Úlcera na Pele: tipos, causas vasculares e como tratar
A úlcera na pele é uma das condições que mais impacta a qualidade de vida dos pacientes — e uma das mais frequentes no consultório de cirurgia vascular. Com mais de trinta anos de experiência em São Paulo, posso afirmar que a maioria das úlceras na pele crônicas que chegam ao consultório têm uma causa vascular identificável e tratável. O problema é que durante meses ou anos o paciente foi tratado apenas com curativos — sem nunca investigar por que a úlcera na pele não fechava.
Curativos tratam a úlcera na pele. A causa vascular fecha a úlcera na pele. Sem entender essa distinção, o paciente fica em um ciclo interminável de tratamento local sem resolução. Neste artigo explico o que é a úlcera na pele, os principais tipos, como distinguir cada um pelo aspecto clínico, quando é necessário Doppler e cirurgia vascular, e quais são os tratamentos disponíveis para que a úlcera na pele finalmente cicatrize.
O que é Úlcera na Pele
A úlcera na pele é uma ferida aberta que envolve perda de tecido além da epiderme (camada superficial da pele), expondo a derme ou estruturas mais profundas. Diferencia-se de uma escoriação ou ferida superficial pelo fato de não cicatrizar espontaneamente — a úlcera na pele persiste porque o processo de cicatrização está comprometido pela causa subjacente.
As úlceras na pele crônicas — definidas como aquelas que persistem por mais de 4 a 6 semanas sem cicatrização — têm na grande maioria dos casos uma causa vascular: insuficiência venosa crônica, doença arterial periférica ou diabetes. Identificar corretamente a causa da úlcera na pele é o passo fundamental — porque o tratamento de cada tipo é completamente diferente.
Tipos de Úlcera na Pele — As Principais Causas
1. Úlcera Venosa na Pele — A Mais Comum
A úlcera venosa é responsável por 70 a 80% de todas as úlceras na pele das pernas. Resulta da insuficiência venosa crônica avançada — a hipertensão venosa crônica das varizes não tratadas compromete a nutrição da pele até que qualquer trauma mínimo origine uma úlcera na pele que não fecha.
Características da úlcera na pele venosa:
- Localização: tornozelo interno (maléolo medial) e terço inferior da perna — localização mais específica dessa úlcera na pele
- Bordas irregulares — não perfuradas, sem definição nítida
- Fundo úmido — exsudato amarelado, tecido de granulação avermelhado
- Dor moderada — melhora ao elevar a perna. Oposto da úlcera arterial
- Pele ao redor comprometida: dermatite ocre, lipodermatoesclerose, varizes visíveis
- Pulsos presentes — diferente da arterial
2. Úlcera Arterial na Pele — A Mais Perigosa para o Membro
A úlcera na pele arterial resulta da falta de oxigênio — as artérias obstruídas pela aterosclerose não entregam sangue suficiente. Sem revascularização, a úlcera na pele arterial progride para gangrena e amputação:
- Localização: dedos dos pés, calcâneos, bordas laterais do pé — pontos de pressão arterialmente mais distais
- Bordas regulares — “perfuradas”, como sacabocado — aspecto muito específico dessa úlcera na pele
- Fundo pálido, seco ou necrótico — sem granulação avermelhada
- Dor intensa — piora ao elevar a perna e à noite. O paciente dorme com o pé para baixo para ter alívio pela gravidade
- Pé frio e pálido ao redor da úlcera na pele
- Pulsos ausentes no pé — sinal fundamental
- Histórico de claudicação intermitente
3. Úlcera Diabética na Pele — A que Mais Leva à Amputação
O pé diabético é a causa de mais de 60% das amputações não traumáticas no Brasil. A úlcera na pele diabética combina três mecanismos simultâneos que a tornam especialmente difícil de tratar:
- Neuropatia: o paciente perde a sensibilidade protetora — caminha sobre a úlcera na pele sem sentir dor, piorando continuamente o dano
- Isquemia: a aterosclerose acelerada pelo diabetes reduz o fluxo arterial — a úlcera na pele não recebe oxigênio para cicatrizar
- Imunossupressão relativa: a hiperglicemia compromete os leucócitos — infecção da úlcera na pele se instala e progride rapidamente
A úlcera na pele diabética é indolor por causa da neuropatia — o paciente pode não saber que tem a ferida. Por isso a inspeção diária dos pés em todo diabético é obrigatória: a úlcera na pele diabética só é encontrada se alguém a procurar.
4. Úlcera de Pressão (Escaras) — Úlcera na Pele por Compressão
A úlcera de pressão — popularmente conhecida como escara — é a úlcera na pele causada pela compressão prolongada entre uma proeminência óssea e uma superfície dura. Pacientes acamados ou em cadeira de rodas por longos períodos desenvolvem essa úlcera na pele nos calcâneos, sacro, maléolos e cóccix:
- Grau I: hiperemia que não descora à pressão — sem úlcera na pele ainda
- Grau II: perda parcial da derme — úlcera na pele superficial
- Grau III: perda total da pele com exposição do tecido subcutâneo
- Grau IV: úlcera na pele profunda com exposição de músculo, tendão ou osso
5. Úlcera Mista — Venosa e Arterial
Até 25% das úlceras na pele crônicas têm componente misto — insuficiência venosa e arterial coexistindo no mesmo paciente. São as mais difíceis de tratar. A compressão elástica — pilar do tratamento da úlcera na pele venosa — pode comprometer ainda mais o fluxo arterial já reduzido. O Doppler arterial e venoso antes de qualquer compressão é obrigatório.
