Tromboangeíte obliterante (doença de Buerger): tabagismo, sintomas, úlceras e tratamento
A tromboangeíte obliterante, também chamada de doença de Buerger, é uma doença inflamatória que acomete pequenas e médias artérias e veias das mãos e dos pés, reduzindo o fluxo de sangue nas extremidades. Ela está fortemente ligada ao tabagismo e costuma aparecer em pessoas relativamente jovens, geralmente antes dos 45 a 50 anos.
Os sinais mais comuns são dor nos pés ou nas mãos, dedos frios, mudança de cor, feridas que demoram a cicatrizar e, nos casos mais avançados, risco de perda de tecido. A parada completa do tabaco é a medida que mais pode mudar o curso da doença e, em muitos casos, ajuda a evitar uma amputação.
Neste guia, o Dr. Luís Antonio Dotta, angiologista e cirurgião vascular, explica como reconhecer a doença, como ela se diferencia de outras causas de má circulação, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis.
O que é a tromboangeíte obliterante e por que ela também se chama doença de Buerger
Uma dúvida frequente é se tromboangeíte obliterante e doença de Buerger são doenças diferentes. Não são: trata-se da mesma condição, descrita em 1908 pelo médico Leo Buerger, e os dois nomes são usados como sinônimos na prática clínica. É uma vasculite, ou seja, uma inflamação das paredes de pequenos e médios vasos, que se associa à formação de trombos (coágulos) e leva ao estreitamento ou à obstrução desses vasos.
O que acontece dentro dos vasos
Diferentemente da aterosclerose, em que placas de gordura se acumulam na parede das artérias, na doença de Buerger o processo é inflamatório e envolve também as veias e os nervos que acompanham os vasos. O resultado costuma ser uma redução progressiva da circulação nas extremidades, principalmente nas pernas e nos pés, mas também nos braços e nas mãos. Quando o sangue chega em menor quantidade, os tecidos recebem menos oxigênio, o que explica a dor, a palidez e as feridas.
Quem costuma ser afetado
A doença acomete mais frequentemente adultos jovens e de meia-idade, geralmente com início dos sintomas antes dos 50 anos, e costuma ser mais descrita em homens, embora o número de mulheres afetadas tenha aumentado com o crescimento do tabagismo feminino. Ela é considerada rara em comparação com outras doenças arteriais, mas aparece com mais frequência em algumas regiões do Oriente Médio e da Ásia.
Por que o diagnóstico às vezes demora
No consultório, é comum encontrar pacientes que passaram por meses de dor nos pés ou nos dedos tratada como problema ortopédico, neuropático ou até como micose, antes de uma avaliação vascular. Como a doença é pouco frequente e os sintomas iniciais são inespecíficos, ela pode ser confundida com outras condições. Por isso, quando uma pessoa jovem e fumante apresenta dor ou ferida em dedos, a possibilidade de tromboangeíte obliterante precisa ser lembrada.
Entender que se trata de uma doença inflamatória dos vasos, e não apenas de "má circulação" genérica, é o primeiro passo para buscar o especialista certo. Se você quer compreender melhor como as artérias funcionam, vale ler também o conteúdo sobre o que é uma artéria, seus tipos e diferença para a veia e sobre a má circulação nas pernas, isquemia e doença arterial.
Qual é a relação da doença de Buerger com o cigarro
Uma dúvida frequente é se é possível ter tromboangeíte obliterante sem fumar. A resposta é que a doença está tão intimamente ligada ao tabaco que a presença do tabagismo, ativo ou, em menor grau, passivo, é considerada praticamente indispensável para o diagnóstico. Casos em pessoas que nunca usaram tabaco são descritos como muito raros e exigem investigação cuidadosa de outras causas.
O que se sabe sobre o mecanismo
A causa exata não é totalmente conhecida. Acredita-se que componentes do tabaco desencadeiem uma resposta imune anormal nas paredes dos vasos de pessoas com predisposição, o que gera inflamação e formação de trombos. Fatores genéticos podem influenciar quem desenvolve a doença, mas o gatilho ambiental mais importante é o tabaco.
