Pernas com varizes — tratamento cirúrgico e escleroterapia pelo Dr. Luís Dotta em São Paulo

Insuficiência Venosa Crônica: o que é, sintomas, graus e tratamento

A insuficiência venosa crônica é a condição que está por trás de praticamente tudo que trato no consultório de cirurgia vascular — varizes, inchaço, câimbras, dermatite ocre, úlceras venosas. É a causa raiz, o mecanismo fundamental. Com mais de trinta anos de experiência, posso dizer com segurança: a insuficiência venosa crônica é muito mais prevalente do que a maioria imagina — estima-se que afeta 25 a 40% da população adulta brasileira — e muito mais progressiva do que a maioria dos pacientes percebe.

Neste artigo explico exatamente o que é a insuficiência venosa crônica, como ela se desenvolve, quais são os sintomas em cada estágio, como é classificada (sistema CEAP), quais complicações podem surgir se não tratada, e quais são as opções de tratamento disponíveis — do conservador ao cirúrgico.


O que é Insuficiência Venosa Crônica

A insuficiência venosa crônica (IVC) é uma condição em que as veias dos membros inferiores não conseguem retornar o sangue adequadamente para o coração. O mecanismo central é a falha das válvulas venosas — estruturas em forma de “folha” que normalmente impedem o sangue de fluir de volta para baixo pela força da gravidade.

Quando as válvulas ficam incompetentes — por predisposição genética, gravidez, obesidade, posição estática prolongada ou trombose prévia — o sangue refluiu (flui de cima para baixo ao invés de subir). Esse refluxo gera aumento progressivo da pressão dentro das veias superficiais das pernas — a hipertensão venosa crônica — que é o mecanismo de todas as manifestações da insuficiência venosa crônica: varizes, inchaço, manchas, úlceras.


Na prática clínica, costumo explicar aos pacientes que a circulação de volta ao coração nas pernas depende de três mecanismos trabalhando juntos: as válvulas venosas, a contração da panturrilha (a chamada “bomba muscular da panturrilha”) e a pressão negativa gerada pela respiração no tórax. Quando as válvulas falham, a bomba muscular ainda ajuda a empurrar o sangue para cima a cada passo — por isso os sintomas da insuficiência venosa crônica costumam piorar em quem fica muito tempo parado, em pé ou sentado, e aliviam com a caminhada.

É importante diferenciar a insuficiência venosa crônica de um quadro agudo, como a trombose venosa profunda: a IVC se instala e progride ao longo de anos, enquanto a trombose surge de forma súbita e é uma urgência médica. Os dois quadros podem inclusive se relacionar — uma trombose não tratada adequadamente pode evoluir para uma forma grave de insuficiência venosa crônica, chamada síndrome pós-trombótica.

Causas da Insuficiência Venosa Crônica

Insuficiência Venosa Crônica Primária

A forma mais comum de insuficiência venosa crônica. As válvulas venosas falham sem causa identificável — é a predisposição genética que determina a fragilidade da parede venosa e das cúspides valvulares. Filhos de pais com varizes e insuficiência venosa crônica têm risco muito maior de desenvolver a condição.

Isso não significa que quem tem histórico familiar necessariamente desenvolverá a doença, mas justifica um acompanhamento vascular preventivo mais cedo — idealmente já a partir dos primeiros sinais, como vasinhos ou peso nas pernas ao final do dia, em vez de esperar o quadro avançar.

Insuficiência Venosa Crônica Secundária

Causada por dano venoso identificável:

  • Trombose venosa profunda prévia — o coágulo danifica permanentemente as válvulas venosas, causando a síndrome pós-trombótica, a forma mais grave de insuficiência venosa crônica
  • Trauma venoso — cirurgias ou lesões que danificam diretamente as veias e válvulas
  • Compressão venosa extrínseca — tumores, gravidez, síndrome de May-Thurner

Diferenciar a forma primária da secundária importa clinicamente porque a secundária, sobretudo a pós-trombótica, costuma ter refluxo mais extenso e envolvimento do sistema venoso profundo — o que geralmente exige um plano de tratamento mais individualizado do que o de uma insuficiência venosa crônica primária isolada nas veias superficiais.

