão pélvica — é uma dilatação das veias uterinas e ovarianas que causa represamento venoso crônico na pelve. É diferente das varizes nas pernas, mas tem o mesmo mecanismo fundamental: válvulas venosas incompetentes que permitem o refluxo e a dilatação progressiva das veias. Neste artigo explico tudo sobre a variz no útero: o que é, por que aparece, quais são os sintomas, como é diagnosticada e quais são as opções de tratamento.


O que é Variz no Útero

A variz no útero é a dilatação das veias uterinas — os vasos que drenam o sangue do útero para as veias ovarianas e ilíacas, e daí para a circulação central. Quando as válvulas dessas veias falham, o sangue refluiu e se acumula na pelve, causando hipertensão venosa pélvica crônica.

A variz no útero raramente ocorre isolada — geralmente faz parte de um quadro mais amplo de varizes pélvicas que inclui dilatação das veias ovarianas, uterinas, parametriais e às vezes das veias ilíacas. O conjunto desses achados em uma mulher com dor pélvica crônica recebe o nome de síndrome de congestão pélvica.


Por que a Variz no Útero Aparece

Gravidez e Multiparidade

A gravidez é o maior fator de risco para a variz no útero. Durante a gestação, o volume sanguíneo aumenta 50%, os hormônios (especialmente a progesterona) relaxam as paredes das veias, e o útero em crescimento comprime as veias ilíacas. Esse conjunto de fatores favorece a dilatação das veias uterinas e ovarianas. Cada gravidez aumenta o risco de desenvolvimento ou piora da variz no útero — mulheres com três ou mais gestações têm risco muito maior.

Insuficiência das Veias Ovarianas

A causa mais frequente da variz no útero é a incompetência das veias ovarianas — especialmente a esquerda. Quando as válvulas da veia ovariana falham, o sangue refluiu de cima para baixo, enchendo as veias pélvicas de forma retrógrada. A veia ovariana esquerda desemboca na veia renal esquerda em ângulo reto — uma anatomia mais desfavorável ao fluxo que a direita, que drena diretamente para a veia cava. Por isso a variz no útero é mais frequente à esquerda.

Síndrome de May-Thurner e Nutcracker

Causas compressivas anatômicas podem gerar hipertensão venosa que se propaga retrogradamente para as veias uterinas, causando variz no útero:

  • Síndrome de May-Thurner: compressão da veia ilíaca esquerda causa hipertensão venosa pélvica que alimenta a variz no útero
  • Síndrome de Nutcracker: compressão da veia renal esquerda entre a aorta e a artéria mesentérica superior causa hipertensão na veia ovariana esquerda, levando à variz no útero

Predisposição Genética e Hormonal

Mulheres com histórico familiar de varizes extensas têm maior risco de desenvolver variz no útero. Os hormônios femininos — especialmente o estrogênio — relaxam a musculatura lisa das paredes venosas. Anticoncepcionais com estrogênio podem piorar a variz no útero em mulheres predispostas.


Sintomas da Variz no Útero

Os sintomas da variz no útero são causados pela hipertensão venosa pélvica crônica — o represamento de sangue na pelve que distende as veias uterinas e os tecidos ao redor:

Dor Pélvica Crônica — O Sintoma Central

A dor pélvica crônica é o sintoma mais frequente e mais impactante da variz no útero. Tem características muito específicas que, quando reconhecidas, apontam diretamente para o diagnóstico:

  • Piora progressiva ao longo do dia com a posição em pé — o peso do sangue acumulado nas veias pélvicas aumenta com a gravidade
  • Melhora clara ao deitar, especialmente com as pernas elevadas — o retorno venoso melhora e a pressão nas veias uterinas cai
  • Piora ao ficar sentada por longos períodos
  • Dor no baixo ventre — em pressão, peso ou cólica de baixa intensidade, diferente da cólica menstrual clássica
  • Duração prolongada — a dor da variz no útero não é episódica como a endometriose — é praticamente diária, variando em intensidade conforme a posição e atividade

Dispareunia — Dor nas Relações Sexuais

A dispareunia — dor durante ou após a relação sexual — é um dos sintomas mais impactantes da variz no útero. A penetração profunda aumenta a pressão sobre as veias pélvicas congestionadas. Muitas mulheres com variz no útero evitam relações sexuais pelo desconforto, com impacto significativo na vida íntima e na autoestima.