Todas as formas de tabaco contam
Não é apenas o cigarro industrializado que está envolvido. O cigarro de palha, o charuto, o cachimbo, o narguilé, o fumo mascado e o rapé também foram associados à doença. Cigarros eletrônicos e produtos de tabaco aquecido contêm nicotina e outras substâncias, e a nicotina isolada pode manter o processo ativo em quem já tem a doença. Por isso, a orientação costuma ser a suspensão de qualquer produto com nicotina.
Reduzir não é o mesmo que parar
No consultório, um dos erros mais comuns é a ideia de que diminuir de uma carteira para poucos cigarros por dia seria suficiente. Na doença de Buerger, mesmo pequenas quantidades podem manter a inflamação em atividade e a doença pode continuar progredindo. A abstinência total é o que mais costuma se associar à estabilização do quadro e à cicatrização de feridas.
Como encarar o assunto sem julgamento
A dependência de nicotina é uma condição de saúde e raramente se resolve apenas com força de vontade. Existe apoio com acompanhamento médico, terapia comportamental e, quando indicado, medicamentos para auxiliar a parada. Procurar esse suporte não é sinal de fraqueza, e sim parte do tratamento vascular. O cigarro também é um dos principais fatores de risco para aterosclerose, o que reforça o motivo de interromper o uso mesmo em quem tem outras doenças arteriais.
Quais são os sintomas nas mãos e nos pés
Uma dúvida frequente é como a doença de Buerger começa. Costuma começar de forma discreta, com dor, frio ou formigamento nos dedos dos pés ou das mãos, muitas vezes em apenas um membro no início, e com piora progressiva à medida que o fluxo de sangue diminui e a inflamação avança.
Sintomas nos pés e nas pernas
- Dor na planta do pé ou na panturrilha ao caminhar, que costuma melhorar com o repouso (claudicação), e que muitas vezes se localiza no arco do pé.
- Dor em repouso, frequentemente pior à noite, que pode levar a pessoa a deixar a perna pendente para fora da cama em busca de alívio.
- Pés frios, pálidos, azulados ou avermelhados, com mudança de cor conforme a posição.
- Formigamento, queimação e perda de sensibilidade nos dedos.
Sintomas nas mãos
Nas mãos, o quadro pode incluir dedos que ficam brancos ou roxos com o frio, dor nas pontas dos dedos, sensibilidade ao frio e feridas pequenas e dolorosas nas polpas digitais. É um acometimento que ajuda a diferenciar a doença de Buerger da aterosclerose comum, que costuma poupar os membros superiores.
Sinais que chamam atenção
Dois achados são característicos: a flebite superficial migratória, em que surgem cordões vermelhos e dolorosos sob a pele que aparecem e desaparecem em locais diferentes, e as alterações do fenômeno de Raynaud, com mudança de cor dos dedos ao frio ou ao estresse. A presença desses sinais em um fumante jovem pode levantar a suspeita da doença.
O que observamos no consultório
No consultório, ao examinar os pulsos, é comum encontrar pulsos reduzidos ou ausentes nos pés ou nos punhos, enquanto os pulsos mais próximos do tronco, como os femorais, podem estar preservados. Também costuma-se observar atrofia da pele, queda de pelos, unhas alteradas e enchimento capilar lento. Esses dados do exame físico, somados à história de tabagismo, orientam a investigação.
Dor nas pernas ao caminhar não é exclusiva da doença de Buerger; vale conhecer o quadro descrito em claudicação intermitente e as outras causas de dor nas pernas ao caminhar. Sintomas nas mãos também podem ter outras origens, como mostra o texto sobre má circulação nos braços.
Como surgem as úlceras e a gangrena nos dedos
Uma dúvida frequente é por que aparecem feridas nos dedos quando a circulação piora. Isso costuma acontecer porque o tecido deixa de receber oxigênio suficiente para se manter e se reparar; qualquer pequena lesão, como uma bolha, um calo ou um corte na unha, pode não cicatrizar e evoluir para uma úlcera isquêmica.