Fatores de Risco para Insuficiência Venosa Crônica

  • Histórico familiar — principal fator de risco para a insuficiência venosa crônica primária
  • Sexo feminino — 3 a 4 vezes mais prevalente em mulheres pela ação dos hormônios femininos nas paredes venosas
  • Gravidez — cada gestação aumenta o risco de insuficiência venosa crônica
  • Obesidade — aumento da pressão intra-abdominal e sobrecarga no sistema venoso
  • Posição estática prolongada — trabalho em pé ou sentado por muitas horas
  • Idade avançada — a prevalência da insuficiência venosa crônica aumenta com a idade
  • Trombose venosa profunda prévia

Vale notar que nem todos esses fatores podem ser modificados. Histórico familiar, sexo e idade não estão sob nosso controle, mas obesidade, sedentarismo e longos períodos parado em pé ou sentado são fatores em que intervenções simples — perda de peso, pausas ativas a cada hora, uso preventivo de meia de compressão em viagens ou jornadas longas — fazem diferença real na velocidade de progressão da insuficiência venosa crônica.

Sintomas da Insuficiência Venosa Crônica

A insuficiência venosa crônica tem um espectro de sintomas que varia do leve ao grave — e muitos pacientes convivem com os sintomas iniciais por anos sem saber que têm insuficiência venosa crônica. Os sintomas mais comuns:

  • Peso e cansaço nas pernas ao final do dia — frequentemente o primeiro sintoma da insuficiência venosa crônica
  • Ardência e queimação nas pernas e tornozelos
  • Inchaço (edema) nos tornozelos e pés que piora progressivamente ao longo do dia e melhora ao deitar — sinal clássico da insuficiência venosa crônica
  • Câimbras noturnas — a estase venosa da insuficiência venosa crônica altera o metabolismo muscular local
  • Prurido (coceira) na pele das pernas, especialmente ao redor do tornozelo
  • Varizes visíveis — veias dilatadas tortuosas nas pernas e coxas
  • Sensação de pernas pesadas ao acordar que melhora com a movimentação

Um detalhe que costumo reforçar no consultório: a intensidade dos sintomas nem sempre acompanha o tamanho das varizes visíveis. Já avaliei pacientes com vasinhos discretos queixando-se de dor importante, e outros com varizes calibrosas praticamente sem queixas. Por isso a avaliação clínica completa — e não apenas a estética — é o que determina a gravidade real da insuficiência venosa crônica e a urgência do tratamento.

Classificação da Insuficiência Venosa Crônica — Sistema CEAP

A insuficiência venosa crônica é estadiada pelo sistema CEAP — do C0 ao C6 — conforme os achados clínicos:

Grau CEAPAchado clínicoTratamento típico
C0Sem sinais visíveis — apenas sintomasCompressão + medidas preventivas
C1Vasinhos e veias reticularesEscleroterapia de vasinhos
C2Varizes — veias acima de 3mmEscleroterapia de varizes, laser ou cirurgia
C3Edema venoso sem alterações de peleTratamento das varizes + compressão permanente
C4aPigmentação (dermatite ocre) ou eczemaTratamento vascular obrigatório
C4bLipodermatoesclerose ou atrofia brancaTratamento urgente para evitar úlcera
C4cCorona phlebectatica no tornozeloDoppler + tratamento da causa
C5Úlcera venosa cicatrizadaCompressão permanente + manutenção
C6Úlcera venosa ativaTratamento vascular urgente

Na prática, uso a classificação CEAP não apenas para documentar o caso no prontuário, mas para orientar a própria conversa com o paciente: um C1-C2 tem urgência diferente de um C4-C6. Também é essa classificação que costuma embasar a indicação de cobertura por convênios, já que ela documenta objetivamente a gravidade clínica.

Como a Insuficiência Venosa Crônica Evolui Sem Tratamento

A insuficiência venosa crônica é uma doença progressiva. Sem tratamento, a tendência é de piora ao longo dos anos — não de estabilização. A progressão ocorre porque a hipertensão venosa crônica causa dano acumulativo às paredes venosas, à pele e ao tecido subcutâneo:

  1. Vasinhos e varizes aparecem — insuficiência venosa crônica C1-C2
  2. Inchaço progressivo instala-se — C3
  3. A pele começa a mudar: manchas escuras, ressecamento, coceira — C4
  4. Qualquer trauma mínimo pode originar úlcera — C5
  5. Úlcera ativa, de difícil cicatrização — C6 da insuficiência venosa crônica

O tratamento precoce — nos estágios C2 e C3 — é muito mais simples, eficaz e menos oneroso do que tratar a insuficiência venosa crônica avançada com úlceras.