6. Outras Causas de Úlcera na Pele
- Úlcera por vasculite: inflamação dos vasos sanguíneos — úlcera na pele múltipla, bilateral, com halo inflamatório intenso. Doenças autoimunes (lúpus, artrite reumatoide)
- Úlcera tropical / leishmaniose: infecção parasitária que causa úlcera na pele característica com borda em moldura
- Pioderma gangrenoso: úlcera na pele de rápida progressão associada a doenças inflamatórias intestinais
- Neoplasia: carcinoma espinocelular, melanoma amelanótico ou metástases podem se apresentar como úlcera na pele
Como Diferenciar os Tipos de Úlcera na Pele
| Característica | Úlcera VENOSA | Úlcera ARTERIAL | Úlcera DIABÉTICA |
|---|---|---|---|
| Localização | Tornozelo interno | Dedos, calcâneo, borda do pé | Pontos de pressão plantar |
| Bordas | Irregulares | Regulares, “perfuradas” | Variável — calo ao redor |
| Fundo | Úmido, granulação | Pálido, seco, necrótico | Profundo, tecido desvitalizado |
| Dor | Moderada — melhora ao elevar | Intensa — piora ao elevar | Ausente (neuropatia) |
| Pele ao redor | Dermatite ocre, varizes | Fria, pálida, sem pelos | Calosidades, ressecamento |
| Pulsos | Presentes | Ausentes ou fracos | Variável |
| ITB | Normal (0,9–1,3) | Reduzido (<0,9) | Variável — pode ser falsamente alto |
| Tratamento principal | Compressão + varizes | Revascularização urgente | Controle glicêmico + descarga |
Diagnóstico da Úlcera na Pele — Avaliação Vascular
Todo paciente com úlcera na pele crônica precisa de avaliação vascular completa — não apenas de curativo. O cirurgião vascular avalia:
Exame Físico Direcionado
- Palpação dos pulsos arteriais — femoral, poplíteo, tibial posterior, pediosa
- Inspeção da localização e das características morfológicas da úlcera na pele
- Avaliação da pele perilesional — dermatite ocre, lipodermatoesclerose, varizes
- Temperatura comparativa das extremidades
- Teste de monofilamento em diabéticos
Índice Tornozelo-Braquial (ITB)
Obrigatório antes de qualquer compressão na úlcera na pele. ITB abaixo de 0,6 contraindica compressão forte. ITB normal (0,9–1,3) confirma que a úlcera na pele pode ser tratada com compressão sem risco de isquemiar o membro.
Doppler Vascular Completo
O Doppler venoso e arterial dos membros inferiores é o exame mais importante na avaliação da úlcera na pele crônica. Identifica o refluxo venoso causador da úlcera na pele venosa e o grau de obstrução arterial da úlcera na pele isquêmica. Sem Doppler, não é possível escolher o tratamento correto.
Biópsia da Borda da Úlcera na Pele
Indicada quando a úlcera na pele tem aspecto atípico, não responde ao tratamento adequado por 3 meses, ou tem bordas crescentes irregulares suspeitas de malignidade. A biópsia exclui neoplasia e vasculite como causas da úlcera na pele.
Tratamento da Úlcera na Pele Venosa
Compressão Elástica — O Pilar
A compressão elástica é o tratamento mais eficaz para a úlcera na pele venosa — reduz a hipertensão venosa que impede a cicatrização. Opções:
- Bota de Unna: atadura com óxido de zinco que endurece ao secar — excelente para a úlcera na pele venosa exsudativa. Trocada 1 a 2 vezes por semana
- Bandagem multicamadas: alta eficácia no controle do edema da úlcera na pele
- Meia de compressão classe III (30–40 mmHg): após cicatrização da úlcera na pele, mantida indefinidamente para prevenir recidiva
Tratamento das Varizes — Cura a Causa da Úlcera na Pele
A compressão controla a úlcera na pele — mas não cura a causa. A escleroterapia de varizes com espuma pode ser realizada mesmo com a úlcera na pele ativa — trata as veias incompetentes enquanto a ferida ainda está aberta, reduzindo a hipertensão e acelerando a cicatrização. Sem tratar as varizes, a úlcera na pele venosa cicatriza e reabre — taxa de recidiva de 70% em 3 anos.