Como é a úlcera da doença de Buerger
As úlceras costumam surgir nas pontas dos dedos, entre os dedos ou nas bordas dos pés e das mãos. São em geral dolorosas, com bordas bem delimitadas, fundo pálido ou com crostas escuras e pouca secreção. Essa dor intensa é uma diferença importante em relação às úlceras de origem venosa, que costumam ser menos dolorosas e aparecem mais perto do tornozelo.
Da úlcera à necrose
Quando a obstrução avança e o fluxo é insuficiente, parte do dedo pode escurecer, ressecar e endurecer, o que caracteriza a gangrena seca. Se houver infecção associada, a gangrena úmida pode surgir, com secreção, mau cheiro, vermelhidão e risco de infecção generalizada. Nesse cenário, a avaliação precisa ser rápida.
Cuidados que ajudam a proteger a pele
- Usar calçados macios e confortáveis, e inspecionar o interior do calçado antes de calçar.
- Evitar andar descalço, mesmo dentro de casa.
- Não cortar calos nem usar produtos químicos sobre feridas por conta própria.
- Evitar compressas quentes ou bolsa de água quente, já que a sensibilidade reduzida aumenta o risco de queimaduras.
- Proteger mãos e pés do frio, sem aquecimento direto excessivo.
No consultório, orientamos que qualquer ferida em dedo que não melhora em poucos dias, principalmente em fumantes, seja avaliada. Para entender as diferenças entre os tipos de lesão, vale ler sobre úlceras arteriais e venosas, sobre ferida que não cicatriza e sobre a lesão ulcerada na pele.
Como diferenciar a doença de Buerger da aterosclerose e de outras causas
Uma dúvida frequente é como saber se a dor nos pés vem da doença de Buerger ou de outra doença arterial. A diferenciação costuma depender da idade, do histórico de tabagismo, dos vasos acometidos e dos exames de imagem, e é feita pelo médico, pois vários quadros se parecem na fase inicial.
Doença de Buerger e aterosclerose
A obstrução arterial periférica por aterosclerose costuma surgir em pessoas mais velhas, com fatores como colesterol alto, diabetes e hipertensão, e afeta artérias maiores das pernas. Na tromboangeíte obliterante, os vasos acometidos são menores e mais distais, o paciente costuma ser mais jovem, e há envolvimento frequente das mãos.
Outras condições que podem se parecer
- Fenômeno de Raynaud: alteração de cor dos dedos ao frio, que pode ocorrer isoladamente ou em doenças autoimunes. Veja mais em fenômeno de Raynaud.
- Pé diabético: feridas associadas à neuropatia e à má circulação em pessoas com diabetes, como descrito em pé diabético.
- Doenças autoimunes: esclerodermia, lúpus e outras vasculites podem causar úlceras em dedos.
- Embolias: pequenos êmbolos vindos do coração ou de aneurismas podem entupir artérias dos dedos.
- Síndrome do desfiladeiro torácico: compressão de estruturas na região do pescoço e ombro, com sintomas nos braços. Veja síndrome do desfiladeiro torácico.
- Trombofilias: alterações de coagulação que favorecem trombos, assunto abordado em trombofilia.
Por que essa diferença importa
Cada uma dessas condições tem tratamento diferente. Na doença de Buerger, a parada do tabaco é central; nas demais, o foco pode estar no controle do diabetes, no uso de imunossupressores ou em anticoagulantes. No consultório, a investigação costuma incluir exames de sangue para afastar essas outras causas antes de fechar o diagnóstico de tromboangeíte obliterante.
Como é feito o diagnóstico da tromboangeíte obliterante
Uma dúvida frequente é se existe um exame único que confirme a doença de Buerger. Não existe: o diagnóstico é clínico e se apoia em um conjunto de critérios, como idade jovem, tabagismo, acometimento de extremidades, exclusão de outras doenças e achados típicos nos exames de imagem dos vasos.
Consulta e exame físico
A avaliação começa com uma conversa detalhada sobre o tempo e a intensidade do tabagismo, o início dos sintomas, episódios de flebite e mudança de cor dos dedos. No exame físico, avaliamos pulsos, temperatura, coloração, enchimento capilar e feridas. O teste de Allen, que avalia a circulação das artérias da mão, pode ser usado quando há suspeita de acometimento dos membros superiores.