A velocidade dessa progressão varia bastante de pessoa para pessoa — alguns pacientes levam décadas para sair do estágio C1 para o C4, enquanto outros, principalmente com fatores de risco associados como obesidade ou trombose prévia, evoluem em poucos anos. Por isso reforço sempre: o melhor momento para tratar a insuficiência venosa crônica é o mais cedo possível, e não quando a pele já começou a mudar de cor.

Complicações da Insuficiência Venosa Crônica Não Tratada

  • Flebite superficial: inflamação aguda de variz — mais frequente em pacientes com insuficiência venosa crônica avançada. Pode estender-se para veias profundas
  • Trombose venosa profunda: a estase venosa crônica da insuficiência venosa crônica é fator de risco independente para TVP
  • Dermatite ocre e lipodermatoesclerose: deposição de hemossiderina e fibrose da pele — alterações tróficas da insuficiência venosa crônica avançada
  • Úlcera venosa: a complicação mais grave — ferida de cicatrização difícil, recorrente, com impacto devastador na qualidade de vida
  • Variz estourada: sangramento de variz superficial — mais frequente em insuficiência venosa crônica avançada com pele comprometida

A boa notícia é que essas complicações raramente aparecem de uma hora para outra — costumam ser precedidas por sinais de alerta, como inchaço persistente, escurecimento da pele ou coceira constante no tornozelo. Tratar a insuficiência venosa crônica nessa fase intermediária, antes da úlcera venosa se instalar, evita meses de curativos e o impacto emocional de uma ferida crônica exposta.

Diagnóstico da Insuficiência Venosa Crônica

O diagnóstico da insuficiência venosa crônica é predominantemente clínico — baseado nos sintomas e no exame físico com o paciente em pé. O exame complementar mais importante é o Doppler venoso dos membros inferiores:

  • Identifica o refluxo venoso — em quais veias e em qual extensão
  • Mede o calibre das veias safenas incompetentes — define a melhor técnica de tratamento
  • Localiza as perfurantes incompetentes — que comunicam o sistema superficial e profundo
  • Descarta TVP ativa que contraindique o tratamento
  • Avalia o sistema profundo — especialmente na síndrome pós-trombótica

O exame físico para insuficiência venosa crônica é sempre feito com o paciente em pé, nunca deitado — é na posição ortostática que o refluxo venoso se manifesta e as varizes ficam mais evidentes. O Doppler venoso, por sua vez, é indolor, não invasivo e leva entre 20 e 40 minutos: o paciente permanece em pé enquanto o aparelho mapeia o sentido do fluxo sanguíneo em cada segmento das veias safenas, perfurantes e profundas, permitindo localizar com precisão onde está o refluxo.

Não é necessário jejum ou preparo especial para o Doppler venoso — apenas evitar cremes ou hidratantes nas pernas no dia do exame, o que pode atrapalhar o contato do transdutor com a pele.

Tratamento da Insuficiência Venosa Crônica

1. Tratamento Conservador

Para todos os graus de insuficiência venosa crônica, as medidas conservadoras são obrigatórias e complementares ao tratamento ativo:

  • Meia de compressão graduada: o pilar do tratamento conservador da insuficiência venosa crônica. Reduz a hipertensão venosa, controla o edema, alivia sintomas e retarda a progressão
  • Elevação das pernas: 15 a 20 cm acima do coração por 20-30 minutos, 3-4x ao dia
  • Exercício físico: caminhada, natação, ciclismo — ativam a bomba muscular da panturrilha
  • Controle do peso
  • Venoativos (diosmina, hesperidina): auxiliam no controle dos sintomas da insuficiência venosa crônica

Esses cuidados não revertem o refluxo venoso já instalado, mas são essenciais em qualquer estágio — inclusive depois de um tratamento definitivo, como manutenção. Costumo orientar que a meia de compressão seja calçada pela manhã, antes de o inchaço se instalar, e retirada apenas à noite, para obter o efeito preventivo máximo ao longo do dia.