Dismenorreia Intensa

A menstruação dolorosa acima do esperado é frequente na variz no útero. A congestão venosa uterina agrava a intensidade das cólicas menstruais. Mulheres com variz no útero frequentemente relatam que a dismenorreia foi o primeiro sintoma percebido, anos antes do diagnóstico.

Varizes Secundárias nas Pernas e Vulva

A variz no útero e as varizes pélvicas frequentemente drenam para os membros inferiores através de conexões venosas pélvicas — veias perineais, glúteas e vulvares. O resultado são varizes na vulva e varizes nas coxas de distribuição atípica (face interna, região perineal). Se você tratou as varizes das pernas e elas voltaram rapidamente, especialmente em distribuição atípica, a variz no útero pode ser a causa não tratada.

Outros Sintomas da Variz no Útero

  • Urgência urinária e polaciúria sem infecção — a congestão venosa comprime a bexiga
  • Síndrome do intestino irritável — dor abdominal e alteração do hábito intestinal por compressão venosa pélvica
  • Dor lombar — especialmente ao final do dia
  • Sensação de peso e pressão no baixo ventre

Variz no Útero vs. Endometriose — Como Diferenciar

A variz no útero é frequentemente confundida com endometriose — ambas causam dor pélvica crônica e dispareunia. A diferença clínica mais importante é o padrão postural da dor:

CaracterísticaVariz no ÚteroEndometriose
Dor pior em pé✅ Sim — característicoNão específico
Dor melhora ao deitar✅ Sim — muito característicoNão específico
Piora na menstruaçãoPiora leve✅ Piora intensa — dismenorreia severa
Dispareunia✅ Presente✅ Presente
Varizes na vulva/coxas✅ FrequenteNão associado
DiagnósticoDoppler pélvico com Valsalva + AngioTCLaparoscopia + RNM pélvica
TratamentoEmbolização pélvicaCirurgia + hormonal

O padrão postural — dor que piora progressivamente ao ficar em pé e melhora claramente ao deitar — é o elemento diagnóstico mais específico da variz no útero e da síndrome de congestão pélvica. A endometriose não tem esse padrão.


Diagnóstico da Variz no Útero

Doppler Pélvico com Valsalva — Exame de Triagem

O Doppler pélvico com manobra de Valsalva é o exame de triagem para a variz no útero. Avalia o refluxo venoso nas veias ovarianas durante o esforço abdominal. É fundamental solicitar especificamente “Doppler pélvico com Valsalva para avaliação de insuficiência das veias ovarianas” — o ultrassom pélvico convencional sem essa técnica frequentemente não identifica a variz no útero.

Critérios diagnósticos no Doppler para variz no útero:

  • Veia ovariana com diâmetro acima de 5 mm
  • Refluxo venoso ao esforço (manobra de Valsalva)
  • Veias uterinas dilatadas no paramétrio
  • Plexo venoso pélvico dilatado ao redor do útero

Angiotomografia ou AngioRM Pélvica

A angiotomografia ou angioressonância pélvica são indicadas para mapear completamente a extensão da variz no útero, o calibre das veias ovarianas e identificar causas compressivas como May-Thurner ou Nutcracker. São fundamentais para o planejamento da embolização.

Venografia Pélvica Seletiva

O padrão-ouro para diagnóstico e tratamento simultâneo da variz no útero. Cateterismo direto das veias ovarianas com injeção de contraste — confirma o diagnóstico e permite realizar a embolização no mesmo procedimento.


Tratamento da Variz no Útero

Embolização Pélvica — Tratamento de Referência

A embolização endovascular das veias ovarianas é o tratamento de escolha para a variz no útero com síndrome de congestão pélvica. Realizado pelo cirurgião vascular intervencionista:

  • Sedação leve — sem anestesia geral
  • Punção venosa na virilha ou no pescoço — sem cortes cirúrgicos
  • Cateter navegado até as veias ovarianas incompetentes sob visão radioscópica
  • Injeção de espirais metálicas (coils) e espuma esclerosante que ocluem as veias que alimentam a variz no útero
  • Procedimento dura 60 a 90 minutos
  • Alta no mesmo dia ou internação de uma noite
  • Retorno às atividades em 3 a 7 dias
  • Taxa de melhora da dor pélvica da variz no útero: 70 a 85% dos casos