Exames complementares
- Índice tornozelo-braquial e pletismografia: medem de forma não invasiva o fluxo de sangue nas extremidades.
- Ultrassom com Doppler: avalia fluxo e obstruções, como descrito em Doppler vascular.
- Angiografia (arteriografia): pode mostrar obstruções em artérias distais, com vasos colaterais em aspecto de "saca-rolhas", um padrão considerado característico, embora não exclusivo.
- Exames de sangue: para afastar diabetes, doenças autoimunes, dislipidemia e trombofilias.
- Ecocardiograma: para pesquisar fontes de êmbolos no coração quando necessário.
O papel da exclusão
Como não há um marcador específico, grande parte do trabalho consiste em excluir outras doenças. Uma pessoa com mais de 50 anos, com diabetes ou colesterol elevado e acometimento de artérias maiores, por exemplo, tem mais chance de apresentar aterosclerose do que doença de Buerger. A biópsia raramente é necessária e costuma ser evitada em tecidos já com má circulação.
No consultório
No consultório, procuramos reunir os exames de forma organizada para que o paciente saiba o que está sendo investigado e por quê. Quem já possui exames anteriores deve levá-los, incluindo laudos de angiografia e de Doppler. Para uma visão mais ampla de testes vasculares, veja o conteúdo sobre exame vascular.
Parar de fumar basta? O papel central da cessação do tabaco no tratamento
Uma dúvida frequente é se existe algum medicamento capaz de controlar a doença sem que a pessoa pare de fumar. Até hoje, a única medida com benefício consistente comprovado para interromper a progressão da tromboangeíte obliterante é a cessação completa do tabaco; os demais tratamentos funcionam como apoio e não substituem essa decisão.
O que a parada do tabaco pode mudar
Em quem consegue interromper o uso, a dor costuma diminuir, as feridas tendem a cicatrizar melhor e o risco de novas obstruções e de amputações costuma cair de forma importante. Já em quem continua fumando, a doença pode seguir em surtos, com novas úlceras e perda progressiva de tecido. Por isso, a conversa sobre tabagismo é parte do tratamento, e não um aviso moral.
Como aumentar a chance de sucesso
- Definir uma data para parar e contar com o apoio da família e de colegas.
- Procurar acompanhamento com equipe de cessação do tabagismo, inclusive em unidades do SUS.
- Conversar com o médico sobre terapia de reposição de nicotina, bupropiona ou vareniclina, quando indicadas. Atenção: a reposição de nicotina é uma ferramenta de transição e deve ser usada sob orientação, já que a nicotina em si pode afetar os vasos.
- Identificar situações que disparam a vontade de fumar e planejar alternativas.
- Evitar também o fumo passivo e outros produtos com tabaco.
Recaídas fazem parte do processo
É comum que a parada exija mais de uma tentativa. No consultório, tratamos a recaída como informação para ajustar a estratégia e não como fracasso. O mais importante é manter o vínculo com o acompanhamento e voltar a tentar. Alguns pacientes relatam que a melhora dos sintomas depois de semanas sem fumar foi o maior incentivo para continuar.
Cuidar do restante do perfil de risco também ajuda, incluindo o controle de dislipidemia quando presente. Para ideias gerais de hábitos, veja como melhorar a circulação nas pernas.
Quais tratamentos existem além de parar de fumar
Uma dúvida frequente é quais recursos o médico pode oferecer quando a dor e as feridas já estão presentes. Além da cessação do tabaco, o tratamento costuma combinar controle da dor, cuidados com as feridas, medicamentos que melhoram o fluxo de sangue e, em casos selecionados, procedimentos, sempre individualizados.
Medicamentos e cuidados clínicos
- Vasodilatadores e prostanoides: análogos da prostaciclina, como o iloprosta, podem ser usados em ambiente hospitalar para casos com dor em repouso ou úlceras, conforme indicação do especialista.
- Bloqueadores de canal de cálcio: podem ajudar quando há componente de vasoespasmo, como no Raynaud.
- Analgésicos: a dor isquêmica pode ser intensa e, às vezes, exige estratégias específicas de controle.
- Antibióticos: apenas quando há infecção, nunca de forma preventiva por conta própria.