2. Escleroterapia para Insuficiência Venosa Crônica

A escleroterapia de varizes com espuma é indicada nos casos de insuficiência venosa crônica com varizes de médio calibre sem safena muito dilatada. Trata os vasos incompetentes por reação química, sem cirurgia. A escleroterapia de vasinhos trata as telangiectasias.

O procedimento é feito em consultório, sem necessidade de anestesia geral ou afastamento das atividades, e costuma ser repetido em algumas sessões espaçadas até o fechamento completo dos vasos tratados.

3. Laser Endovenoso (EVLT)

O laser endovenoso fecha a veia safena magna incompetente com energia luminosa de dentro para fora — sem incisões, sem anestesia geral. É minimamente invasivo e indicado especialmente para a insuficiência venosa crônica com safena de médio calibre. Eficácia de 85 a 92% em 5 anos.

O pós-operatório costuma ser rápido: a maioria dos pacientes retoma atividades leves em 1 a 2 dias, usando meia de compressão por cerca de 2 a 4 semanas conforme orientação médica.

4. Cirurgia de Varizes para Insuficiência Venosa Crônica

A cirurgia de varizes — safenectomia convencional — é indicada para a insuficiência venosa crônica com safenas muito calibrosas (acima de 8-10mm) ou casos mais complexos. Anestesia raquidiana, internação de 1 noite, recuperação em 7-14 dias. Eficácia de 88-95% em 5 anos.


Diferente do laser e da escleroterapia, a cirurgia exige um período de repouso relativo maior nos primeiros dias, mas costuma ser a opção mais indicada quando há múltiplas varizes calibrosas associadas a uma safena muito dilatada.

Insuficiência Venosa Crônica e Convênios

A insuficiência venosa crônica sintomática documentada pelo Doppler tem cobertura pelos planos de saúde regulamentados pela ANS para os procedimentos indicados — escleroterapia, laser e cirurgia. O CID-10 da insuficiência venosa crônica é I87.2. Os convênios aceitos pelo Dr. Luís Dotta incluem Iamsp, Hapvida, Bradesco, Ameplan, Cruz Azul e Sagrada Família.


Para a autorização do convênio, normalmente é necessário apresentar o laudo do Doppler venoso com o mapeamento do refluxo, a classificação CEAP documentada e, em alguns casos, fotos clínicas. O cirurgião vascular é quem prepara essa documentação junto ao paciente.

CID-10 da Insuficiência Venosa Crônica: Códigos e Para Que Servem

O CID-10 da insuficiência venosa crônica mais utilizado é o I87.2 (insuficiência venosa periférica crônica). Esse código costuma aparecer em pedidos de Doppler venoso, guias de convênio e atestados relacionados à condição.

A família de códigos I87 do CID-10 cobre diferentes situações venosas crônicas, e é comum haver confusão entre eles:

Código CID-10Descrição
I87.0Síndrome pós-flebítica (pós-trombótica) — sequela de trombose venosa profunda prévia
I87.1Compressão de veia (ex.: síndrome de May-Thurner)
I87.2Insuficiência venosa (crônica) periférica — o código mais usado no dia a dia
I87.8Outras doenças venosas especificadas
I87.9Doença venosa não especificada

Na prática, o código exato usado pelo médico depende da causa: se a insuficiência venosa crônica é primária (sem trombose prévia), o mais comum é I87.2; se ela surgiu após uma trombose, o correto é I87.0. Esse detalhe importa porque alguns convênios e perícias médicas analisam o histórico pelo código informado. Já a classificação CEAP, explicada mais acima, é complementar ao CID — ela não substitui o código, mas detalha clinicamente a gravidade dentro de cada categoria.


Insuficiência Venosa Crônica é Perigosa? Separando Fatos de Mitos

A insuficiência venosa crônica isolada, na fase inicial, não é uma condição que ameaça a vida diretamente — mas isso não significa que possa ser ignorada. O risco real está nas complicações que ela favorece quando não tratada: a estase venosa prolongada aumenta a chance de trombose venosa profunda, e uma trombose não identificada pode evoluir para embolia pulmonar, essa sim uma emergência potencialmente grave.

Da mesma forma, uma úlcera venosa crônica não tratada pode infeccionar e, em casos raros e avançados, evoluir para complicações mais sérias. Por isso oriento meus pacientes assim: a insuficiência venosa crônica em si raramente mata, mas o que ela pode desencadear — se negligenciada por anos — merece atenção médica séria. O acompanhamento regular com o cirurgião vascular é o que separa uma condição controlável de uma progressão perigosa.