Tratamento Clínico da Variz no Útero

  • Medroxiprogesterona: progestogênio que reduz o calibre das veias pélvicas — alivia sintomas em muitas pacientes com variz no útero por 6 a 12 meses. Não é tratamento definitivo
  • Meia-calça de alta compressão: reduz a hipertensão venosa pélvica e nos membros inferiores — especialmente útil para as varizes secundárias da variz no útero
  • Venoativos (diosmina + hesperidina): auxiliam no controle dos sintomas de congestão pélvica da variz no útero
  • Analgésicos e anti-inflamatórios: controle sintomático da dor — não tratam a causa

Tratamento das Causas Subjacentes

Quando a variz no útero é causada por May-Thurner ou Nutcracker, o tratamento deve incluir a correção da compressão anatômica com stent venoso — além da embolização das veias ovarianas. Tratar apenas a variz no útero sem resolver a causa compressiva resulta em recidiva precoce.


Variz no Útero e Fertilidade

Não há evidência de que a variz no útero cause infertilidade diretamente. A dispareunia e a dor pélvica crônica da variz no útero podem dificultar as relações sexuais e, indiretamente, a concepção. Após a embolização, muitas pacientes relatam melhora significativa da vida íntima. A embolização pélvica não compromete a fertilidade futura — mulheres que engravidaram após o tratamento da variz no útero tiveram gestações normais na grande maioria dos casos.


Variz no Útero na Gravidez

A variz no útero tende a piorar durante a gravidez pela compressão uterina, pelo aumento do volume sanguíneo e pela ação da progesterona. Não representa risco direto ao bebê. Após o parto, os sintomas frequentemente melhoram parcialmente, mas a variz no útero estrutural persiste e tende a piorar com gestações subsequentes. O tratamento definitivo da variz no útero é realizado após o término da amamentação — geralmente 6 a 12 meses após o parto.


Perguntas Frequentes sobre Variz no Útero

O que é variz no útero?

A variz no útero é a dilatação das veias uterinas e ovarianas — geralmente parte de um quadro mais amplo de varizes pélvicas — que causa represamento venoso crônico na pelve. Resulta da insuficiência das válvulas das veias ovarianas, que permitem o refluxo sanguíneo retrógrado. É a causa de até 30% de todos os casos de dor pélvica crônica em mulheres em idade fértil.

Variz no útero tem cura?

A embolização pélvica oferece melhora duradoura em 70 a 85% das pacientes com variz no útero. As veias obliteradas não voltam. Novas varizes podem desenvolver-se se causas subjacentes (May-Thurner, Nutcracker) não forem tratadas, ou com gestações futuras.

Variz no útero aparece no ultrassom comum?

Geralmente não. O ultrassom pélvico convencional sem Doppler e sem manobra de Valsalva frequentemente não identifica a variz no útero. É necessário solicitar especificamente Doppler pélvico com Valsalva para avaliação de insuficiência das veias ovarianas.

Qual médico trata variz no útero?

O cirurgião vascular intervencionista é o especialista principal para a variz no útero — realiza o diagnóstico endovascular e a embolização pélvica. O ginecologista colabora no diagnóstico diferencial com endometriose. O Dr. Luís Dotta atende nas unidades da Lapa, Vila Maria e Santo Amaro em São Paulo.

O convênio cobre o tratamento de variz no útero?

A embolização pélvica para variz no útero com síndrome de congestão pélvica documentada tem cobertura pelos planos regulamentados pela ANS. A documentação adequada — Doppler ou AngioTC com diagnóstico confirmado e relato dos sintomas — é fundamental para a autorização. Os convênios aceitos incluem Iamsp, Hapvida, Bradesco, Ameplan, Cruz Azul e Sagrada Família.

Variz no útero causa sangramento?

A variz no útero pode causar menorragia — menstruação mais abundante — pela congestão venosa uterina que dificulta a hemostasia após o descamamento endometrial. O sangramento espontâneo intenso por ruptura de variz uterina é raro mas pode ocorrer, especialmente durante a gravidez, quando as veias estão muito dilatadas.


Suspeita de Variz no Útero? Avalie com Especialista Vascular

Doppler pélvico + avaliação completa. Três unidades em São Paulo:

🏥 Lapa — Zona Oeste

🏥 Vila Maria — Zona Norte

🏥 Santo Amaro — Zona Sul


Veja Mais


⚖️ Aviso Legal: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui a consulta médica presencial. Resultados podem variar. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada.

✍️ Dr. Luís Antonio Dotta | CRM 65772/SP | RQE 28296 | Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular | Mais de 30 anos de experiência em São Paulo