- Antiagregantes e anticoagulantes: não têm papel estabelecido na doença de forma geral e são usados quando há outra indicação.
Curativos e cuidado das feridas
O curativo deve manter a ferida limpa, protegida e sem pressão, e o tipo de cobertura depende de a lesão estar seca, infectada ou com tecido morto. Remoção de tecido desvitalizado (desbridamento) deve ser avaliada com cuidado em tecidos mal irrigados, pois o corte pode piorar a isquemia se não houver fluxo suficiente.
Procedimentos
A revascularização, seja por cirurgia de ponte ou por técnicas endovasculares, costuma ser limitada, porque os vasos acometidos são pequenos e distais, sem bom leito para receber enxertos. Em situações selecionadas, pode ser avaliada. A simpatectomia lombar ou torácica, que reduz o tônus dos nervos que contraem os vasos, é uma opção descrita para alguns casos de dor ou úlcera refratária, e terapias como estimulação medular também aparecem na literatura. Pesquisas com terapias celulares ainda são consideradas experimentais.
No consultório, o plano é desenhado conforme a gravidade, os exames e os objetivos do paciente. Para conhecer a atuação do especialista em procedimentos sobre os vasos, veja o conteúdo sobre clínica endovascular e sobre cirurgia vascular.
A amputação pode ser evitada na doença de Buerger
Uma dúvida frequente é se quem tem tromboangeíte obliterante inevitavelmente perde dedos ou membros. Não é um destino certo: a amputação costuma ser reservada para situações de gangrena extensa, infecção que não é controlada ou dor insuportável sem alternativa, e o risco tende a ser bem menor em quem para de fumar e é acompanhado precocemente.
O que aumenta e o que reduz o risco
- Aumentam o risco: continuar fumando, demora em procurar ajuda, infecção de feridas e baixa adesão ao acompanhamento.
- Reduzem o risco: abstinência completa do tabaco, cuidados diários com a pele, tratamento precoce de úlceras e consultas regulares.
Amputações menores e o princípio da economia de tecido
Quando há necrose bem delimitada de um dedo, muitas vezes é possível aguardar a demarcação do tecido, e, se necessário, fazer uma amputação pequena, preservando o máximo de membro funcional. A ideia é remover só o que não tem mais chance de recuperação, evitando cortes maiores. Essa decisão depende de exames, de sinais de infecção e do estado geral do paciente.
Sinais de que a situação pode estar piorando
Dor que não cede mesmo em repouso, dedo que escurece rapidamente, pele quente e vermelha ao redor da ferida, secreção com mau cheiro e febre são sinais que pedem avaliação imediata. Quanto mais cedo a equipe acompanha uma úlcera, maiores as chances de tratá-la sem perda de tecido.
O que o paciente pode fazer no dia a dia
- Examinar mãos e pés todos os dias, inclusive entre os dedos, com ajuda de um espelho ou de um familiar.
- Hidratar a pele sem deixar umidade entre os dedos.
- Evitar exposição ao frio intenso e usar luvas e meias de lã em dias frios.
- Manter-se ativo com caminhadas leves, conforme orientação médica, pois o exercício pode estimular circulação colateral.
- Não interromper o acompanhamento mesmo quando os sintomas melhoram.
No consultório, muitos pacientes que chegaram com feridas e medo da amputação relatam que o ponto de virada foi a decisão de parar de fumar associada a um acompanhamento próximo. Cada caso, porém, é diferente, e não é possível prometer um desfecho específico. Para entender melhor situações em que o membro corre risco, leia sobre isquemia.
Mitos e perfis: mulheres, jovens, trabalhadores e quem já parou de fumar
Uma dúvida frequente é se a doença de Buerger só atinge homens ou se é "coisa de gente idosa". Nenhuma das duas ideias é correta: a doença costuma aparecer em adultos jovens, é mais frequente em homens, mas mulheres fumantes também podem ser afetadas, e a condição não é privilégio de nenhuma faixa social ou profissão.
Mitos comuns
- "Fumo pouco, então não corro risco": na doença de Buerger, mesmo quantidades relativamente pequenas podem estar associadas ao quadro.