Um mito comum que costumo desfazer no consultório: “varizes são só um problema estético”. Na maioria dos casos leves isso é verdade, mas a insuficiência venosa crônica não tratada por muitos anos é justamente o que leva às formas mais graves de complicação — e é essa progressão silenciosa, não a doença em si, que precisa ser levada a sério.

Insuficiência Venosa Crônica, Varizes e Trombose: Como Diferenciar

É comum pacientes usarem esses três termos como sinônimos, mas eles descrevem coisas diferentes. A insuficiência venosa crônica é o mecanismo de fundo — a falha das válvulas que causa o refluxo. As varizes são uma das manifestações visíveis desse mecanismo — as veias dilatadas e tortuosas que aparecem na pele. Já a trombose venosa profunda é um evento agudo, diferente: a formação súbita de um coágulo dentro de uma veia profunda, que exige atendimento de urgência.

  • Insuficiência venosa crônica: doença de base, progressiva, relacionada à falha valvular
  • Varizes: sinal visível da insuficiência venosa crônica (nem toda IVC tem varizes visíveis, especialmente nos estágios iniciais)
  • Trombose venosa profunda: evento agudo e súbito, que pode ocorrer isoladamente ou em quem já tem insuficiência venosa crônica, e que, se mal tratado, pode originar uma forma secundária e mais grave de IVC (síndrome pós-trombótica)

Entender essa diferença ajuda a explicar por que uma pessoa pode ter insuficiência venosa crônica sem nenhuma variz aparente — apenas peso e inchaço nas pernas — e por que o Doppler venoso, e não só o exame visual, é o exame que realmente confirma o diagnóstico.


Na dúvida, o caminho mais seguro é sempre o mesmo: procurar avaliação com um cirurgião vascular diante de qualquer sintoma persistente na perna, em vez de tentar diferenciar essas condições por conta própria com base apenas na aparência da pele ou das veias.

Insuficiência Venosa Crônica em Gestantes, Idosos e Pessoas com Diabetes

Na gravidez

Durante a gravidez, o aumento do volume sanguíneo, a ação hormonal da progesterona relaxando a parede venosa e a compressão do útero sobre as veias pélvicas favorecem o surgimento ou a piora da insuficiência venosa crônica. Na maioria dos casos, os sintomas melhoram nos meses após o parto, mas em parte das gestantes o quadro persiste e precisa de avaliação vascular específica depois da amamentação.

Em idosos

Com o avanço da idade, o desgaste acumulado das válvulas venosas, a redução da mobilidade e da força da panturrilha e a maior prevalência de outras doenças vasculares tornam a insuficiência venosa crônica mais frequente e, com frequência, mais avançada no momento do diagnóstico — muitos pacientes idosos já chegam ao consultório com dermatite ocre ou úlcera. Isso reforça a importância de não adiar a avaliação por achar que “inchaço na perna é normal da idade”.

Em pessoas com diabetes

Em pacientes diabéticos, a insuficiência venosa crônica pode coexistir com doença arterial periférica e neuropatia — uma combinação que aumenta significativamente o risco de feridas de difícil cicatrização, como discuto em detalhe no artigo sobre pé diabético. Nesses pacientes, o controle glicêmico rigoroso e o acompanhamento vascular regular são ainda mais importantes para prevenir úlceras mistas (venosas e arteriais).


Impacto da Insuficiência Venosa Crônica no Sono e na Qualidade de Vida

Um dos impactos menos discutidos da insuficiência venosa crônica é sobre o sono. As câimbras noturnas e a sensação de peso e queimação que pioram ao final do dia frequentemente atrapalham o início ou a continuidade do sono, e alguns pacientes relatam necessidade de elevar as pernas ou se levantar durante a noite para aliviar o desconforto — um padrão parecido com o descrito no artigo sobre dor nas pernas ao deitar e de madrugada.

Além do sono, a insuficiência venosa crônica tem impacto social e emocional relevante: varizes visíveis podem gerar constrangimento no uso de shorts, saias ou na praia, e o cansaço nas pernas ao final do dia reduz a disposição para atividades físicas e sociais. Tratar a insuficiência venosa crônica, portanto, não é apenas uma questão estética — envolve qualidade do sono, disposição e bem-estar geral do paciente.