Curativos para a Úlcera na Pele Venosa
- Úlcera na pele limpa com granulação: curativos não aderentes, alginatos ou espumas — mantêm a ferida úmida sem maceração
- Úlcera na pele com biofilme ou fibrina: desbridamento mecânico ou enzimático
- Úlcera na pele infectada: curativo antimicrobiano com prata ou iodo + antibiótico sistêmico
Tratamento da Úlcera na Pele Arterial
A úlcera na pele arterial não cicatriza com curativos — a única forma de fechar uma úlcera na pele isquêmica é restaurar o fluxo arterial:
- Angioplastia com stent: cateter dilata a artéria obstruída — procedimento minimamente invasivo que restaura o fluxo e permite a cicatrização da úlcera na pele
- Bypass arterial: para obstruções longas — ponte de veia safena leva sangue diretamente ao pé. Após o bypass, a úlcera na pele recebe oxigênio e cicatriza
- Desbridamento cirúrgico: remoção do tecido necrótico da úlcera na pele após restabelecimento do fluxo
- Amputação: quando a úlcera na pele arterial evoluiu para gangrena irreversível — cirurgia para controle da sepse
Tratamento da Úlcera na Pele Diabética
- Controle glicêmico rigoroso: HbA1c abaixo de 7% — a hiperglicemia impede a cicatrização da úlcera na pele por múltiplos mecanismos
- Descarga total: retirar completamente a pressão do local da úlcera na pele — órteses de contato total, calçado especial ou cadeira de rodas temporária
- Desbridamento cirúrgico: remoção do tecido desvitalizado da úlcera na pele
- Antibioticoterapia de amplo espectro: infecção da úlcera na pele diabética progride para osteomielite rapidamente
- Revascularização: se ITB abaixo de 0,6 — a isquemia é componente importante na maioria das úlceras na pele diabéticas graves
- Terapia por pressão negativa (TPN): curativo de vácuo que estimula a granulação da úlcera na pele complexa
Úlcera na Pele — Quanto Tempo para Cicatrizar
| Tipo de úlcera na pele | Tempo médio de cicatrização | Condição |
|---|---|---|
| Venosa pequena com compressão | 8 a 12 semanas | Com tratamento adequado das varizes |
| Venosa grande ou infectada | 6 a 12 meses | Pode exigir internação |
| Arterial após revascularização | 4 a 12 semanas | Depende do sucesso da revascularização |
| Diabética sem complicação | 6 a 16 semanas | Com desbridamento e descarga adequados |
| Pressão grau I-II | 2 a 8 semanas | Com reposicionamento e cuidados locais |
Prevenção da Recidiva — Como Evitar que a Úlcera na Pele Volte
A úlcera na pele venosa tem taxa de recidiva de 70 a 80% sem manutenção adequada. Para prevenir que a úlcera na pele abra novamente:
- Meia de compressão permanente: usada todos os dias — é o fator mais importante na prevenção da recidiva da úlcera na pele venosa
- Tratar as varizes subjacentes — a causa raiz da hipertensão venosa que originou a úlcera na pele
- Hidratação intensa da pele perilesional — pele comprometida pela dermatite ocre é frágil e predisposta a nova úlcera na pele
- Proteção contra traumas: calçado adequado, evitar andar descalço
- Controle glicêmico permanente em diabéticos — fundamental para prevenir recidiva da úlcera na pele diabética
- Retorno regular ao cirurgião vascular para acompanhamento
Perguntas Frequentes sobre Úlcera na Pele
O que é úlcera na pele?
Úlcera na pele é uma ferida aberta de difícil cicatrização causada por perda tecidual que ultrapassa a epiderme. Difere de uma ferida superficial por atingir camadas mais profundas e por não cicatrizar espontaneamente sem tratamento da causa subjacente — que na maioria dos casos é vascular.
Qual a diferença entre úlcera venosa e arterial?
A úlcera na pele venosa fica no tornozelo interno, tem bordas irregulares, fundo úmido e dói moderadamente — melhora ao elevar a perna. A úlcera na pele arterial fica nos dedos ou calcâneo, bordas regulares, fundo pálido, dói intensamente e piora ao elevar a perna. O Doppler diferencia as duas com segurança.
Úlcera na pele que não cicatriza tem cura?
Sim — desde que a causa seja tratada. Úlcera na pele venosa cicatriza com compressão e tratamento das varizes. Úlcera na pele arterial cicatriza após revascularização. Úlcera na pele diabética cicatriza com controle glicêmico, desbridamento e descarga. Sem tratar a causa, a úlcera na pele não fecha independentemente do curativo.
Qual médico trata úlcera na pele vascular?
O cirurgião vascular é o especialista principal para úlcera na pele de causa vascular — venosa, arterial ou diabética. Avalia com Doppler, indica revascularização quando necessária e coordena o tratamento multidisciplinar. O Dr. Luís Dotta atende nas unidades da Lapa, Vila Maria e Santo Amaro em São Paulo.
Úlcera na pele pode virar câncer?
Raramente — mas a transformação maligna (Úlcera de Marjolin, carcinoma espinocelular) pode ocorrer em úlceras na pele crônicas com mais de 10 a 20 anos de evolução. Bordas que crescem irregularmente e tecido exuberante numa úlcera na pele antiga devem ser biopsiados.
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⚖️ Aviso Legal: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui a consulta médica presencial. Resultados podem variar. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada.
✍️ Dr. Luís Antonio Dotta | CRM 65772/SP | RQE 28296 | Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular | Mais de 30 anos de experiência em São Paulo