- "Cigarro eletrônico é seguro para os vasos": a nicotina continua presente e pode manter a doença ativa; a segurança vascular desses produtos não está estabelecida.
- "Se a ferida fechou, a doença passou": a doença é crônica e exige acompanhamento mesmo sem sintomas.
- "Pomada e chás resolvem": nenhum produto caseiro substitui o controle do tabaco e a avaliação vascular.
- "É varizes": varizes são um problema venoso, diferente. Veja o que são varizes.
Mulheres e gestação
Em mulheres, o diagnóstico pode demorar por ser considerado menos provável. Em quem planeja engravidar, a parada do tabaco é fundamental, e a gestação deve ser acompanhada em conjunto com obstetra, já que alguns medicamentos vasculares podem não ser adequados nesse período.
Atletas e trabalhadores expostos ao frio
Pessoas que treinam ou trabalham em ambientes frios, com vibração ou uso repetitivo das mãos, podem ter alterações de cor dos dedos por outras razões. Nem todo dedo roxo ao frio é Buerger, mas, em quem fuma, a investigação vascular é prudente.
Quem já parou de fumar
No consultório, vemos pacientes que pararam de fumar há meses e mantêm acompanhamento regular, com controle dos sintomas. A manutenção da abstinência e o seguimento periódico costumam ser decisivos. Hábitos de vida mais amplos para proteger a circulação aparecem em saúde vascular, doenças e como cuidar.
Quando é emergência e quando a avaliação pode ser agendada
Uma dúvida frequente é se dedo frio ou dolorido sempre exige pronto-socorro. Nem sempre, mas alguns sinais indicam urgência: a perda súbita de circulação em um membro pode ser uma oclusão aguda e precisa de atendimento em poucas horas, enquanto sintomas lentos e estáveis podem ser avaliados em consulta agendada com o cirurgião vascular.
Procure atendimento de urgência se houver
- Mão ou pé de aparecimento súbito frio, pálido, muito dolorido ou sem movimento e sensibilidade.
- Dedo ou área da pele escurecendo rapidamente.
- Ferida com vermelhidão que se espalha, secreção com mau cheiro, febre ou calafrios.
- Dor intensa em repouso que não melhora com analgésicos habituais.
- Ferida em quem tem diabetes e perda de sensibilidade no pé.
Pode ser agendado em breve
Situações como dedos que ficam frios e mudam de cor com o frio, dor ao caminhar que melhora com repouso, formigamento persistente ou cordões doloridos sob a pele sem sinais de infecção costumam ser avaliados em consulta. Ainda assim, não convém adiar por meses, principalmente em fumantes, porque a doença pode progredir silenciosamente. Se houver dor na panturrilha com inchaço de um só lado, pense também em trombose, assunto tratado em sintomas iniciais da trombose.
Como se preparar para a consulta
No consultório, ajuda muito levar a lista de medicamentos, exames anteriores, fotos da evolução das feridas e informações honestas sobre o uso de tabaco, incluindo cigarro eletrônico e narguilé. Esses dados não servem para julgar, e sim para escolher o exame e o tratamento mais adequados. A sensação de pé frio e de perna com falta de circulação também é abordada em perna fria e dor, causas vasculares e quando é emergência.
Acompanhamento a longo prazo e como agendar uma avaliação vascular
Uma dúvida frequente é por quanto tempo é preciso ser acompanhado depois do diagnóstico. A tromboangeíte obliterante é uma doença crônica, e o acompanhamento costuma ser mantido por muitos anos, com intervalos definidos conforme a atividade da doença, a presença de feridas e a capacidade de manter o abandono do tabaco.
O que costuma ser revisto nas consultas
- Pulsos, temperatura e coloração de mãos e pés.
- Estado de feridas, unhas e pele, com orientações de curativo.
- Dor, capacidade de caminhar e qualidade do sono.
- Apoio à cessação do tabaco e manejo de recaídas.
- Controle de outros fatores de risco, como pressão, glicemia e colesterol.
- Exames de imagem quando houver mudança do quadro.