Nos meus mais de trinta anos de consultório, percebo que muitos pacientes só buscam ajuda quando o impacto no sono ou na rotina se torna incômodo demais para ignorar — o que reforça a importância de não esperar o desconforto virar prejuízo real de qualidade de vida antes de procurar avaliação.

Perguntas Frequentes sobre Insuficiência Venosa Crônica

Insuficiência venosa crônica tem cura?

A insuficiência venosa crônica primária não tem cura definitiva no sentido de que a predisposição genética permanece. Com tratamento adequado — correção das veias incompetentes e compressão permanente — é possível controlar a doença, aliviar sintomas, evitar progressão e prevenir complicações. As veias tratadas não voltam, mas novas podem surgir com o tempo.

Insuficiência venosa crônica pode causar trombose?

Sim. A estase venosa crônica da insuficiência venosa crônica é um dos fatores da tríade de Virchow — que predispõe à trombose venosa. Pacientes com insuficiência venosa crônica avançada têm risco aumentado de TVP, especialmente em situações de imobilidade prolongada.

Qual médico trata insuficiência venosa crônica?

O cirurgião vascular e o angiologista são os especialistas indicados para diagnóstico e tratamento da insuficiência venosa crônica. O Dr. Luís Dotta atende nas unidades da Lapa, Vila Maria e Santo Amaro em São Paulo.

Insuficiência venosa crônica piora com o tempo?

Sem tratamento, sim — a insuficiência venosa crônica é progressiva. A velocidade de progressão varia conforme os fatores de risco de cada paciente. O tratamento das veias incompetentes e o uso regular de compressão elástica retardam significativamente a progressão da insuficiência venosa crônica.

Exercício físico ajuda na insuficiência venosa crônica?

Sim — especialmente exercícios que ativam a bomba muscular da panturrilha: caminhada, natação, ciclismo, hidroginástica. A contração da panturrilha durante o exercício empurra o sangue de volta para o coração — o principal mecanismo de retorno venoso comprometido na insuficiência venosa crônica. Exercício com meia de compressão no lugar potencializa o benefício.

A meia de compressão cura a insuficiência venosa crônica?

Não — a meia de compressão controla os sintomas e retarda a progressão da insuficiência venosa crônica, mas não elimina as veias incompetentes. Para tratamento definitivo das varizes associadas à insuficiência venosa crônica, é necessário intervenção — escleroterapia, laser ou cirurgia. A meia é indispensável como medida de manutenção após o tratamento.

O que é insuficiência venosa?

Insuficiência venosa é a incapacidade das veias das pernas de bombear o sangue de volta ao coração de forma eficiente, geralmente por falha das válvulas venosas. Quando esse quadro persiste por mais de três meses, é chamada de insuficiência venosa crônica, e pode causar varizes, inchaço, alterações na pele e, em casos avançados, úlceras.

Qual o CID-10 da insuficiência venosa crônica?

O código mais utilizado é o I87.2 (insuficiência venosa periférica crônica). Quando a condição é consequência de uma trombose venosa profunda prévia, o código correto passa a ser I87.0 (síndrome pós-flebítica).

Insuficiência venosa crônica pode matar?

A insuficiência venosa crônica isolada raramente é fatal, mas pode favorecer complicações mais sérias, como trombose venosa profunda e, em casos raros, embolia pulmonar, além de úlceras que podem infeccionar se não tratadas. O acompanhamento médico regular reduz consideravelmente esses riscos.

Insuficiência venosa crônica na gravidez é normal?

Sim, é relativamente comum: as alterações hormonais e o aumento de volume sanguíneo da gravidez favorecem o surgimento ou a piora da insuficiência venosa crônica. Na maioria dos casos os sintomas melhoram após o parto, mas vale reavaliar com um cirurgião vascular se o quadro persistir.


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🏥 Lapa — Zona Oeste

🏥 Vila Maria — Zona Norte

🏥 Santo Amaro — Zona Sul


⚖️ Aviso Legal: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui a consulta médica presencial. Resultados podem variar. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada.

✍️ Dr. Luís Antonio Dotta | CRM 65772/SP | RQE 28296 | Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular | Mais de 30 anos de experiência em São Paulo

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