Cuidar do conjunto da saúde vascular
Quem tem a doença merece atenção ao conjunto do sistema circulatório. Atividade física leve e regular, alimentação equilibrada e sono adequado ajudam, e vale entender quando procurar um especialista, como explica o conteúdo sobre o que trata o angiologista e quando consultar e sobre o médico vascular e como é a consulta.
Agende sua avaliação
No consultório, o Dr. Luís Dotta avalia dor em mãos e pés, feridas que não cicatrizam e suspeita de doenças arteriais, solicitando os exames necessários e explicando cada etapa com clareza. Se você ou alguém da sua família fuma e apresenta dedos frios, dor ao caminhar ou feridas que demoram a fechar, agende uma avaliação em uma das unidades:
- Cirurgião vascular na Lapa, São Paulo
- Cirurgião vascular na Vila Maria, São Paulo
- Cirurgião vascular em Santo Amaro, São Paulo
Se preferir saber quais planos de saúde são atendidos, consulte a página sobre convênios aceitos. Parar de fumar e buscar avaliação cedo são passos que podem fazer diferença na evolução, e uma consulta é o ponto de partida para entender o seu caso.
Perguntas Frequentes
O que é tromboangeíte obliterante?
É uma doença inflamatória dos pequenos e médios vasos das mãos e dos pés, também chamada de doença de Buerger, que causa trombos e reduz o fluxo de sangue nas extremidades. Está fortemente associada ao tabagismo.
Doença de Buerger e tromboangeíte obliterante são a mesma coisa?
Sim, são dois nomes para a mesma doença, descrita pelo médico Leo Buerger em 1908. Os termos são usados como sinônimos na prática médica.
Doença de Buerger tem cura?
Não há cura definitiva, mas a doença pode ser controlada. Parar completamente de fumar costuma ser a medida que mais ajuda a interromper a progressão e a favorecer a cicatrização de feridas.
Quais são os sintomas da doença de Buerger?
Os mais comuns são dor nos pés ou nas mãos, dedos frios ou com mudança de cor, formigamento, dor ao caminhar e feridas que demoram a cicatrizar. Também podem ocorrer cordões vermelhos e doloridos sob a pele.
Quem não fuma pode ter tromboangeíte obliterante?
É muito raro. A presença de tabagismo, ativo ou, em menor grau, passivo, é considerada praticamente indispensável para o diagnóstico, e outras doenças precisam ser investigadas em quem nunca fumou.
Cigarro eletrônico e narguilé também causam a doença de Buerger?
Qualquer produto com tabaco ou nicotina pode manter a doença ativa, incluindo cigarro de palha, charuto, cachimbo e narguilé. A segurança vascular do cigarro eletrônico não está estabelecida.
Como é feito o diagnóstico da doença de Buerger?
O diagnóstico é clínico e usa exame físico, Doppler, índice tornozelo-braquial e, em alguns casos, angiografia, além de exames de sangue para excluir outras doenças. Não existe um exame único que confirme sozinho.
Quem tem doença de Buerger sempre precisa amputar?
Não. A amputação costuma ser reservada a casos de gangrena extensa, infecção sem controle ou dor refratária, e o risco tende a ser menor em quem para de fumar e faz acompanhamento precoce.
Qual é o tratamento da tromboangeíte obliterante?
O tratamento combina cessação total do tabaco, controle da dor, cuidados com as feridas, medicamentos que melhoram o fluxo e, em casos selecionados, procedimentos como a simpatectomia. O plano é individualizado.
Qual médico trata a doença de Buerger?
O angiologista ou cirurgião vascular é o especialista indicado para investigar e acompanhar a doença. Em alguns casos, o cuidado é feito em conjunto com reumatologista e equipe de cessação do tabagismo.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não substitui, em hipótese alguma, a consulta médica presencial, o diagnóstico ou o tratamento profissional. Cada paciente é único e os resultados de tratamentos podem variar significativamente. Consulte sempre um médico para avaliação individualizada da sua condição de saúde.
Dr. Luís Antonio Dotta — CRM-SP 65772 / RQE 28296. Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular.
Dor, feridas ou dedos frios? Agende uma avaliação vascular
O Dr. Luís Dotta (CRM 65772/SP – RQE 28296) atende em três unidades em São Paulo:
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